sumário

A Guisa de Apresentação.. 6

Nosso parecer sobre os verdadeiros progenitores da AMRIGS. 10

HISTÓRIA da FUNDACÃO AMRIGS. 12

O Positivismo de Auguste Comte. 14

Comte e a Medicina.. 15

A morte de Julio Prates de Castilhos. 15

AS IDEAÇÕES POSITIVISTAS NO RIO GRANDE DO SUL. 18

O caos estava oficialmente estabelecido. 19

SURGIMENTO DA PRIMEIRA SOCIEDADE MÉDICA NO RIO GRANDE DO SUL. 22

1894 - Criação da Sociedade União Pharmaceutica.. 25

1895- A Fundação da Escola Livre de Farmácia e Química Industrial. 27

1897 - Criação do Curso de Partos. 31

1898 –Fundação da Faculdade Livre de Medicina e Farmácia.. 32

Escola de Medicina e Pharmacia.. 34

A Palavra do Mestre. 34

Precedentes Societários e Congressuais relevantes. 35

Estatização da Profissão Médica - Sociedade, Estado e Direito à Saúde. 38

A Revolução Industrial - O Capital e o Trabalho.. 41

Médicos transformados em Proletários Assalariados. 42

Processos de Solidariedade Socialismo.. 43

“A primavera dos Povos” – O Comunismo.. 45

Movimentos Sindicalistas. 46

1915 - Criação da Liga Médica de Alegrete. 48

1915- O Primeiro Congresso Médico Riograndense. 48

Cientistas brasileiros. 50

1921- A Reforma Luis Barbosa.. 50

1922 - Congresso Nacional dos Práticos. 51

1923- A Lei Eloy Chaves. 55

1926 - IX Congresso Medico Brasileiro.. 56

Presidentes honorários do IX Congresso Médico Sul-Riograndense. 61

Comissão Organizadora do IX Congresso Médico Sul-Rio Grandense. 64

1928 - Realização do 1° Congresso Municipal de Saude Pública, Medicina Social e Hospitaes, em Abril de 1928, na cidade de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. 66

O Sindicalismo no Brasil. 69

1931 – O Surgimento do Sindicato Médico no Rio Grande do Sul. 70

História do Sindicalismo Médico no Rio Grande do Sul tem sua origem quando: 71

1940 - Primeiras Jornadas Médicas Regionais - Cidade de Cruz Alta.. 73

1941-O Primeiro Congresso Médico da Fronteira.. 76

1949- Congresso da Associação Paulista de Medicina.. 76

1951 - Congresso Médico do Brasil Central. 76

A Fundação da AMB.. 77

Médico gaúcho faz apologia ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul  79

Os idealizadores da AMB.. 80

PRIMEIRAS IDÉIAS PARA A CRIAÇÃO DA AMRIGS. 81

Aurora da AMRIGS. 81

Dependências do salão de conferencia e secretaria do sindicato. 83

Biografia do Dr. BRUNO ATÌLIO MARSIAJ – “A mãe” da AMRIGS. 86

A construção prática do sonho e da ideação da AMRIGS. 90

14 de fevereiro de 1951. 90

24 de abril de 1951. 91

4 de maio de 1951. 92

15 de maio de 1951. 93

22 de maio de 1951. 94

25 de maio de 1951. 95

A origem da sigla AMRIGS. 99

29 de maio de 1951. 100

SERVIÇO DE CÂNCER DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PORTO ALEGRE. 100

1° de junho de 1951. 102

Reunião de 8 de junho de 1951. 103

POA, 8 de junho de1951. 106

12 de junho de 1951. 107

15 de junho de 1951. 108

20 de junho de 1951. 108

“O verdadeiro caminho a ser percorrido.. 108

OS CARAVANEIROS DAS ESTRADAS BARRENTAS. 109

Os Caravaneiros. 110

Francisco Orcy: O Charles Lindenberg dos céus pampeiros, caravaneiro do ar   112

Caravaneiros –Colaboradores da Fundação da AMRIGS. 115

Plano para criação da AMRIGS é apresentado na cidade de Rio Grande. 117

3 de julho de 1951. 121

5 de julho de 1951. 121

6 de julho de 1951. 124

10 de julho de 1951. 125

24 de julho de 1951. 125

Ata da quarta reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS 6 de agosto de 1951  126

24 de agosto de 1951. 129

Sexta manifestação de solidariedade para a Fundação da AMRIGS. 132

11 de setembro de 1951. 132

Entusiasmo.. 132

25 de setembro de 1951. 133

Dia 2 de outubro de 1951, terça-feira-Sociedade de Cirurgia.. 134

Dia 3 de outubro de 1951, sexta-feira: Sociedade de Cirurgia. 134

Dia 4 de outubro 1951. Quinta: 134

Dia 5 de outubro de 1951, Sexta: 134

Dia 7 de outubro de 1951. 135

8 de outubro de 1951, segunda-feira.. 136

Dia 16 de outubro de 1951-Terça. 136

INÍCIO DA PRIMEIRA JORNADA DE CIRURGIA DO RIO GRANDE DO SUL. 137

Encerramento da Primeira Jornada Cirúrgica. Anunciada a data, hora e local da cerimônia para a fundação da AMRIGS. 142

PRIMEIRA DIRETORIA DA AMRIGS. 146

Comissão de finanças. 147

Diretoria do dp. 149

ESCLARECIMENTO.. 150

Ata da Primeira Sessão da Fundação da AMRIGS. 150

Grande confusão e surpresa.. 151

Esclarecendo a confusão.. 152

Ata da Primeira Assembléia Geral de Delegados da AMRIGS. 153

Ata da Primeira Assembléia Geral de Delegados da AMRIGS. 163

Compra da Primeira Sede. 163

Situação e localização do imóvel. 173

Caracterização do Conjunto 1004 – 10º andar Nossa sede (anterior) 176

Sala nº 1. 176

Compra da Segunda Sede da AMRIGS na Avenida Salgado Filho.. 184

Bibliografia.. 189

Bibliografia consultada.. 190

Foram pesquisados documentos – atas, jornais, livros, revistas, fotografias e demais acervos informativos, das seguintes entidades: 191

Contatos – Informações – Entrevistas: 192


A Guisa de Apresentação

 

Há muito tempo, muito tempo mesmo, nas minhas idas e vindas para o Colégio Rosário, ao passar frente a um bar, na calçada da Avenida Independência, quase sempre via dois meninos vestidos como marinheiros, brincando com uma rema-rema.

O tempo passou. A vida correu depressa...

E depois de muito tempo voltei a encontrar aqueles dois gêmeos, numa enfermaria da santa casa, agora homens feitos, vestidos como médicos. E a partir daí, nossas vidas correram em pararelo. Mais velho, atuava como conselheiro, mas da convivência aprendia eu da vida, muito mais com eles. Desse relacionamento, para mim, surgiu um sentimento quase de paternidade. Genaro e Nicolau, cresceram, casaram, tiveram filhos, ganharam netos, venceram na profissão e são felizes.

Eis que hoje, surge Nicolau com um boneco – matéria a ser composta em livro –  que pretende historiar a fundação da AMRIGS e pede-me que eu faça uma apresentação do futuro livro.Então, vai daí, estas mal traçadas linhas, a guisa de apresentação.

O Dr. Nicolau Laitano é o autor da obra e fez um trabalho hercúleo, denodado, quase heróico. Consultou jornais da época, descobriu livros de atas, fotografias e identificou os personagens. Entrevistou familiares de fundadores, levantou biografias, restaurando documentos, refez, reconstruiu aquele ano da fundação (1951) e colocou os personagens nos seus lugares naquela época.

Li e reli a matéria com tanto interesse que cheguei reviver, senti–me voltar àqueles tempos idos de 1951, quando cursava o último ano da Faculdade de medicina, e quando fui, concomitantemente, secretário de comissão Fundadora da AMRIGS, presidida pelo professor Paulo Queiroz Telles Tibiriça. Sou um sobrevivente da época, talvez o único. Isso explica a honra de apresentar a presente publicação.

O Dr. Nicolau descreve e analisa de forma independente, numa narrativa de qualidade, quase de forma teatral, a formação da nossa entidade médica, defensora de nossa classe. Aliás, a única que nos pertence e que não está ligada ao poder público.

A trajetória dos personagens que irão se mostrar, seus comportamentos, suas atitudes, em prol ou contra essa entidade é analisada. Tudo descrito com seriedade. Desfila lenta e inexoravelmente ante o leitor, a fina flor, a elite médica da época.

A figura do professor Paulo Queiroz Telles Tibiriça é mostrada como uma das principais é o vencedor da idéia de criação da entidade, que a partir de seus dotes de oratória e convencimento e de capacidade de organização e de uma vontade quase maníaca, implacável e com absoluta conexão com o sentimento geral da classe médica, que ainda era uma profissão liberal. A sombra da socialização já estava se fazendo bem próxima, trazendo apreensão na coletividade médica, ou seja, a socialização unilateral – apenas do paciente.

Outra personalidade brilhante e fundamental e imprescindível, sem a qual, nada teria ocorrido, é do professor Bruno Atílio Marsiaj. O autor disseca a trajetória de sua atuação e os motivos que lhe permitiram liderar, exercer um poder tão grande na consecusão de seus objetivos: criar a AMRIGS – unir a classe médica numa organização poderosa, competente e respeitada. Que grande líder! Quanta energia!

Mostrar como foi possível o surgimento da AMRIGS na classe médica gaúcha é o maior serviço – e um alerta que o autor prestou a história da medicina.

QUEM SABE, SE NUM FUTURO PRÓXIMO O DOUTOR NICOLAU NOS BRINDARÁ COM A HISTÓRIA DA AMRIGS?

Oswaldo Wolff Dick


PREFÁCIO

Palavras do autor – Dr. NICOLAU LAITANO

A vida é curta e a arte é longa”

Hipócrates de Cós, Pai da Medicina

“A história é o testemunho do tempo”

Cícero

Este trabalho representou para mim um desafio de pesquisa histórica, jornalística e livresca, descobrindo atas, identificando fotografias, entrevistando personagens, restaurando documentos, na procura de memórias, lembranças, literárias e científicas, quase esquecidas - implicadas na história da fundação da AMRIGS- na iminência de serem perdidas, que se consubstanciaram em dois fatos essenciais: o da buscas a tesouros escondidos ou quase perdidos e de um reencontro com as personagens que ilustraram estas histórias.

As buscas de tesouros escondidos, ou quase perdidos, eram de imperiosa necessidade - o seu encontro estava mais bem perto de tudo o que se podia imaginar: porões escuros, úmidos, mal ventilados de uma construção de tijolos anexa ao prédio de nossa AMRIGS, revelou o local da Mina de Ouro. Abandonado, esquecido o lugar este que foi “reservado” para albergar tudo aquilo que um dia deveria ser uma biblioteca, um memorial de documentos preciosos, incluindo atas das sociedades médicas, raridades livrescas de medicina, coleções de revistas, fotografias, marcos de bronze, lembrei-me do Prof. Nicanor Letti, que carinhosamente e diligentemente, tinha coletado e organizado tudo ali que existia. Porém, este professor - pesquisador pioneiro de nossa história societária - interrompeu seu trabalho por desavenças na época com diretores da AMRIGS, cujos nomes a ética não recomenda citar, exilaram todo este manancial de documentos para os porões de nossa entidade decretando seu abandono por quase vinte longos anos.

O resgate deste tesouro se iniciou graças a atitude do Presidente Newtom Barros e aos esforços do Dr. Dirceu Rodrigues, que emitindo as ordens de “salvatagem” do acervo documental e, como orgulho informo que penetrei nos meandros dos tortuosos dos porões da AMRIGS e transferi “ à força bruta” as preciosidades abandonadas, para o reduto seguro da sala 401 de nossa AMRIGS.

Desencadeado este “Fiat Lux” no momento ótimo que deveria eclodir, com cautela, diplomacia, muita paciência e insistência, nosso trabalho deverá progredir – como diria Luiz Vaz de Camões- “com engenho e arte”, na expectativa da gregária colaboração daqueles todos nossos associados que prezam e amam sua AMRIGS.

 

 

 

Nosso parecer sobre os verdadeiros progenitores da AMRIGS

“Neste mundo de enganos, nada es verdad, nada es mentira;

todo depende del color del cristal com se miran lãs cosas”

Martín Fierro

Os narradores dessa valorosa história, que nunca foi contada, analisaram as informações contidas, registradas nas atas do Livro da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, (presidida pelo Dr.Bruno Marsiaj), com data iniciada em fevereiro de 1951, e nas Atas da Sociedade de Medicina de Porto Alegre (presidida pelo Dr.Tibiriça), data de 4 de maio de 1951 e Atas das reuniões dos presidentes da Sociedade Médica de Porto Alegre, constituintes da Comissão Organizadora da AMRIGS, (dirigida pelo Dr.Tibiriçá) datada de 25/05/1951.

Usaremos nesta análise, “cristales de color verde, el color del más formoso de los berilos, el color de la esperanza”, que caracteriza a pedra de anel símbolo da medicina. Nós desejamos ser breves em nosso parecer, tal qual foi a resposta do mordomo Polônio para a rainha Gertrudes, esposa do Rei Hanlet: “Eu quero ser breve, pois a brevidade é a alma do espírito”.

Bruno Marsiaj e Paulo Tibiriçá são os responsáveis pela idéia de fundar a AMRIGS. Este parecer é confirmado pelo Prof.Tibiriçá, em carta publicada com o título “Emendas à História, Segundo Tibiriçá, na edição extra do jornal AMRIGS, Ano XII, fev./1974, n.5, em que discorda das informações relatadas no artigo publicado na ”História (abreviada) de Uma Associação” (Jornal da AMRIGS ed. extra n. 4. Porto Alegre, ano XXIII, jan. 1974).

A certa altura, a matéria “A História (abreviada) de Uma Associação” dá a impressão de que a AMRIGS foi idealizada na Sociedade de Cirurgia. Ela foi idealizada por mim, Presidente da Sociedade de Medicina, e organizada por Bruno Marsiaj, presidente da Sociedade de Cirurgia.

Conforme me declarou certa vez Bruno Marsiaj “você foi o pai e eu a mãe da AMRIGS”. Certíssimo. Eu tive a idéia e ele a praticou.

Para concluir, desejo dizer que conheci a todos que lutaram para a fundação da AMRIGS. Tive a felicidade de auxiliar o Dr. Bruno Marsiaj, em cirurgias na Sociedade de Beneficência Portuguesa e fui aluno do professor Tibiriçá, no terceiro ano de medicina, na Cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da UFRGS. Pelas cátedras da Faculdade de Medicina por ambulatórios, anfiteatros e enfermarias da Santa Casa de Misericórdia, busquei o saber médico nas aulas de Rubens Maciel, Darcy Oliveira Ilha, Antônio Azambuja, Fradique Correa Gomes, César Ávila, e de outras personalidades médicas inesquecíveis como a de Edgar Diefenthaeler e Oswaldo Wolf Dick, como interno do Serviço de Câncer, Enf. 40 da Santa Casa, e por ocasião de meu estagio na Portaria da Santa Casa.

Na Casa de Deus há muitas moradas e todos que já partiram lá estão com certeza. Aos que já partiram, e os que ainda estão vivos, que labutaram para criar a nossa querida AMRIGS, e a todos os colegas médicos, sócios ou não da AMRIGS, eu e meu irmão Genaro, desejamos que Deus abençõe a todos.

Dr. Nicolau Laitano

 


HISTÓRIA da FUNDACÃO AMRIGS

A razão de ser, de existir da AMRIGS, alicerçou-se na necessidade compulsória de agregar, de ajuntar, de reunir em um ato e/ou efeito “as entidades médicas símiles pré-existentes”- a expressão criada é de nossa autoria - numa única figuração jurídica, social, científica e cultural estatutariamente predeterminada.

Destas “entidades médicas símiles pré-existentes” identificadas como sociedades, associações, colégios, núcleos e, até, sindicatos, em artigo Jornal da AMRIGS – Edição de fevereiro de 1974 na pg. 2- sob o título de “Emendas à História” Prof. Dr. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá afirmou: “Antes da fundação da AMRIGS, havia em Porto Alegre 16 sociedades médicas, e 7 fora de Porto Alegre. Elas realizavam em geral sessões movimentadas e interessantes, com conferencistas locais e, às vezes, de fora. Tinham períodos de maior ou menor atividade. Lembramos que a Sociedade de Medicina - a primeira de todas – nasceu no Século XIX.

Segundo conceituação do Dr. Bruno Marsiaj, um dos seus fundadores ao lado Dr. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá, ideador da AMRIGS esta entidade, “surgiu de um imperativo que em 1951, tomou rumo, organizou-se, definiu-se em termos firmes, conscientes e permanentes. {...} O alvo que se desejava atingir era: 1) reunir; 2) instruir; 3) divulgar; 4) criar hábitos para freqüência em conclaves; 5) despertar e treinar para a presença atuante nestas reuniões; 6) finalmente, contribuir para a consolidação da Capital, como núcleo de atração médica, para o ensino e para os recursos de pacientes do Estado, deles necessitados” (1)

Antecedentes societários da fundação da AMRIGS

Cenário político-social da época no Rio Grande

Tudo esta ligado a tudo”

Barry Commoner

“Nenhum homem é uma ilha isolada”

John Donne

“Liberdade para tudo e para todos menos para os maus e malfeitores ”

As origens mais remotas do associativismo médico no Rio Grande do Sul – e talvez no Brasil - nos levam a retroagir pelo tempo e aportar pelos idos finais do ano XIX, época em que surge a primeira sociedade médica em nosso Estado, ocasião em que no Brasil operavam-se transformações políticas significativas, assim resumidas:

A instalação da República no país representou um ajustamento do nível político-mudança do regime - às novas necessidades geradas na economia e na sociedade.

Ao longo do século XIX, o desenvolvimento da agro-exportação, baseada no café, foi capaz de gerar uma série de transformações na estrutura tradicional montada no país desde os tempos da colonização... O país já estava conectado, por laços comerciais, a um mercado capitalista desde a fase colonial, mas se tratava, agora da penetração do capitalismo na estrutura interna brasileira. Fatores indicadores deste processo foram a acumulação de capital, a introdução de relações assalariadas de produção, a constituição de um mercado interno, a urbanização, o surgimento da indústria, a construção de estradas de ferro, aparelhamento de portos, criação de bancos, companhias de seguro e novos serviços públicos para fazer frente a volume de negócios”. (2)

O regime monarquico estava nos seu ocaso, o poder político no Império se achava controlado pelo grupo dos cafeicultores escravistas do vale do Paraíba do Sul - e pelas classes médias e burguesia emergentes dominadoras do comércio e indústria – associada às facções desComtentes do exército nacional, articularram a queda do regime, decorrente de um golpe militar.

No Rio Grande do sul, esta transição do regime monárquico para o republicano não fugiu deste Comtexto geral de transformações que atravessava o país, mas obedeceu auma conotação específica para a área. O Rio Grande, desda a sua formação, constituíra-se nos moldes de uma economia agro-pecuária, subsidiária da agroexportação, voltada para o abastecimento de gêneros alimentícios, pelo que era conhecido pelo cognome de “celeiro do país. Apesar do setor agrícola colonial (zona de imigração alemã e italiana), apresentar-se como o mais dinâmico, com mais capacidade de capitalização, proporcionando o surgimento do grande comércio e de indústrias, era o setor pecuarista dominante no estado, fazendo-se representar na política. O Partido Liberal, majoritário no Rio Grande do Sul, dominado por pecuaristas, barganhava com o poder central através de seu líder, Gaspar Silveira Martins, para obtenção de favores para a província... “mas se tornou incapaz de resolver os problemas que afligiam a economia gaúcha”.(3)

Diante deste impasse é criado no Rio Grande o PPR - Partido Republicano Rio-Grandense,cuja base social foi constituída por figuras do latifúndio pecuarista (ala jovem do Partido Liberal ou Conservadores), que tendo uma união vantajosa com os militares, conquistou espaços políticos para implantação de suas filosófias e metodologias, inspiradas no Positivismo de Auguste Comte, das quais seria seu representante máximo Julio Prates de Castilhos.

O Positivismo de Auguste Comte

O Positivismo, criado por Augute Comte, surgido em plena revolução industrial, caraterizava-se como uma filosofia burguesa, autoritária, moralista, educadora, conservadora e progressista, que buscava a construção de uma sociedade exemplar que teria “o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim”, que se decompõe na máxima moral “Viver para outrem”. São pilares ainda do Positivismo dogmas: “Saúde e Fraternidade”; “Viver as Claras”; “Conhece a ti mesmo para melhorar-te”; “Os vivos são cada vez mais governados pelos mortos”.

O Positivismo surpreendeu o mundo atraindo pensadores e filósofos do mundo como Stuart Mill, Bertrand Russel. No Brasil teve adeptos como Benjamin Constant, um dos inspiradores da República, chegando ao Rio Grande do Sul foi adotado por Julio Prates de Castilhos.

Isidore Marie Auguste Xavier Comte nasceu em Montepellier, França, em 19 de janeiro, 1798. Com a idade de 16 anos ingressou na Escola Politécnica de Paris, da qual foi expulso dois anos depois, por liderar um movimento de protesto. No ano de 1825 conheceu uma jovem prostituta, Caroline Massin, com que viveu algum tempo e a desposou. Deprimido por constantes desentendimentos com sua mulher, adoentado por profundo esgotamento nervoso em 1827, tentou suicídio atirando-se de uma ponte nas águas do rio Sena. Sendo salvo por um guarda.

“Comte sofrerá várias internações manicomiais como alienado, numa época em que o tratamento da loucura adotava métodos rudes. Talvez em decorrência disso tenha sido a relação conturbada que Comte estabeleceu com a medicina e a posição inferior que lhe reservou na sua classificação de ciência”. (4)

Os loucos eram contidos por grilhões, como se vê na magistral pintura de RT. Fleury (Pinel e as loucas em Salapetriére) metodologia esta de tratamento que deveria estar em deshuso pois, já em 1798, Pinel obteve licença da Assembléia Nacional da França para retirar os grilhões de quarenta e nove loucos de Bicentre, Hospital de Alienados de Paris.

Em relação às profissões liberais Auguste Comte entendia que o exercício de quaquer uma delas independia de título ou diploma escolástico ou acadêmico ou de qualquer prova de idoniedade técnica. O importante, dizia Comte – era o conhecimento e não a forma pela qual o sujeito atingisse o grau de saber. Exigir o diploma era privilegiar uma forma em detrimento das outras, desviando a relação do que seria fundamental – o saber.

Comte e a Medicina

Para Comte o cérebro seria o centro da unidade do indivíduo consigo mesmo e com a sociedade. “A doença resulta sempre de uma alteração da unidade”, este formado pela união de fatores morais, sociais e reliogisos. Comte pregava a subordinação da Medicina à sociologia e à moral e religião, não devendo se deixar seduzir por um modelo de cientificidade. Para Comte a miséria da medicina, estava em negligenciar uma sólida formação sociológicas matéria prioritária para o domínio das ciências cerebrais. A morte do Presidente Julio Prates de Castilhos em outubro de 1903, de câncer na garganta, numa operação realizada, em sua residência, pelo Dr. Protásio Alves, foi um episódio que alimentou a desconfiança popular quanto à medicina científica.

A morte de Julio Prates de Castilhos

Coragem eu tenho, Dr. Protásio, o que me falta é ar”

Palavras do Presidente Julio de Castilhos

Julio Prates de Castilhos, fumante pesado, começou a ter dores na garganta, com episódios de dispnéia. Era um câncer que se desenvolvia na sua garganta. No dia 24 de outubro de 1903, o médico Protasio Alves, é chamado às pressas, para atender o Presidente Julio Prates de Castilhos, que “estava se afogando” em sua residência. Protásio Alves, médico, seu amigo e correligionário preparou o doente ilustre lhe dizendo: Presidente preciso operá-lo, “Que não lhe falte coragem”..., ao que o Presidente respondeu: “ Coragem eu tenho Doutor Protásio, o que me falta é ar”.

Protásio tentou uma traqueostomia, anestesiando o paciente com éter, numa mesa cirúrgica improvisada na residência do presidente, mas este teve uma parada cardíaca, vindo a falecer.

Figura 1 - “Pinel e as loucas” – R.F. Fleury. Philippe Pinel liberta os doentes mentais da Salpétiere. Retrato na Salpétiere, Paris.

Figura 2 - Extremando essas concepções, acabou criando um culto à ciência e à humanidade. (Templo Positivista no Rio)

Figura 3 -Comte queria ciências puras, claramente comprovadas e antimetafísicas.

Figura 4 - Comte tornou-se um místico, depois da morte da amada, Clotilde de Vaux.

AS IDEAÇÕES POSITIVISTAS NO RIO GRANDE DO SUL

Na última década do Século XIX, no Rio Grande do Sul, as perspectivas e fundamentações políticas do nosso Estado, já estavam delineadas por lideranças agrupadas entorno do PPR, (Partido Republicano Rio-Grandense), adotando os princípios e filosofias do positivismo ideado por Auguste Comte.

Nosso Estado, a partir do ano de 1891, passa para o comando de Julio Prates de Castilhos (15/7/1891- 12/11/1891 e 25/1/1893 até 25 1/1898), seguido depois, por dois períodos governamentais de Augusto Borges de Medeiros (25/1/1898 – 25/1/1908 e 25/1913 até 25/1/1928). Estes dois períodos, definidos como tempos do castilhismo/borgismo se estenderam por quarenta anos ao longo da República Velha e sobrevivendo a dois conflitos: A Revolução Federalista de 1893 e a Revolução de 1923.

Julio Prates de Castilhos nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Vila Rica, hoje Julio de Castilhos, em 29 de junho de 1860. Advogado formado na Faculdade de Direito de São Paulo, onde se filiou às campanhas de abolição e pela criação da república. Defendeu estes princípios como jornalista de A Federação jornal de propaganda republicana no RS e, de imediato – 1890 – conquista o cargo de deputado ao Congresso constituinte republicano, descortinando uma trajetória política sem igual nos cenários Brasileiro e Rio–Grandense.

Julio Prates de Castilhos na condição de Governador, preconizava ampla autonomia estadual, em discordância com a perspectiva federalista brasileira, instaurando um executivo forte, em detrimento do legislativo. Dogmático, autoritário, redigiu de próprio punho, a Constituição de 1891 de nosso Estado criando leis como a declaração do voto aberto, cerceadora de liberdade de expressão, e um dispositivo constitucional que permitia reeleições governamentais.

No que tangia aos interesses das profissões liberais formulou uma decisão surpreendente para os destinos e práticas do exercício da medicina, farmácia, ofícios e atividades e/ou ocupações afins, com a legislação que reproduzimos:

“Constituição Política do estado do Rio Grande do Sul”

“Título IV”

“Garantias Gerais de Ordem e Progresso no Estado”

Art. Nº 72

Parágrafo 5°. - Não são admitidos também no serviço do Estado os privilégios de diplomas escolásticos ou acadêmicos, quaisquer que sejam, sendo livre no seu território o exercício de todas as profissões, de ordem moral, intelectual e industrial”. (Rio Grande, 1891, p. 348).

Esse artigo passou para a história do Rio Grande do Sul conhecido como a “Lei das Liberdades Profissionais”. O mais estranho é que este artigo feria o artigo 72 e paragrafo 24 da Constiuição Federal de 1891, que havia sido redigido pelas lideranças de Julio de Castilhos, Borges de Medeiros e Ramiro Barcelos, constituintes do Rio Grande do Sul.

Este surpreendente, inédito, conflitivo e famigerado Art. Nº 72, Paragrafo 5º, datado de 14 de julho de 1891, da Constituição Castilhista de acordo com - Garantias Gerais de Ordem e Progresso no Estado - foi aprovado pela Constituínte no Rio Grande do Sul pelo decreto nº 44 de 2 de abril de 1895 que tratou dos Serviços de Hygiene. O regulamento esclarecia que aquele que quisesse exercer a medicina e seus ramos (farmácia, drogaria, obstetrícia, e odontologia), deveria requerer inscrição no Serviço de Hygiene e obter seus registro mediante pagamento de uma taxa, não se questionando apresentação de diploma e/ou documento atestando freqüência de curso, de faculdade, o que tornava o peticionador um médico ou farmacêutico legalizado.

O caos estava oficialmente estabelecido.

Este regulamento permitia, como em verdade aconteceu, a compra de uma profissão de médico, farmacêutico, droguista ou odontólogo, pelo simples pagamento de uma taxa com ou sem apresentação de qualquer documento, que o habiltasse para o exercício da profissão solicitada, pretendida, ou apresentação de diploma que provasse sua freqüência em curso correspondente em Faculdade que o habilitasse para tal.

Em 12 julho de 1895 a Directoria de Hygiene Publica do Rio Grande do Sul emite a seguinte edital:

De ordem do exmo. Sr. Dr. Director da repartição de Hygiene do Estado, faço publico as seguintes disposições do regulamento sanitário:

Art.II –De quem quiser exercer a medicina e qualquer de seus ramos, pharmacia, drogaria, obstetrícia e arte dentária, deverá requerer inscrição em registro existente na directoria.

Directoria da Hygiene Publica, em Porto Alegre, 12 de junho de 1895.

 

Figura 5 -Sr. Carlos Wallau Medico Secretario (5)

No primeiro ano em que estas medidas vigoraram 66 não diplomados se inscreveram e receberam a licença para clinicar contra dez diplomados (sendo cinco em Faculdades nacionais e cinco em estrangeiras).

Um historiador da época comentou:

“Os viajantes diplomados de médicos, de enfermeiros, e sobretudo os que não tinham diploma, mal farejavam esta terra gaúcha, escreviam aos amigos do resto do mundo chamando-os porque aqui cada qual podia “fazer a América” e voltar com a bolsa cheia, depois de tratar as pessoas, sem nenhuma responsabilidade se os pacientes morriam, de morte natural, ou de morte experimental, como as cobaias... O Rio Grande do Sul era o paraíso... (6)

A cidade de Porto Alegre estava cheia de charlatões, aventureiros da pior espécie, na maioria estrangeiros egressos das mais estranhas profissões arvorando-se em médicos, de um momento para outro, e instalavam ostensivamente seus consultórios em plena capital do Estado, iludindo a boa fé dos incautos por meio de um reclame (propaganda de jornal) espalhafatoso e sem escrúpulo. Os curandeiros, às mais das vezes analfabetos, percorriam o interior do Estado ludibriando a sua população, principalmente a infantil, pela recomendação de seus “chás” e as suas “mesinhas”, segundo pesquisas de arquivos médicos da época, realizadas pelo Dr. José Barros Araújo, médico-chefe da Fiscalização do Exercício Profissional Departamento Estadual de Saúde (D.E.S).

É de se tomar conhecimento, que a Câmara Municipal de Porto Alegre, no tempo do Império, em 14 de janeiro de 1841, já registrava a necessidade de diploma para o exercício da profissão médica m Porto Alegre. Nessa data foi elaborado o seguinte documento

“O senhor Vereador Campos, fez requerimento seguinte: Tendo recorrido algumas actas e livros de assento nesta Caza, para reconhecer a legitimidade dos diplomas dos cirurgiões, boticários e parteiros; creio poder affirmar à camara serem alguns pseudos, e outros, posto que verdadeiros, os seos donos não podem exercer a profissão sem detrimento do exposto no artigo quatorze da Lei de Mil oitocentos e trinta e Dois, e finalmente outros farão dados porque não tinham semelhante finalidade. Por taes motivos peço que exija novamente todos os diplomas, para se poder avaliar com mais dados da exaução, afim de seguir-mos restrictamente o que nos está incumbido por Le.: Sendo admitido o requerimento, e discutida a matéria resolvêo a camara se fizesse público por Edital, pelos Periódicos da Cidade, que todos os senhores médicos cirurgiões, Boticários e Parteiros, existentes nesta cidade devem no prazo de quinze dias contados da data do mesmo Edital apresentar à mesma câmara os seos diplomas, para serem vistos, e poder este cumprir com o que dispõem a Lei referida à respeito”.(7)

Assim Araújo Castro afirma a respeito: {“...} embora alguns dos seus comentadores sustentassem que o exercício de qualquer profissão liberal independia de título ou diploma escolástico ou acadêmico ou de qualquer prova de idoniedade técnica, a Côrte Suprema, consagrando a verdadeira doutrina, declarou sempre que a liberdade assegurada pelo artigo 72, parágrafo 24 da Constituição, estava subordinada à prova de habilitação que a lei estatuísse”

Diante de todos estes fatos as repercussões no nosso meio social, científico e cultural, repercutiram de maneira dramática desencadeando imediatas reações pois:

“A maioria dos profissionais liberais, formados em Faculdades do Império ou da recém fundada República, que exerciam suas profissões no Rio Grande do Sul, ficou desgostosa com a liberdade profissional permitida pela constituição positivista de Julio de Castilhos. Mas foram os farmacêuticos os primeiros a se organizarem na defesa do que consideravam ser os interesses da classe”. (8)

Figura 6 - Dr. Julio de Castilhos, Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, que adotou e impôs, a ideação Positivista, criada por Auguste Comte, em nosso Estado. Foto: Acervo fotográfico da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

 

SURGIMENTO DA PRIMEIRA SOCIEDADE MÉDICA NO RIO GRANDE DO SUL

Primeira reação “A Lei das Liberdades Profissionais”

Sob o impacto destas injuriosas e contrangedoras imposições sobre a profissão médica no Rio Grande do Sul e, diante do cenário e momento político em transição em nosso Estado, é que surge a figura do Dr.Rodrigo de Azambuja Villanova, médico que, a par do exercício de sua profissão como clínico, desenvolveu atividades na educação popular e na política Estadual.

Nesta ocasião o médico Dr. Rodrigo de Azambuja Villanova, nascido em Taquari em 1844, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, retornou a sua terra natal para clinicar como médico atuando na educação popular e na política de nosso Estado com desempenho de maneira notória.

Chegado à administração do sistema educacional, ao posto de Diretor Geral, de 11 de dezembro de 1875 até 12 de fevereiro de 1878, o Dr.Villanova fez talvez a melhor administração conhecida nesta posição.

“Como político, Rodrigo de Azambuja Villanova filiou-se desde cedo ao Partido Conservador, pelo qual foi eleito várias vezes para a Assembléia Legislativa Provincial. Ainda no Império, foi guinado à presidência da província, por indicação do Conselheiro Gaspar Silveira Martins. Neste ponto e mantendo o seu interesse pela educação, o Dr. Villanova, através do Ato de 16 de março de 1888, deu regulamento ao ensino obrigatório.

Sua influência, porém, sofria o impacto da política governamental, um dos cujo ponto fundamental era a liberdade no exercício profissional. A Constituição Política do Estado do Rio Grande do Sul, no seu Título IV, Art. 72 & 5°, dizia: não são permitidos também no serviço do Estado os privilégios de diplomas escolásticos ou acadêmicos, qualquer que sejam, sendo livre no seu território, o exercício de todas as profissões, de ordem moral, intelectual e indústria”. (Rio Grande do Sul...14 de julho de 1891.p. 348.)

Dentre os relatos produzidos pelo Dr. Villanova reproduzimos textos do livro “A instrução Pública no Rio Grande do Sul - 1770/1889”, a professora Regina Portella Scheneider apresenta neste aspecto, o melhor repertório de informações a respeito dos trabalhos e atuações do Dr. Villanova como o que segue, tecendo comentários envolvendo o exercício da “profissão médica” desempenhado na época por estranhos a este nobre ofício:

O pessoal do magistério público, com poucas e por isso honrosas exceções, não tem as precisas habilitações para o exercício de tão delicada profissão. Baldos de conhecimentos teóricos e práticos, não sabem comunicar aos seus discípulos o pouco que sabem, porque lhes falta o método, que é a condição única de aproveitamento quando o ensino é ministrado a espíritos incultos; ou então vivem desviados de suas funções magistrais em ocupações estranhas à profissão. A clínica médica, particularmente, consome todo o tempo de nossos mestres.

A invenção e vulgarização entre nós, do sistema homeopático, trouxe sensíveis males à causa do ensino: raramente deixa o professor público de ser médico da localidade. Apenas de posse do título de preceptor da mocidade, faz logo a aquisição de uma caixa e livros. Sobre a mesa de uma escola pública não se encontrará, com certeza, o regulamento ou outro qualquer livro de ensino, mas Cochrane, V. Martins, Mure lá estarão, atestando a incúria criminosa do mestre e a ousadia do charlatão.

{...} Como fariam os profissionais de outras áreas, os médicos liderados por Rodrigo de Azambuja Villanova decidiram organizar um grupo associativo, destinado a opor resistência à liberdade profissional. A imprensa da época é bastante clara à respeito. O jornal porto-alegrense de oposição, “Reforma,” em seu número de 14 de setembro de 1892, informa:

Conforme noticiamos, teve lugar hontem à noite, em um salão da Santa Casa de Misericórdia, a instalação da sociedade médica. Ao abrir-se a sessão, o Sr. Dr. Villanova, tomando a palavra, produziu um criterioso discurso sobre os fins da associação e progresso da sciência médica na actualidade, mostrando-se contrário à liberdade de profissões. Também falou o illustrado médico Dr. Olinto de Oliveira, discorrendo sobre vários assumptos. A sessão achava-se presidida pelo Dr. Villanova, tendo como secretários os Drs. Carlos Ferreira e Olinto de Oliveira, foram feitas por escrutínio:

Rodrigo de Azambuja Villanova, presidente;

Dioclecio Pereira da Silva, vice-presidente;

José Carlos Ferreira, segundo secretário;

Carlos Frederico Nabuco, thesoureiro e Victor de Brito, archivista.

Em tom cortês, mas omitindo a referência ao assunto dos discursos, o órgão governamental “A Federação”, de 14 de setembro de 1892, traz também a mesma notícia e comenta:

Temos razões para crer será profícua e de reais vantagens para o renome scientifico do nosso Estado a vida que vai viver a Sociedade de Medicina de Porto Alegre, em cujo seio acham-se médicos distinctos e estudiosos, razão por que asseguramos-lhes todas as prosperidades de que é digna a útil associação.(9 )

Os Estatutos desta Sociedade Médica Rio-Grandense, pioneira no Estado, não foram encontrados, extraviados que foram, mas seus conteúdos históricos revelam que: preconizavam a criação de organização societária destinada a se opor resistência à liberdade profissional, organizar e prever os destinos filosóficos, culturais, científicos, sociais e políticos da medicina em nosso Estado.

Esta primeira Sociedade Médica criada em 1892, no Rio Grande do Sul, em pouco tempo, no ocaso do Século XIX, presenciou e viu florescer três entidades de notáveis importâncias para os destinos culturais e científicos do nosso Estado como: União Phamaceutica, a Escola Normal de Partos e a Faculdade Livre de Medicina e Farmácia.

 

Figura 7 - Dr. Rodrigo de Azambuja Villanova, primeiro Presidente da Sociedade de Medicina, Dr. Deoclécio de Oliveira e Prof. Olinto de Oliveira Secretário da Fundação da Sociedade Médica

1894 - Criação da Sociedade União Pharmaceutica

Em 1894, a maioria dos profissionais liberais que exerciam suas profissões no Rio Grande do Sul, conquistadas suas habilitações em Faculdades do Império ou da recém fundada República, desgostosos com a liberdade profissional, permitida pela Constituição positivista de Julio de Castilhos, insurgiram-se liderados pelos farmacêuticos que se organizaram para defender os interesses classistas.

“Os Farmacêuticos, de Porto Alegre, tomaram a iniciativa, promoveram a fundação de uma sociedade (que viria ser a futura União Farmacêutica- esclarece este relator) para a defesa dos interesses morais e profissionais da classe, (grifo nosso) nascendo assim uma força aglutinadora capaz de enfrentar a aspereza da luta que iria ser dura, mas sublime e grandiosa, porque defendia direitos impostergáveis.” (Bottini, 1948, p.61).

Em 02 de setembro de 1894, os Farmacêuticos de Porto Alegre, tomaram a iniciativa e promoveram a fundação de uma Sociedade para a defesa dos interesses morais e profissionais da classe (Bottini, 1948 pg. Nº 61). A Sociedade recebeu o nome de União Farmaceutica. Em 16 de setembro de 1894, esta União se instalava no Salão principal da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, segundo o jornal “A Federação” edição de 4 de setembro de 1894, p. nº 2.

“Mal impressionados, quiçá, com a liberdade profissional taxativamente expressa na Carta Estadual de 14 de julho, alguns farmacêuticos desta Capital, tendo à frente A.Leal, J. Dauth Filho, e V. Appel, lançaram a idéia de uma sociedade com o fim de tratar dos interesses morais e profissionais da classe, nascendo assim a União Farmacêutica, solenemente instalada em 16 de setembro de 1894.” (Sarmento Leite,1915,p.3)

Dos Estatutos da União Pharmaceutica constava da criação de um Curso Livre de Farmácia (Sarmento Reite, 1915,p.3).

Apesar da União Pharmaceutica, ser uma reação ao Artigo Nº 72 parágrafo 5º da lei das Liberdades Profissionais, de 14 de julho de 1891, inserida no Título IV da Constituição Política do Rio Grande do Sul pelo pranteado Presidente do estado do RS, Dr. Julio Prates de Csatilhos, este apara a nova entidade, pois é um grande defensor do ensino livre.

Em 17 de fevereiro de 1895, um grupo de associados da União Pharmaceutica já existindo o Curso Livre de Farmácia, liderados por Alfredo Leal, Arlindo Caminha, Cristiano Fischer, Carvalho de Freitas, João Daudt Filho, V. Appel, consegue do Presidente Julio Prates de Castilhos uma sala – sub porão da Escola Normal, também conhecida como Atheneu Riograndense para funcionamento do Curso de farmácia. Castilhos põe à disposição dos farmacêuticos aparelhos existentes nos gabinetes de física, química e história natural da Escola Normal.(Rio Grande...1895-1896, p. 219).

A primeira Diretoria da Escola de Farmácia era constituída por Alfredo Leal - Diretor; Arlindo Caminha, - Vice-Diretor e Presidente da União Pharmaceutica; Carvalho de Freitas – Secretário; João Daudt Filho, Olympio Guimarães; Siva pereira, João Landell de Moura e Edmundo Landell de Moura.

Figura 8 -Christiano Fischer. Prof. da Escola Livre de Farmácia e, depois, da Faculdade de Medicina.

Christiano Fischer um idealizador da criação da Faculdade Livre de Medicina e Farmácia. Foto: Reprodução fotográfica de painel formatura da Faculdade de Farmácia da UFRGS.

1895- A Fundação da Escola Livre de Farmácia e Química Industrial

“A fundação da Escola de Farmácia foi a forma que os farmacêuticos de Porto Alegre encontraram para contornar a liberdade profissional consagrada pela Constituição de 14 de julho de 1891”

Citação de Heloisa Vellinho Corso autora do livro Faculdade de Farmácia- UFRGS- História 1895-1987, Porto Alegre, 1990.

Dos Estatutos da União Farmacêutica constava a criação de “...um curso livre de farmácia, com um programa de ensino moderno e de acordo com as necessidades atuais da profissão”. (Sarmento Leite, 1915, p. 3).

Esta idéia viria a se tornar realidade quando: “Nesta capital fundou-se uma associação denominada União Farmacêutica, que além de tratar dos interesses da classe, resolveu criar um curso livre de Farmácia. Atendendo à solicitação daquela associação, o Governo do estado, em 2 de outubro de 1895, autorizou a cessão de uma das salas do Atheneu Riograndense para nela funcionr o curso de Farmácia, mandando também por à disposição dos respectivos lentes todos os aparelhos existentes no gabinete de física, química e história natural da Escola Normal, com a condição de a entrega feita mediante inventário, assinado por representantes de dita sociedade, que responderá pela conservação dos mesmos objetos...” (Rio Grande do Sul..., 1896, p. 219).

Em setembro, a comisão encarregada da organização da Escola “...depois mesmo de ter ouvido a opinião do iminente Dr. Julio de Castilhos...” apresentou o projeto do programa e os nomes dos futuros professores. A partir de então “... entrou a União Farmacêutica em um período de atividade extraordinária, convergindo a ação de todos os seus membros para o mesmo objetivo – fundação da Escola de Farmácia.” (Escola..., 1896-8.f.9).

Na data de 29 de setembro de 1895 é oficialmente fundada a Escola livre de Farmácia e de Química Industrial de Porto Alegre. A criação desta Escola representou na época uma reação, a primeira medida para contradizer, enfrentar e contornar a liberdade do exercício profissional, consagrado pela Constituição Castilhista de 1891.

Em fevereiro de 1896 começou a funcionar regularmente a referida Escola, em duas salas no edifício da Escola Normal, Atheneu, localizada na esquina das ruas Duque de Caxias e Bragança, hoje Mal. Floriano, com a promissória freqüência de 35 alunos.

“Estava assim criada a primeira instituição de ensino superior de Porto Alegre. Não é demais salientar que a fundação da Escola de Farmácia, origem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, esta ligada às preocupações ético profissionais de um grupo de farmacêuticos plenamente conscientes de suas responsablidades e do papel social de sua profissão. Tanto é assim que, ao prestar contas de sua administração, o diretor Alfredo Leal justifica o pouco rendimento da Escola pela presença de alunos gratuitos e explica que, com este procedimento, pretendia a Congregação “não privar o pobre dos meios precisos para adquirir uma profissão modesta, porém honrada...” e, ao mesmo tempo, “... facilitar os meios para o estudo das matérias que constituem a profissão da Farmácia, opondo assim um obstáculo à liberdade profissional...” (Escola..., 1896 -8, f.14), e (10)

Figura 9 - Prof. Francisco Carvalho de Freitas, um dos fundadores e secretário da Escola Livre de Farmácia. Foto: Reprodução de painéis de formatura da Faculdade de Farmácia da UFRGS

Figura 10 - Alfredo Leal. Primeiro Diretor da Escola Livre de Farmácia e Vice-Diretor da Fac. de Medicina e Farmácia de 1898 a 1904. Foto: Acervo fotográfico da UFRGS

Figura 11 -Arquivo fotográfico – Museu Joaquim José Felizardo – Fototeca Sioma Breitman. “Lembrança do meu centésimo aniversário Christiano Fischer. Três Vendas, 29 de abril de 1952.”

 

Figura 12 - Arquivo fotográfico – Museu Joaquim José Felizardo – Fototeca Sioma Breitman. Christiano Fischer rodeado de crianças aos quais tinha especial dedicação.

1897 - Criação do Curso de Partos

Sua criação teve como motivação a preocupação com problemas de saúde pública, decorrentes de elevado número de acidentes fatais ocorridos durante partos, atendidos por pessoas não habilitadas, as curiosas e, ainda “...por unanimidade talvez e para evitar os naturais desastres das APARADEIRAS sem estudo” (Sarmento Leite, Revista dos Cursos da Faculdade e Medicina, 1915, p.3).

Assim sendo médicos liderados pelo Dr. Protasio Alves, seguidos do Dr. Deoclécio Pereira, Carlos Nabuco e Sebastião Leão, preocupados em superar tais infortunísticas envolvendo parturientes, resolveram criar o Curso de Partos, destinado ao treinamento às parteiras da época, sendo o curso sob a direção de seu líder Protásio, passou a funcionar nas dependências da Santa Casa de Misericórdia, com grande freqüência e aproveitamento.

Figura 13 - Dr.Protásio Alves foi um do mentores da criação do Curso de Partos da Santa Casa de Misericórdia e, mais tarde, fundador da Faculdade Livre de Medicina e Farmácia, da qual foi seu primeiro Diretor de 1896 até 1907. Foi como político, Vice-Presidente, em dois períodos governamentais durante as regências políticas do Presidente Antônio Augusto Borges de Medeiros, do qual era íntimo amigo e influente colaborador. Foto: Acervo fotográfico da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Figura 14 – Santa Casa de Misericórdia onde funcionou o Curso de Partos.

1898 –Fundação da Faculdade Livre de Medicina e Farmácia

“Com sincerio jubilo patriótico recebi a vossa honrosa comunicação {...}permiti que vos pondere, ilustre cidadão, que a fundação da Escola dde Medicina e Farmácia não é comente “mais uma vitória do ensino livre”, segundo o vosso dizer, mas constitui sobrertudo mais uma irrefragável ratificação de um dos eminentes e substanciosos princípios em que se esteiou o código constituicional riograndense”

Reprodução parcial da carta-ofício, datada de 24 de agosto de 1898, do Presidente do Estado Dr. Julio Prates de Castilho enviada ao Dr.Protásio Alves, Diretor da recém criada Faculdade de Medicina,

A criação da Faculdade Livre de Medicina e Farmácia, (1898), foi antecedida pela da Bahia (1808) e a do Rio de Janeiro (1832), sendo a primeira a ter no seu curriculum as cadeiras de Química Biológica e Bacteriologia

Nota do relator.

Em 1897, é a data de um precioso e oportuno momento que aproximariam duas entidades já estruturadas e atuantes, a Faculdade Livre de Farmácia e Curso de Partos, em franco e ostensivo progresso, para uma fusão: Baseados “... no grau de aproveitamento real das aulas do curso de partos, provada a competência do corpo decente da Escola de Farmácia pelos exames de seus alunos, atendendo ao fato de clinicarem na cidade muitos médicos de cujo saber não era lícito a ninguém duvidar, oferecendo a Santa Casa com freqüência de mais de trezentos doentes, um campo de observação médica digno de aproveitar...” (Sarmento Leite, Revista dos Cursos da Faculdade e Medicina 1915, p.3), resolveram os professores da escola livre de Farmácia e do Curso de Partos unirem-se para a criação de uma Faculdade de Medicina e Farmácia.

Em suas memórias João Dauth Filho transcreve parte de artigo, de autoria de Sarmento Leite, publicado na Revista dos Cursos da Faculdade de Medicina, n° 1, 1915, onde são citados dois encontros entre Alfredo Leal e Protasio Alves, tendo um deles ocorrido um dia antes da notícia de A Federação. “Trocadas a propósito idéias entre os respectivos diretores Protásio Alves e Alfredo Leal, a 18 e 21 de julho, ouvido o pranteado Julio de Castilhos, que nesse sentido enviou memorável carta guardada no arquivo da atual escola, ficou assentada a fundação da Faculdade livre de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, a 25 de julho de 1898...” (1949, p.23).

O assunto fundação da Faculdade de Medicina foi discutido pela congregação da Escola de Farmácia em sessão do dia 20 de julho, Ata n° 15. Na data de 25 do mês de julho de 1898, durante a Décima Sexta Sessão de Congregação da Escola de Farmácia é a apresentada a proposta da fusão dos Cursos de Farmácia e de Partos, sendo a mesma aprovada e de imediato, por votação, a primeira Diretoria da nova entidade, assim composta: Diretor: Dr. Protásio Alves; Vice-Diretor: Alfredo Leal; Secretário: Carvalho de Freitas e Secretário geral: Sebastião Leão.

Ao encerrar o relatório Alfredo Leal, momentos antes de por em votação as propostas que levariam à fusão das duas entidades assim se pronunciou Alfredo Leal:

“Agora que um novo horizonte se abre às aspirações da escola de Farmácia; que uma nova luta vai travar-se entre a boa vontade e tenacidade de meia dúzia de homens devotados á ciência e ao engrandecimento e sua pátria e a indiferença e má vontade de muitos, não posso furtar-me ao desejo de exortar nem só aos meus colegas, mas também aos ilustrados membros do Curso de Partos para não desaminarem um momento si quer neste combate onde sairemos vitoriosos. Lutemos confiados na vitória, porque a nossa é a mais nobre das causas e breve teremos a felicidade de vê-la triunfante, elevar o nome glorioso Rio Grande a par dos mais adiantados centros de instrução de nossa Pátria.” (Escola...1896-8, f,4,15).

Na data de 28 de agosto de 1898 “A Federação” publica na sua primeira página, a carta-ofício enviada pelo Presidente do Estado, Dr. Julio de Castilhos, ao Dr. Protásio Alves Diretor da Faculdade de Medicina e Farmácia, assim redigida, e da qual transcrevemos parte da mesma:

Escola de Medicina e Pharmacia

 A Palavra do Mestre

“Conforme noticiamos, a Federação tem hoje, com a devida vênia, o honroso desvanecimento de ilustrar as suas colunas, com um precioso documento de sabedoria e doutrina, brilhante na forma, opulento na substância, grandioso de eloqüência e de patriotismo, saturado da mais digna modéstia, o qual assinala também valiosos fatos de alta significação consequentes do benfeitor do regime político do Rio Grande do Sul.

“É o pensamento do mestre eminente e benemérito que A Federação, com o máximo de orgulho transmite ao Rio Grande do Sul.

“É a palavra que ensina e edifica que cria e vitaliza, essa que hoje primorosamente exorna o órgão republicano”.

“É o Dr. Julio de Castilhos quem fala

“Eis o seu ofício:

“Cidadão Protásio Alves

“Com sincero jubilo patriótico recebi a vossa honrosa comunicação de que, em sessão conjunta das Congregações da Escola de Farmácia e Curso de Partos, realizada em 25 de julho último, fora instalada a Escola de Medicina e Farmácia de Porto Alegre”.

“Por motivos ocasionais retardei involuntariamente esta resposta, que desde logo reputei obrigatória.

“A minha satisfação cívica aliou-se legitimamente o justo desvanecimento que me trouxeram as expressões generosas com que a vossa nímia gentileza significou que o meu humilde nome” “está vinculado a tudo quanto diz respeito ao progresso do Rio Grande do sul” e relembrou a ação que me coube exercer em favor da liberdade de ensino, instituída neste glorioso berço das conquistas verdadeiramente republicanas.

“Agradeço vivamente a obsequiosidade de vossa carta e as penhoradas deferências com que me distinguistes em nome também dos vossos companheiros, permiti que vos pondere, ilustre cidadão que a fundação da Escola de Medicina e farmácia não é somente” mais uma vitória do ensino livre”, segundo o vosso dizer, mas constitui sobretudo mais uma irrefragável ratificação de um dos eminentes e substanciosos princípios em que se esteiou o código constitucional riograndense.

{...} “Assim é que decorridos poucos anos, desabrochou a iniciativa cívica, aviventada pelas fecundas lições do legítimo regime republicano, e começaram a surgir os seus promissores feitos, como dignos exemplos que desafiavam uma nobre imitação. Fundou-se a Escola de Farmácia, fundou-se a Escola de engenharia, fundou-se o Curso de Partos, sob os afortunados auspícios da liberdade espiritual, sem outro amparo que não fossem o devotamento abnegado dos iniciadores e a justa confiança no apoio efetivo do público bem orientado. Inaugura-se agora a Escola de Medicina, graças aos vossos esforços e dos vossos distintos confrades”.

“Eis, pois, em viçosa frutificação o alto e nítido ponto de vista da Constituição riograndense, no tocante à liberdade de ensino, intimamente ligada à liberdade das profissões, abolidos de todos os iníquos e anárquicos privilégios escolásticos nada pode satisfazer mais o meu ardor social do que esta vitória alcançada pela força persuasiva de princípios essencialmente republicanos, dos quais tenho sido obscuro propagador desde o início da doutrinação política que acelero o advento da Republicana Pátria Brasileira”.

{...} “O cometimento que empreendestes com os vossos dignos confrades, Sr. Diretor da Escola de Medicina e Farmácia merece o mais decidido e sistemático amparo público riograndense, que,

segundo creio, não o negará, como jamais recusou a as iniciativas generosas destinadas a promover o engrandecimento estável da nossa terra.

“Quanto a mim, tomo a liberdade de assegurar que não era mister invocardes o meu débil apoio moral, pois bem sabeis que nunca me esquivo ao serviço do Rio Grande do sul e da República pelos exíguos meios ao meu alcance”.

“Diminuto ou nulo é o valimento da minha cooperação individual. Todavia, a Escola de Medicina e Farmácia pode dispor do meu humilde concurso.

 “Saúde e fraternidade”.

 “Porto Alegre, 22 de agosto 1898”.

“Julio de Castilhos

 

Precedentes Societários e Congressuais relevantes

A partir da estruturação da Primeira Sociedade Médica e Cirúrgica, fundada em 1892, despontaram em nosso Estado a criação de outras entidades médicas associativas que, de acordo com relato deste autor, até a fundação da AMRIGS-21 de outubro de 1951, atingiram o número de 27 representações no Rio Grande do Sul, assim nominadas:

1-Sociedade de Medicina de Porto Alegre-Fundada em. 17 de maio de 1908 com 158 sócios.

2-Sociedade de Cirurgia do RS - Fundada em 1936

3-Sociedade de Pediatria e Puericultura do RS- Fundada em 25 de junho de 1936.

4-Sociedade de Higiene do RS- Fundada em

5-Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do RS –Fundada em 25 de março de 1947.

6-Sociedade de Oftalmologia e Otorrinolaringologia do RS- Fundada em

7-Sociedade de Anestesiologia do RS - Fundada em 13 de junho de 1950.

8-Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sífilis –Secção RS- Fundada em...

9-Sociedade de Neurologia e Psiquiatria do RS – Fundada em 28 de novembro de 1938.

10-Sociedade Brasileira de Cardiologia –Secção RS- Fundada em

11-Sociedade de Radiologia

12- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - Secção RS - Fundada em 26 de junho de 1939.

13- Sociedade Médica de Rio Grande-Fundada em 19 de junho de 1950.

14- Sociedade Médica de Santa Maria - Fundada em 30 de janeiro de 1931.

15- Sociedade Médica de Uruguaiana – Fundada em 23 de janeiro de 1930.

16- Sociedade Médica de Bagé - Fundada em 30 de julho de 1908.

17- Sociedade Médica de Caxias do Sul –Fundada em 31 de agosto de 1948.

18- Sociedade de Alto Taquari – Fundada em 3 de maio de 1947.

19- Sociedade de Medicina de Pelotas – Fundada em 7 de novembro de 1940.

20- Sociedade Médica de Santana de Livramento –Fundada em 20 e 23 de julho de 941.

21- Sociedade Médica de Alegrete –Fundada em1/9/1926 foi esta entidade precedida pela

Liga Médica do Alegrete criada em 25 de fevereiro de 1915.

22-Sociedade Médica de Cruz Alta e Municípios vizinhos

23 -Associação de Médicos e Odontólogos

24- Associação Riograndense de Tuberculose

25- Colégio Internacional de Cirurgiões –secção RS.

26 -Núcleo Médico de Santa Rosa

27- Sindicato Médico do RS - Fundado em 20 de maio de 1931.

Todas estas agremiações tinham fortes enlaces gregários e saudáveis estados financeiros, culturais - científicos. Entretanto, nenhuma delas possuía sede própria, mas realizavam suas reuniões em clubes e sociedades representativas citadinas locais. Em Porto Alegre, porém, estas entidades realizavam suas reuniões científicas na sede do Sindicato Médico, no Hospital de Beneficência Portuguesa, na Faculdade de Medicina ou na Santa Casa de Misericórdia.

As reuniões sociais eram realizadas no Clube do Comércio, no Bar São Jorge ou no Salão de Festas das Mil e Uma Noites, sendo que das mesmas participavam as esposas dos médicos costumavam acompanhá-los nas reuniões de suas associações.

Estas entidades - associações, colégios, núcleos e sindicato - isoladamente, quer da capital como do interior, realizavam jornadas, cursos e congressos que clamavam por uma União de Médicos, formal e atuante e passaram a agir como “fermento” de uma futura Associação Médica no Rio Grande do Sul.

Os colegas entenderam a filosofia de John Donne:

“Nenhum homem é uma ilha isolada”

Mas, estávamos ainda no princípio de tudo e o amanhecer estava longe... nos fazendo lembrar:

“Não faz mal que amanheça devagar

As flores não tem pressa, nem os frutos

Sabem que a vagareza dos minutos

Adoça mais o outono por chegar

Portanto, não impede que a luz

Vença lentamente e a noite em

Em seus últimos redutos do leste

O que nos cabe a ter enxutos

Os olhos e a intenção de

Madrugar”.

Mas “os mares nunca dantes navegados” apenas estavam começando a serem desbravados: todas estas entidades médicas organizaram-se na busca de soluções para os enfrentamentos históricos, filosóficos, políticos e sociais notáveis, já instalados, e outros mais, que eclodiam de maneiras inesperadas, inéditas, surpreendendo o universo como um todo e envolvendo nossa profissão por fatos e acontecimentos, que devem ser lembrados como desencadeantes da criação múltiplas das sociedades médicas e agregação das mesmas na fundação da AMRIGS como: Estatização Unilateral de Medicina, Revolução Industrial – O Capital e o Trabalho transformando médicos em proletários assalariados; socialização unilateral; comunismo; sindicalismo inoperante e pelego; Reforma Luis Barbosa; Coletividades; associação mutualistas ou de socorros mútuos; Lei Eloy Chaves e provavelmente e transformação dos Serviços Profissionais Liberais em contratos de trabalho.

Estatização da Profissão Médica - Sociedade, Estado e Direito à Saúde

É à medicina que se tem que pedir a solução dos problemas que mais interessam a grandeza e bem estar da Humanidade

Decartes

“É na saúde pública o fundamento em que repousa a felicidade dos povos e a pujança das nações”

 Disraeli

As origens mais remotas da estatização da medicina (assim definida como prestação de serviços profissionais espontâneos e/ou compulsórios, renumerados ou não pelo Estado), podem ser constatados desde os tempos da Civilização Egípcia, Grega e Romana, quando aqueles atuantes no tratamento dos males, considerados e/ou reconhecidos como curadores e/ou médicos, prestavam seus serviços profissionais as cortes, seus reis e imperadores.

Durante a evolução da Civilização Grega houve o surgimento do que se conheceu como:

“A polis palavra que referendada na Grécia Antiga, era compreendida como “cidade - Estado”, definida como uma unidade política peculiar que se auto governava, formada pela comunidade dos seus cidadãos, isto é, pelo conjunto de homens livres e iguais.Topograficamente, constituía-se de um núcleo urbano (composto pela acrópole - colina fortificada e centro religioso; asty – mercado; e ágora – praça central) e território rural adjacente. Nesta estrutura a ágora era a praça, lugar de encontro, momento por excelência em que o cidadão grego convivia com seus demais iguais e onde ocorriam as discussões políticas, os tribunais populares, assim como as manifestações que buscavam os direitos dos cidadão helênicos reivindicados diante do Estado.

Na Roma Imperial, talvez o exemplo mais significativo de prestação de serviço médico ao Estado, foi o de Galeno nascido em Pérgamo cerca do ano 130 da Era Cristã. Galeno que foi médico do Imperador Marco Aurélio, tendo sido nomeado médico da escola de gladiadores tinha a sua disposição um valioso campo de observação e oportunidade de aplicar seus conhecimentos no tratamento de ferimentos e de outros acidentes dos lutadores, fazendo, também, avaliação da influência de regimes alimentares e do exercício sobre a capacidade física dos atletas.

Nesta Roma dos Césares os médicos eram prestigiados e recebiam benefícios pelos seus serviços. Não seria isto, talvez, um modelo contratual daquilo que mais tarde seria identificado como estatização da medicina!

Na Espanha sob dominação Árabe, Averrois (Ibn Rushid),(1126-1198), de origem árabe,foi médico dos califas na cidade de Córdoba, na, mesma época em que Bem Maimom ou Maimonides (1135-1204) – de origem judaica, religioso e médico atuante - prestou, também, serviços ao califado de Córdoba

Na França Medieval, Ambroise Pare (1510-1590), tendo o título de Mestre barbeiro-cirurgião, por muitos considerado criador da cirurgia moderna prestou atendimentos de médico em várias campanhas militares e foi o primeiro cirurgião, servindo, uma pós outro, quatro reis da França: Henrique II, Francisco II, Carlos IX e Henrique III.

Na Europa, “Na Alemanha, no começo do século XVII, passou-se a produzir um conhecimento que tinha por objeto o próprio Estado, ou todo o conjunto dos procedimentos pelos quais o Estado extraiu e acumulou conhecimentos para melhor assegura seu funcionamento. O desempenho geral do aparelho político do Estado tornava-se um objeto fundamental, além dos recursos naturais da sociedade e do bem estar de sua população. Firmou-se, assim, o que passou se chamar de ciência do Estado.

A Alemanha, até o início do século XIX, foi um Estado fraco, ou seja, constituía-se como um conjunto de pequenas unidades, que tinham estruturas muito frágeis. Por este motivo, a preocupação teórica e prática com a noção de Estado se fez importante. Mais precisamente na Prússia – a mais forte das pequenas unidades – surgiu uma ciência política do Estado definida como:

A área do conhecimento que analisa os fenômenos que envolvem a estrutura, a manutenção ou a transformação do poder político. Envolve a compreensão dos agentes sociais e instituições envolvidas no processo de poder político.

Esta é uma das razões pelas quais, na Alemanha, se instituiu uma primeira medicina social, denominada por Michael Foucault, em O nascimento da medician social (1979) da medicina de Estado.

Um exemplo que nos daria uma boa resposta pode ser encontrado nos programas de melhoria da população propostos por Wogang Thomas Rau, Johan Peter Frank e Franz Anton Mai, denominados originalmente política médica. Daí surgiu a noção de polícia médica (Medizinichepolizei), criada em 1764 por Wolfgang Thomas Rau, e que consistia em estratégias fundamentais como:

1-     Um sistema de normatização (elaboração e adoção de normas), tanto da prática quanto do saber médico (controle da formação médica e da emissão dos diplomas). A medicina e o médico foram, então, os primeiros objetos da normalização na Alemanha. Ou seja: o médico foi o primeiro profissional normalizado na Alemanha; o primeiro profissional ter atribuições e definições oficiais, regulamentadas e controladas pelo Estado.

2-     Um sistema centralizado para o controle da atividade médica (banco de informações sobre os médicos e sobre tratamentos), oficializando, pela primeira vez no ocidente, a subordinação da prática médica a um poder administrativo estatal.

3-     “A criação de um efetivo médico estatal (dos médicos de distrito aos oficiais), constituindo o médico como funcionário do Estado e como administrador sanitário”.

{...} Enfim, analisando o exemplo do processo na Alemanha, vimos como, de maneira aparentemente contraditória, no início da medicina moderna, existiu uma situação de estatização levada ao máximo. Não existia uma medicina restrita à relação de mercado do médico com o doente. É importante observar que a cura das doenças não era, nesta medicina de Estado, um objeto , nem explicito, nem implícito.A noção de prevenção, ou de qualificação da força de trabalho, tampouco estava presente. A idéia central era de qualificação do corpo de cada indivíduo como membro constituinte do Estado. Daí importância em regular a formação dos médicos. Estes teriam “um ritual de formação: seleção, diplomas, controle da prática médica”. {...} (11)

Na Alemanha, a implantação de alguns direitos sociais, como educação e, principalmente saúde, no período bismarckiano, ocorreram sem que certas liberdades civis estivessem garantidas e, muito menos, as liberdades política. O período bismarckiano se refere ao predomínio político da figura de Oto Von Bismarck, chanceler da Prússia e principal artífice da unificação alemã, que se torna, após esse processo, primeiro ministro do novo império alemão, de 1871 a 1890. Estabelece neste período uma legislação avançada (seguro doença 1883; acidentes do trabalho -1884; seguro velhice -1899, com o objetivo de conter o avanço dos socialistas na Alemanha (Berstein & Milza, 1997).(12)

A Revolução Industrial - O Capital e o Trabalho

No Século XVII a Revolução Industrial surgida na Inglaterra (com o aperfeiçoamento da máquina a vapor por James Watt (1736-1819) da invenção do motor elétrico de Faraday, da mecanização do tear e o aparecimento das demais tecnologias), teve importância fundamental para o surgimento do capitalismo. A crescente concorrência que os empresários, fabricantes e comerciantes faziam entre si, buscando maiores produtividades, maiores lucros, começaram a enfatizar e prestigiar o desempenho das máquinas estas mais rendosas que a mão de obra dos operários, que passaram a ocupar menos espaços nas fábricas e indústrias, fazendo com que o investidor, o capitalista, tornarem-se donos de situações privilegiadas e tendo o poder de impor salários e exigir o que quisesse dos operários.

Neste momento surgiram duas novas classes sociais, a capitalista e a do proletariado, onde o capitalista era detentor das tecnologias e proprietário dos meios de proteção: (fábricas, indústrias, máquinas, matéria prima) e, por outro lado a classe proletária, que era apenas possuidor de sua força de trabalho.

O capitalista, identificado como empresário, era, na verdade, após a queda do regime feudal, o representante da classe burguesa que despontava e, tendo prestígios políticos, benefícios estatais e acesso ao a financiamentos bancários, faziam que seus investimentos rapidamente produzissem lucros, fortunas.

Proletariado era o termo que os antigos romanos usavam para designar o mais baixo nível de escala hierárquica de homens livres de sua sociedade - eram pessoas que nada ou pouco possuíam, a não ser uma grande quantidade de filhos (prole), daí a origem do nome proletariado. Não era um termo para designar trabalhadores, pois o trabalho era exercido por escravos.

A Revolução industrial gerou os operários ou proletários para exercerem seus trabalhos nas fábricas. Ao contrário dos escravos os operários eram homens livres. E deviam vender os seus trabalhos oferecidos ao empresário. As cidades a caminho da industrialização, construindo fábricas atraiam seres humanos advindos do campo, entre estes camponeses, expulsos pelos proprietários das terras em que trabalhavam. Os proprietários preferiram produzir matéria prima direto para as fábricas, usando uma menor quantidade de mão-de-obra. Uma segunda leva de trabalhadores era oriunda dos artesões livres que abandonaram seus trabalhos caseiros, livres que eram, contratados pela classe patronal, passaram a ser assalariados e “prisioneiros espontâneos das fábricas e indústrias urbanas”.

Os operários livres contratados pelas fábricas passam a ser proletários assalariados.

Nestas primeiras fábricas e indústrias as condições de trabalho eram simplesmente desumanas, pelo exercício de tarefas penosas, expostas a agentes geradores de insalubridade e periculosidade. As condições de higiene e de nutrição penalizavam o operário, levando-o a serem vítimas de doenças ocupacionais.

Diante destas circunstâncias o operariado, após seus trabalhos nas fábricas e indústrias, reunia-se à noite, nos bairros em que viviam confinados e iniciou a pensar em solidariedade, união de classe, defesa de interesses, melhoria das condições de trabalho e salários. Estas reuniões culminaram com a criação de associações denominadas de Sindicatos de Ofício.

Médicos transformados em Proletários Assalariados

Para atender o proletariado diga-se agora, a classe operária, no interior das fábricas e indústrias, o poder Governamental – Estatal, passaram a exigir que os empresários, proprietários de fábricas e indústrias, contratassem médicos. Assim sendo os empresários começaram a admitir médicos em suas empresas, impondo, porém, condições contratuais salariais semelhantes a dos proletários.

Não seria este fato a primeira sinalização da proletarização do médico e da medicina?

Em redor dos parques fabris e industriais se instalavam núcleos sub-urbanos mal programados, sem sanitarismo básico, sem qualquer tipo de assistência social, onde habitavam uma multidão de desempregados, vagabundos, indigentes, verdadeiros aglomerado humanos, em condições adversas de vida salutar, sem qualquer tipo de assistência social.

Os empresários consideravam que não era sua missão cuidar “dessa gente desafortunada que viviam em redor das fábricas”. “O Estado, nesses países industrializados, fica comprometido e obrigado a atender “essa gente” e adota a filosofia preconizada por Mirabeau:” Saúde é Direito de todos e Dever do Estado”, marcando e definindo assim, a estatização da medicina.

A Estatização da medicina teve em Honoré Gabriel Riquet De Mirabeau, o Conde de Mirabeau, um fanático defensor, nascido em Le Bignon, Gatinais, em 1749 e falecido em Paris em 791. Mirabeau foi um dos filósofos da Revolução Francesa. Depois da juventude tempestuosa, em que esteve diversas vezes preso devido a desordens, foi eleito, embora nobre, representante do Terceiro estado em 1798. Político e orador de prestígio, ídolo dos parisienses, Mirabeau, que contribuiu para colocar os bens do clero á disposição da nação, escondia por trás de seu Liberalismo, a ambição de tornar-se ministro salvador da Monarquia.Detestado, porém, pela rainha, entrou secretamente para o serviço do rei Luis XVI, passando a adotar duplo papel. Desconhecendo sua atuação como incentivador da contra-revolução, a Assembléia o elegeu presidente. Morto em 1791, prematuramente, foi enterrado no Pantheon, de onde foi retirado em 1792, quando vieram a público documentos reveladores de seu conluio com o rei.

Durante a revolução Francesa foram publicados “Os Direitos Humanos dos Cidadãos”

Figura 15 - Conde de Mirabeau.Detalhe de um retrato (c. 1790) por François Louis Lonsing.(Museu de Belas-Artes, Bordeaux)

Processos de Solidariedade Socialismo

“Eis que invencivelmente me persuade que o único meio de distribuir os bens a com igualdade e justiça, e de fazer felicidade do gênero humano, é a abolição da propriedade. Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável não terá por quinhão a miséria, os tormentos e os desesperos” (Morus, 1516, p.71).

O vocábulo socialismo é derivado da literatura francesa, socialisme, definindo como: “conjunto de doutrinas que se propõem promover o bem comum pela transformação da sociedade e das relações entre as classes sociais, mediante a alteração do regime de propriedade”.

Esta definição original de socialismo viria a ser complementada pelos novos enfoques sóciopolíticos, gerando o Socialismo Científico (similitudes identificadas com o Socialismo ideado por Marks e Engels), que se baseou no materialismo histórico propondo: a estatização dos meios de produção, o que implica a distribuição mais justa e eqüitativa da renda nacional e a eliminação do caráter antagônico das contradições entre as classes sociais, e, num estágio superior , a eliminação das próprias classes sociais

As origens teóricas (e/ou utópicas, até), do socialismo datam da época do Renascimento com Thomas Morus e mais tarde, na primeira metade do Século XIX, defendidas por Robert Owen. Fournier, Marx e Engels, sob outros enfoques socializantes e/ou comunizantes, sempre, porém, movimentos criados contra os status criados pela burguesia e capitalismo.

 Tomas Morus (1448-1535) pensador de origem inglesa, homem de estado, diplomata, escritor, humanista, canonizado como Santo da Igreja Católica em 1935, sendo um dos melhores representante das ideologias humanistas que surgiram na época do Renascentismo, foi o mentor das idéias identificadas, mais tarde, como as do socialismo (mesmo utópico que foi idealizada).

 Para Morus a sociedade ideal se assemelha à sociedade apresentada por Platão em “A República”, que segundo alguns críticos, foi pensando naquele modelo de vida que Morus publicou, m 1516, uma obra de ficção a “Utopia”, que se constituiu uma verdadeira crítica social, política e religiosa à sua época – a da Inglaterra dominada pelo rei Henrique VIII.

Na sua “Utopia”, Morus apresentou uma ilha imaginária onde todas vivem em harmonia trabalham em favor do bem comum. Desde então o termo utopia, esta associado à fantasia, sonho, fortuna e bem estar num país chamado de Ilha da Utopia onde “os habitantes de Utopia aplicam aqui o princípio da posse comum para abolir a idéia da propriedade individual e absoluta, trocam de casa, a cada dez anos e tiram a sorte de que lhes receber na partilha. (Morus, 1516, p. 81).

Robert Owen (1771- 1858) introduziu nas suas fábricas de têxteis de um novo relacionamento e/ou trato com seus operários, demonstrou ser possível obter lucro respeitando e promovendo a dignidade humana. No ano de 1827, os seguidores de Owen foram chamados pela primeira vez de socialistas.

“A primavera dos Povos” – O Comunismo

“No início de 1848, o eminente pensador político francês Alexis de Tocqueville tomou a tribuna na Câmara dos Deputados para expressar sentimentos que muitos que muitos europeus partilhavam: “Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não percebem que a terra trem mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está no horizonte”. Mais ou menos no mesmo tempo, dois exilados alemães, Karl Marx com trinta anos e Friedrich Engels com vinte e oito, divulgavam os princípios da revolução proletária no programa que ambos tinham traçado algumas semanas antes para a Liga Comunista Alemã. Este programa tinha sido publicado anonimamente em Londres, por volta de fevereiro de 1848, sob o título de Manifesto do Partido Comunista baseado na luta de classes estimuladora da evolução social e econômica, tendo como dogma a frase : “Proletários do mundo uni-vos”.

Em poucas semanas, ou no caso do Manifesto, em poucas horas, as esperanças e temores dos profetas pareceram estar na iminência da realização. “A monarquia tinha sido derrubada por uma insurreição, a república proclamada e a revolução européia tinha iniciado”

O comunismo, cujas origens antecedem as obras de Karl Mark e Engels, é normalmente considerado como uma parte do mais amplo dos movimentos socialistas, surgidos na Renascença, com as ideações utópicas de Thomas Morus (Ver relato anterior).

Mark e Engels e suas teorias sócio-comunistas preconizavam, entre outras medidas:

a) Abolição das classes sociais e tomada da propriedade privada., de suas fábricas, indústrias etc.

b) Recomendação de trabalhos, de qualquer natureza e/ou especificado a todos, homem, mulher.

c) Suprir todas as pessoas de suas necessidades básicas: alimento, habitação, saúde, educação etc.

d) “Dominação dos meios de produção e de todos seus processos de comercialização, distribuição e consumo”. (13)

Mas, apesar destas premissas sócio-econômicas-comunitárias de igualdade, o comunismo, principalmente sua formulação Marxista-Leninista-Stalinista, foi uma experiência de frustrações e desilusões na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, na China de Mao-Tse-Tsung, na Coréia do Norte de Kim Yong II, no Vietnã do Norte de Nguyen Tan Dung, na Cuba de Fidel Castro, onde os processos de extinção destes regimes estão em fragrante evolução.

Estas frustrações e desilusões dos regimes socialistas-comunistas-ditatoriais eclodiram quando o povo despertou para o fato de estarem envolvidos por organizações ditatoriais, draconianas, vilipendiosas, constrangedoras, pela prática detetivesca de vigilância dos cidadãos e do exercício impositivo da limitação das liberdades individuais, numa fragrante e ostensiva violação dos Direitos Humanos. Pelo que se vê, faltou no contexto das obras de Marx e Engels e seus seguidores, a filosofia daquilo que o povo de Roma reclamava nos últimos anos da Repúblia Imperial –“ Pão e Circo” (“Pamem e circenses”).

Na verdade o que o povo deseja - após todos os desencantos e frustações vivenciadas pelo socialismo, do comunismo, do capitalismo selvagem e, mais recentemente do neoliberalismo - é um regime que promova: Pão, circo e liberdade.

Movimentos Sindicalistas

O sindicalismo tem as suas origens nas corporações de ofício na Europa medieval, e pode ser definido como movimento social de associação de trabalhadores assalariados para proteção dos seus interesses, sendo, ao mesmo tempo, uma doutrina política segundo a qual os trabalhadores conduzidos pelas suas lideranças, norteados pelas suas filosofias, devem ter uma performance ativa na condução de seu bem estar sócio-ocupacional em que atuam.

No século XVIII, a partir das modificações sócio-econômicas e políticas gerenciadas pela Revolução Industrial - a ameaça das máquinas substituindo operários, tecnologias facilitando os trabalhos e limitando a ação da mão- de- obra humana, as limitações salariais e do exercício adverso dos trabalhos insalutíferos e penosos - os campesinos e artesões integrantes do proletariado, agora transformados em operários de fábricas e indústrias descontentes com tais adversidades, perceberam da necessidade de se associarem, para juntos, agregados, organizarem-se entorno de um mesmo motivo buscar soluções com conversações com a classe empresarial, diga-se patronal, e suas extensões capitalistas.

Diante destas circunstâncias o operariado, após seus trabalhos nas fábricas e indústrias, reunia-se à noite, nos bairros em que viviam confinados e iniciou a pensar em solidariedade, união de classe, defesa de interesses, melhoria das condições de trabalho e de salários. Estas reuniões culminaram com a criação de associações denominadas de Sindicatos de Ofícios. Estas entidades representativas começaram a pressionar os donos das empresas para alcançar os objetivos preconizados resumidos em melhores condições de trabalho e salariais.

A classe empresarial e logo a burguesia, protegidas pelo Governo, instituiu Leis Anti-Sindicais, a fim de preservarem seus interesses e investimentos particulares.

 Durante a Revolução Francesa surgiram idéias liberais, que foram a favor da aprovação de leis proibitivas da atividade sindical, a exemplo da lei Chapelier, que, em nome da liberdade dos Direitos do Homem, considerou ilegais as associações de trabalhadores e patrões.

Diante disto os sindicatos tiveram que operar clandestinamente no último quartel do Século XIX, época de maior influência e poder da burguesia.

 Porém estas as organizações reergueram-se e desenvolveram-se clandestinamente na Europa no Século XIX e tinham como propósito: a extinção da propriedade privada dos meios de produção. Os sindicatos consideravam o Estado como opressivo e entendiam que os meios de produção deveriam passar diretamente para a propriedade e controle dos trabalhadores que atuariam através de organizações criadas por eles mesmos: os sindicatos. Nos Estados Unidos, o sindicalismo nasceu entorno de 1827, e, em 1886, foi criada Federação Americana do Trabalho (AFL), contrária à reforma ou mudança da sociedade e que defendia o sindicalismo de resultado, desvinculada das correntes doutrinárias e políticas. No Reino Unido, em 1871, e na França, 1884, as associações definidas como sindicatos, foram reconhecidas legalmente.

A partir do início XX os sindicatos tornaram-se livres com a presença ativa dos trabalhadores na oscilante vida política nos países Europeus. Na medida em que os movimentos sindicais ganhavam espaço nas esferas político-sociais, econômicas e industriais, com o surgimento do socialismo e depois da eclosão do comunismo, os sindicalistas buscaram soluções extremas como a de se oporem a dialogar, advogando a jurisprudência da “Ação Direta”, isto o do exercício de greves, piquetes e em particular da Greve Geral, medida paralisante de ação global dentro de uma sociedade.

O principal teórico do sindicalismo foi George Sorel, autor de “Reflexões Sobre a Violência”, em 1908. Aparentemente, as idéias de Subiu teriam influenciado o ditador Benito Mussolini – O Duce - e seu Estado Corporativo. Na Itália fascista os sindicatos careciam de qualquer autonomia, tendo-se formado, na verdade corporações que englobavam tanto empregados como empregadores, sob o controle da burocracia estatal.

1915 - Criação da Liga Médica de Alegrete

“No alvorecer do Século XX, quando pouco se pensava em associar os médicos no Estado, em Alegrete, a 25 de fevereiro de 1915, pela sensibilidade dos médicos Dr. Alpheu Bicca de Medeiros, Dr. Alexandre da Silva Lisboa, Dr. Juvenal Saldanha, Dr. Severino Sá Britto, Dr. João Cardoso de Menezes e o Dr. Sylla Teixeira da Silva (por procuração) criaram a Liga Médica, que recebeu adesões dos médicos de Porto Alegre, Bagé, Rosário do Sul, Santa Vitória do Palmar e Santa Maria. Neste momento, os médicos alegretenses fizeram determinadas exigências para que os profissionais pudessem exercer o seu trabalho de uma maneira mais justa, pois o número de curiosos era muito grande.

A Liga Médica nasceu no laboratório de Exames da Farmácia Popular, instalada na Praça General Osório, de propriedade do Sr. Péricles da Silveira e foi a primeira entidade que congraçou todos os médicos em torno de uma idéia profissional, que visava, sobretudo, a zelar pela integridade moral e científica da profissão médica, combatendo os excessos da liberdade profissional”. (14)

1915- O Primeiro Congresso Médico Riograndense

No mesmo ano da fundação da Liga Médica de Alegrete, em 1915, esta entidade, convidou a Sociedade de Medicina de Porto Alegre para organizarem entre 12 –20 de outubro de 1915, aquele que seria o Primeiro Congresso Médico-Riograndense. Entre os múltiplos temas oficiais foi incluído o da liberdade profissional, tendo sido programados relatores dois campos opostos, isto é, favoráveis e contrários. O destaque deste Congresso seria apresentação do “Relatório sobre a Liberdade Profissional no Rio Grande do Sul”, de autoria do Dr. Alfeu Bica de Medeiros, cuja temática não vinha de encontro aos interesses do Governo Estadual, que de início tinha dado apoio ao Congresso, inviabilizou o evento proibindo a inscrição de médicos funcionários públicos. Diante destes fatos a Comissão Organizadora desistiu de realizar o Congresso, mas o relatório do Dr. Alfeu Bica de Medeiros foi publicado através da Editora Globo em 1916, do qual reproduzimos os seguintes textos.

“A liberdade profissional sem restrições só é compatível com um elevado grau de cultura intelectual”, pg. 2

“Nas nações mais cultas do velho e novo continentes vigora a regulamentação no exercício das profissões liberaes”, pg.6

“Como poderá ser resolvido efficientemente o problema da assistência publica, quando impera a maior licenciosidade no exercício da medicina e da pharmacia?”

“Conceber-se-á a defesa da saúde publica, entregando a vida do povo ao sabor dos aventureiros, curandeiros, analphabetos etc.”

“Referindo-se ao exercício da medicina na Inglaterra assim se exprime Nina Rodrigues:

“É, pois, admirável como se acha regulado o exercício da medicina na Inglaterra, onde as utopias liberalistas mais extravagantes não constituem, como em tantas outras partes, os maiores inimigos da verdadeira liberdade”, pg. 7

Alfeu Bica de Medeiros nasceu na cidade do Alegrete, RS, em 10 de outubro de 1880 e faleceu em Porto Alegre em 7 de julho de 1961. F: João Pedro de Medeiros e Joaquina Bica de Medeiros. Médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, especializou-se em cirurgia, ginecologia e urologia. Médico militar tendo chegado ao posto de coronel. Chefe de Clínica da Santa Casa de Porto Alegre. Catedrático da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

Embora ligado à Faculdade caracterizou seu ensino de cirurgia como atividade extracurricular e sedutora, de aprendizado diário, independente da estrutura universitária. Fez da 10ª Enfermaria da Santa Casa um grande centro formador de cirurgiões. E não era avesso a influências externas, como bem demonstrou o relacionamento da 10ª Enfermaria com os irmãos Paulino, do Rio de Janeiro. Coube aos seus discípulos Fernando Pombo Dornelles e Telmo Kruse manter acesa uma tradição de atendimento e ensino excelentes.

O Dr. Alfeu bica de Medeiros é patrono da 1ª Cadeira da Academia Sul Riograndense de Medicina, esta cadeira tem como titular o Dr. Fernando Pombo Dornelles, um dos fundadores da Academia e seu primeiro presidente.

Cientistas brasileiros

Figura 16 - Dr. Alfeu Bica de Medeiros Diretor da 10ª seção do H.S.C. de Misericórdia

1921- A Reforma Luis Barbosa

Assuntos: Criação do complexo pronto-socorro-dispensário no sistema filantrópico liberal. Ameaças à sobrevivência profissional por abalo no estabelecer o custo da consulta médica. Primórdio do assalariamento médico no Brasil.

A Reforma Luis Barbosa foi criada em 1921 {...} Ela introduziu o complexo pronto-socorro-dispensário integrado ao sistema filantrópico liberal. Assim, o Estado elegia a urgência como prioridade da assistência médica municipal e se esforçava por afirmar a medicina científica/oficial frente ao exercício da profissão médica reconhecida por cursos e diplomações de Faculdades e/ou de Universidades, assim como a prática particular da profissão médica. Alguns de seus postulados foram propostos pela Fundação Rockfeller. Ela pregava o combate à doença como pré-requisito para o desenvolvimento econômico, a associação do tratamento preventivo com o curativo e centralização dos serviços. A higiene deveria ser uma atribuição federal. A organização dos serviços de saúde, na gestão Luis Barbosa, comportava três níveis de atendimento: As “casas de saúde” – para abastados; os “serviços de urgência”- gratuito para os indigentes; e o “atendimento geral”- para funcionários do Estado. Com a “Doutrina Pronto-Socorrista” de Luis Barbosa, o Estado expande seu atendimento médico, mas não rompe com o modelo filantrópico-liberal, pois resguardava sua hegemonia no mercado de serviços de saúde (Gadelha, 1982).

O debate sobre a questão do mercado de trabalho estava organizado em torno de sua restrição ou ampliação. Para alguns médicos, o assalariamento era visto como uma ameaça à sobrevivência da profissão, pois comprometia a liberdade profissional em estabelecer o valor de sua consulta. Além disso, os estabelecimentos públicos de assistência médica eram vistos como agentes captadores de uma clientela que tinha poder aquisitivo suficiente para ser atendida no consultório particular. O mercado de trabalho parecia se restringir. Para outros, a entrada do estado na organização de uma rede de assistência médica promovia a ampliação do mercado de trabalho, já que oferecia seus serviços a uma clientela não alcançada pelo sistema liberal. Além disso, esta introdução representava uma renda fixa que o médico passaria a ter. O debate estava claramente instaurado e o mercado de trabalho começava a se modificar, no início deste século, de forma significativa.

Como acabamos de observar, o conhecimento e o mercado de trabalho médico estavam, no início deste século, passando por um processo de transformação. “Um dos objetivos deste artigo é identificar como os médicos, reunidos no “Congresso Nacional dos Práticos” (1922) reagiram a este conjunto de modificações”.(15)

1922 - Congresso Nacional dos Práticos.

“Em uma época em que os adversários da profissão são as coletividades (grifo nosso), faz-se mister que o sindicato que se organiza contra elas sinta-se forte,coeso, capaz de agir e vencer”

Dr. Silva Araújo (Actas, 1923: 18).

Sumário:

Constituição de Sindicato Médico como prioridade fundamental

Regulamentação da Profissão Médica no Brasil e combate a Liberdade Profissional no RS.

Criação de comitê para denuncias dos indignos e indesejáveis “profissionais estrangeiros”.

Luta contra o curandeirismo e charlatanismo profissional.

Debater a Socialização Estatal da profissão médica e seu contrato por salários exíguos.

O “Congresso Nacional dos Práticos” (1922) instalou-se exatamente um ano depois  da Reforma Luis Barbosa e um ano antes da promulgação da Lei Eloy Chaves .

{...} O “Congresso Nacional dos Práticos”, realizado no Rio de Janeiro de 30 de setembro a 8 de outubro de 1922, foi um fórum onde as questões relacionadas com a reordenação do trabalho médico foram debatidas...Seu orador oficial, Oscar Silva, distinguiu este congresso dos anteriores, afirmando que nele não seriam discutidos os “grandes problemas médicos e as questões controversas da ciência”, mas sim a “crise” (grifo nosso) muito séria e com tendência a se agravar cada vez mais “por que passavam os médicos (Actas, 1923:17).

Uma breve comparação entre os anais do congressos médicos promovidos pela Academia Nacional de Medicina e pela Sociedade de Medicina e Cirurgia no fim do século XIX e início do século XX, com este realizado em 1922, leva-nos a concordar com a primeira parte das considerações feitas pelo Dr. Silva Araújo.

O mesmo orador apontou a causa e a solução para a denominada crise que entendia estar ocorrendo na profissão médica, afirmando “Em uma época em que os adversários da profissão são as coletividades (grifo nosso), faz-se mister que o sindicato que se organiza contra elas sinta-se forte, coeso, capaz de agir e vencer” (Actas, 1923:18). A classificação das “coletividades” que reivindicam um sistema de assistência médica como “adversários da profissão (médica)” evidencia a pouca ou nenhuma aceitação dessa ação coletiva pelo orador.

O termo coletividades refere-se, neste caso, às organizações mutualistas e filantrópicas da sociedade civil que se multiplicaram no início do século no Brasil.

Não se trata da medicina estatal, expressa inicialmente com a implementação das “Caixas de Aposentadoria e Pensão (CPAS), que passaram a se constituir com a promulgação da lei Eloy Chaves (1923)”.

As organizações mutualistas (hoje com nomes e razões sociais diferentes), eram e continuam a serem, entidades e/ou companhias de seguros ou de socorros mútuos, intermediadoras de prestação de serviços à clientela que, sob contratos, são atendidas por mão de obra profissional, no presente caso, de médicos ressarcidos por salários e/ou renumerações impostas pelas contratantes.

{...} As associações mutualistas eram extremamente diversificadas em sua composição, motivação, temporabilidade, clientela e objetivos. As primeiras associações brasileiras datam da primeira metade do século XIX e, embora algumas continuem funcionando até hoje, foram progressivamente esvaziando-se ao longo das décadas de 1930 e 1940.A maioria tinha como objetivo principal disponibilizar para os associados a proteção na ausência de mecanismos formais de previdência pública. Ofereciam pensões, indenizações, financiamentos externos, forneciam remédios, atendimento hospitalar, entre outros cuidados. O grau de cobertura dependia, naturalmente, dos recursos disponíveis pela associação, que estavam diretamente relacionados ao número e ao poder aquisitivo dos sócios.

{...} O tempo de vida de uma mutual era variável. Algumas eram criadas e quase imediatamente depois extintas. Pode-se dizer que duravam em média cerca de 20 anos, havendo casos excepcionais de associações longevas que permanecem funcionando até hoje. De modo geral, pode-se afirmar que o principal fator responsável pela extinção das mutuais precoce ou não residia na incapacidade técnica das lideranças em calcular os riscos que envolviam a manutenção da associação, resultando na inadimplência dos sócios e na falência generalizada. Por outro lado, na medida em que a principal função das sociedades de ajuda mútua era conferir socorro na ausência de proteção estatal, assim que a proteção foi instituída pelo Estado a tendência do esvaziamento inevitavelmente cresceu.

As primeiras Organizações Mutualistas, também conhecidas como de Socorros Mútuos, eram na verdade conhecidas como Associações Beneficentes como as que surgiram com as denominações de: Sociedade Brasileira de Beneficência (1861), Sociedade Beneficente Bons Amigos da União do Bom Fim (1861), Sociedade Beneficente Riograndense (1862) Associação Popular de Socorros Mútuos (1868), Sociedade Médica do Rio de Janeiro etc.

 Por sua vez entidades ditas filantrópicas lembram “prestação de beneficência, benefício, esmola e/ou amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus”, como definem os dicionários, utilizam de prestação de exercício profissional ou não, sem ressarcimentos, salários e/ou outras obrigações sociais ao executor dos procedimentos.

{...} No “Congresso Nacional de Práticos” (1922), existiam aqueles que consideravam positivo o incremento de instituições prestadoras de assistência médica. Entre eles, destaca-se o Dr. Neves da Rocha. No seu entender, “o prodigioso desenvolvimento das cooperativas das associações de títulos diversos de empregados e de funcionários tem forçado os médicos aceitar, em lugar de honorários pagos por visita,por consulta ou por trabalho feito, honorários pagos por contrato, fixos, para equilibra a sua receita. (Actas, 1923: 492). O Dr. Felício Torres corrobora esta opinião. Afirmando que” a socialização tem pelo menos a vantagem de proporcionar trabalho a um número enorme de médicos “(Actas, 1923: 152). A ampliação do mercado de trabalho e a garantia de uma renda fixa para o médico eram vistos como argumentos suficientes a para a defesa da presença destas instituições.

Havia, por outro lado, os que condenavam o avanço das instituições prestadoras de serviços de assistência às coletividades. Segundo um deles, estes serviços, “desprestigiavam, hostilizavam e criavam embaraços aos médicos, comprimindo sua ação e restringindo seu campo de atividade” (Actas, 1923: 80). {...} Para o Dr. Bastos Tavares, a alteração do perfil do mercado de trabalho era considerado um elemento que restringia o campo de ação do médico profissional liberal na medida em que atendia a “indivíduos abastados, ricos mesmos, que fugiam da clínica particular para esses estabelecimentos. Actas, 1923: 73).

{...} No nosso entendimento, a visão exposta pelo Dr. Eduardo Meirelles resume o conjunto de críticas que estavam sendo feitas naquela oportunidade. Em sua opinião, “estas associações prejudicam os médicos na sua reputação - não examinando o doente, não sabendo ao certo o que ele sofre; na sua educação profissional - levando só em conta anammeses ligeiras, abandonando os métodos propedêuticos; na sua moral – já que a conduta não esta de acordo com os princípios da boa ciência; na sua ética – pois cientes de seus defeitos são condescendentes com o seu silêncio; no seu amor próprio – recebendo exíguo vencimento e receitando muito” (Actas, 1923: 169).Assim a burocracia organizacional era vista como um fator que impedia que o médico tivesse autonomia suficiente para o pleno exercício profissional. No interior desta estrutura institucional o atendimento deveria ser feito rapidamente. Isto se justifica na medida em que a atividade não era determinada pelo médico e sim por um terceiro elemento. Esta sobre determinação era visa como um fator que tolhia o espaço de ação do médico limitando sua atividade fazendo com que ele não conseguisse atuar de forma plena. O pagamento, considerado irrisório era outro fator que, nas palavras do Dr. Meirelles “lesava a independência do médico”. (Actas, 1923: 170).

Neste mesmo Congresso Nacional dos Práticos o relator Felício Torres, por sua vez, não só defendeu a constituição de um sindicato médico, como também propôs que esta organização adotasse “as resoluções do atual congresso no que se refere aos diplomas dos estrangeiros, à limitação das matrículas, à luta contra o curandeirismo, contra o charlatanismo profissional, instituindo, por exemplo, um comitê para as denúncias dos indignos e indesejáveis” (Actas, 1923: 157).

 Como podemos observar, a agenda das lutas que a associação profissional médica deveria empreender diferia em muito daquela que estava sendo implementada por seus contemporâneos anarquistas ou comunistas. Além disso, a organização dos interesses profissionais dos médicos envolvidos em questões relacionadas com o domínio do conhecimento e com o monopólio do mercado de serviços de assistência médica que entendiam estar abalado.

 Fernando Magalhães apresentou, ao encerrar o evento, “as bases para a organização da futura associação”. Esta associação deveria “pugnar pela garantia do exercício clínico digno e próspero. Segundo consta dos Anais do Congresso, “esta proposta foi recebida com entusiásticos aplausos e geral provação do Congresso. (Actas, 1923: 618).

 Reunindo boa parte da elite médica, o “Congresso Nacional de Práticos” (1922) nos parece ser uma fonte apropriada para a compreensão mais precisa do debate que estava sendo travado, no seio da categoria médica, a respeito das alterações que sua base cognitiva a que seu mercado de trabalho estavam sofrendo com a eminente entrada do Estado na gestão dos servidores da assistência médica. A profissão médica passava, então, por um processo de reestruturação. Uma das estratégias encetadas por parte da elite profissional, resistente à ação das coletividades, manifestou-se com a criação do “Sindicalismo Médico Brasileiro”, cinco anos mais tarde. (Pereira & Maio, 1992).

1923- A Lei Eloy Chaves

Assunto: Criação da Previdência Social

Em 1923, é criada a primeira entidade da Previdência Social, no Brasil, com a “Lei Eloy Chaves” (na verdade, o Decreto n ° de 24 de/janeiro/1923- publicado no DOU de 28/jan/23) denominada de “Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários”. Esta instituição manteve-se única por muitos anos, sendo seu objetivo, a proteção previdenciária aos trabalhadores, mais tarde ampliada com a criação com a criação do Departamento de Previdência Social, a partir de 1931, no Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. A partir desta data toma corpo a extensão de proteção previdenciária à demais categorias profissionais , surgindo, então, várias instituições previdenciárias como em :

1931- CAPS - Caixa de Aposentadoria e Pensões.

1933- IAPM - Instituto de Aposentadoria Pensões dos Marítimos.

1934- IAPC - Instituto de Aposentadoria de Pensões dos Comerciários.

1936- IAPI- Instituto de Aposentadoria dos Industriários.

1938- IAPETC – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes de Carga.

1941 – IPASE – Instituto de Pensões e Assistência aos Servidores do Estado.

1953- CAFESP- Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviário e de Empresas de Serviço Público.

1960- IAPFESP –Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos.

1926 - IX Congresso Medico Brasileiro

Sumário: Questionamentos sobre a liberdade profissional

Realizado em 21 de junho de 1926 pela Sociedade de Medicina de Porto Alegre sua comissão organizadora era constituída pelos médicos: Dr. Protásio Alves, presidente: Dr. José Luiz Tavarez Flores Soares, vice-presidente; Dr. Sarmento Leite, tesoureiro; Dr. Ulysses Pereira de Nonohay, orador e o Dr. Renato Barbosa, secretário geral. Participaram deste conclave grandes figuras da medicina brasileira como Miguel Couto, Fernando de Magalhães, Rocha Vaz e Afrânio Peixoto.

No IX Congresso Médico Brasileiro destacou-se a figura do médico Dr. Francisco Simões Lopes que apresentou a notável tese sua sobre a liberdade profissional na qual sustentava que o governo do Estado do Rio Grande do Sul restringisse a amplitude da licença aos candidatos à arte de curar, submetendo-os a um exame perante professores da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

Mas por ocasião em que o Dr. Francisco Simões Lopes realizava a apresentação de sua tese “A Lei das Liberdades do Exercício Profissional no Rio Grande do Sul”, foi emitida uma ordem de suspensão da mesma (?).

O esclarecimento deste fato tem como fonte de informação o relato do Prof. Martins Gomes, Catedrático de Clínica Ginecológica da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, registrado no “Pantheon” pg. N° 28 mostra claramente a intervenção do Estado no IX Congresso Médico Brasileiro. Estava o Dr. Francisco Simões Lopes, tentando terminar a sua defesa de tese, contra a Lei das Liberdades do Exercício Profissional no Rio Grande do Sul, quando comissários autorizados pelo Governo estadual do Presidente Antônio Augusto Borges de Medeiros suspenderam os trabalhos sobre o tema:

“Capangas armados do governo invadiram o plenário e houve reação dos estudantes.

O Prof. Fernando Magalhães que viera do Rio de Janeiro e era Presidente da Sessão de Medicina Social do congresso, solicitou aos estudantes que se retirassem do Salão Nobre. Houve, então, novos protestos. “Os estudantes, se retiraram, como também o Dr. Francisco Simões Lopes, que é carregado nos ombros pelos alunos”. (16)

Diante destes fatos o presidente do Congresso, Dr. Miguel Couto suspendeu os trabalhos com as temáticas da liberdade profissional com um entendimento firmado entre Protásio Alves e Fernando de Magalhães pelo qual a proposta do Dr. Francisco Simões seria levada ao estudo de associações científicas do país.

Este Congresso, independente de seu sucesso científico conquistado, a partir da abertura da temática liberdade do exercício profissional, criou-se uma atmosfera adversa onde eclodiram conflitos de ordem filosófica, política e legislativa. Os resultados destes confrontos e debates foram desanimadores para a classe médica, já que se estava repetindo o mesmo clima de constrangimento, surgido no Primeiro Congresso Médico Riograndense, não acontecido entre 12 –20 de outubro de 1916, na cidade de Alegrete.

Da tese, do Dr. Francisco Simões Lopes, extraímos os seguintes textos elucidativos:

 “Onde, e em que carta política, se registra com aquiescência do Estado, a pratica de leis com a liberalidade, elasticidade e sem limites, da autorizada entre nós; e que comunhão ou país atingiu a perfectibilidade intelectual, em condições de dispensar a guarda do Estado na defesa dos interesses íntimos?

Nos povos que formam o estalão da cultura universal, em nenhum deles, se enxertou ou frutificou essa teoria original da emancipação absoluta das profissões, embora colorida com a responsabilidade de cada um, pelos atos que prática, flagrante mistificação da função social do Estado, cujo dever é mais de prevenir do que punir.

O que se encontra em toda a parte, em todos os povos cultos, é o exercício profissional, sobretudo o da medicina, severamente resguardado e fiscalizado pelo poder publico, submetidos os seus infratores ao rigor das penalidades. Na Inglaterra a austeridade para com o desempenho da profissão medica superpõe-se às exigências estabelecidas para com outras profissões: “o exercício da medicina não é regulamentado somente, acha-se ao mesmo tempo cercado do mais alto prestigio oficial, sem quebra do profundo respeito que à liberdade vota o povo inglês.”. (17)

Todos estes confrontos e conflitos surgidos durante o inviabilizado Primeiro Congresso Médico Riograndense, que seria realizado em 1915 em Alegrete, quando despontou a inédita e corajosa tese questionando a Liberdade do Exercício Profissional, de autoria do Dr. Alfeu Bicca de Medeiros, revivida esta temática no IX Congresso Médico Brasileiro, pelo Dr. Francisco Simões Lopes, viriam a ter soluções a partir do Decreto nº 20.931, datado de 11 de janeiro de 1932, assinada pelo então Presidente da Republica. Dr. Getúlio Vargas, que tinha o seguinte teor:

 “Regula e fiscaliza o exercício da medicina, da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico, parteira e enfermeira, no Brasil, e estabelece penas.

In-Diário Oficial – Sexta –feira, 5 de janeiro de 1932. N. 12- Capital Federal – Pgs. 885 a 887.

O Chefe do Governo provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, de conformidade com a art. 1º do decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, decreta:

Art. 1º O exercício da medicina da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico, parteira e enfermeira, fica sujeito à fiscalização na forma deste decreto.

Art. 2º Só é permitido o exercício das profissões enumeradas no art. 1º, em qualquer ponto do território nacional, a quem se achar habilitado nelas de acordo com as leis federais e tiver título registrado na forma art. 1º deste decreto.

Art. 3 Os optometrista, práticos de farmácia, massagistas e duchistas estão também sujeitos à fiscalização, só podendo exercer a profissão respectiva se provarem a sua habilitação a juízo de autoridade.

Art. 4º Os graduados por escolas ou universidades estrangeiras só podem exercer a profissão, após submeterem-se a exame de habilitação, perante as faculdades brasileiras, de acordo com as leis federais em vigor.

 O Dr. Francisco Simões Lopes, nasceu na cidade em 29 de maio de 1875, fez os estudos primários em sua cidade natal, realizando os secundários em São Paulo, onde concluiu os último preparatórios no Curso anexo de da Faculdade de Direito.Fez curso acadêmico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, pela qual se doutorou a 4 de janeiro de 1899, tendo defendido tese sobre “Formas Clinicas de Tuberculose Pulmonar”, aprovada com distinção. Especializou-se em Clínica Médica, tendo feito uma viagem de estudos à Europa, em 1901. Freqüentou nesta oportunidade o Curso do Prof. Longevin, da Clínica do Prof. Hayen, no Hospital Saint Antoine, de Paris.

Desempenhou funções de médico do Hospital da santa Casa de Misericórdia de Pelotas, cirurgião chefe da Beneficência Portuguesa.

Figura 17 - Dr. Martin Gomes

 

Presidentes honorários do IX Congresso Médico Sul-Riograndense

Figura 18 - Prof. Heitor Annes Dias Presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre Foto: Acervo fotográfico da UFRGS

Figura 19 - Prof. Sarmento Leite Diretor da Fac. de Medicina de Porto Alegre

 

Figura 20 - Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros Presidente do Estado do Rio Grande do Sul Foto: Acervo fotográfico da UFRGS

 

Figura 21 - Dr. Arthur da Silva Bernardes Presidente da República do Brasil Foto: Acervo fotográfico da UFRGS

Figura 22 -Dr. Renato Barbosa Secretário-Geral do IX Congresso Médico Brasileiro

 

 

 

 

 

 

 

Comissão Organizadora do IX Congresso Médico Sul-Rio Grandense

Figura 23 -Dr. Miguel Couto Diplomado pela Academia Imperial de Medicina Clínico Geral, titular de três categorias da Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul, foi político influente na sua época.

Figura 24 – Dr. José Soares

 

Figura 25 -Dr. Protásio Antonio Alves

Figura 26 - Dr. Ulysses de Nonohay

Figura 27 - Prof. Fernando de Magalhães Presidente da Sessão de Medicina Social

1928 - Realização do 1° Congresso Municipal de Saude Pública, Medicina Social e Hospitaes, em Abril de 1928, na cidade de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul.

Sumário: Primeira manifestação de criação de um Sindicato Médico no Rio Grande do Sul segundo tese do Dr. Raul Bittencourt

A classe médica riograndense não será um valor nitidamente definido, enquanto não estiver organizada. E a forma moderna de organização de classe é o syndicato”.

A syndicalização é, na actualidde, o processo normal da organização da solidariedade dentro das classes. A solidariedade dentro de cada classe é o fundamento essencial para o ideal de solidariedade humana

Citações do Dr. Raul Bittencourt, em artigo publicado nos Arquivos Riograndenses de Medicina durante Congresso Médico realizado em abril de 1928, na cidade de Porto Alegre.

 

Durante a realização do 1° Congresso Municipal de Saúde Pública, Medicina Social e Hospitais, realizado em abril de 1928, em Porto Alegre, foi que surgiu a primeira manifestação oficial, documentada, sugerindo a criação de um Sindicato Médico no Rio Grande do Sul, ocasião em que Dr. Raul Bittencourt, Docente –Livre de Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, que assim apresentou sua tese:{...} Esclarecendo de que os movimentos de solidariedade são a razão de concentrar todos os interesses de uma classe em um só núcleo, e, que a mesma, é a maior ambição do homens na busca da felicidade, dependendo seu êxito, de um processo adaptativo que não se cumpre de imediato, mas por etapas sucessivas, penosamente conquistadas. A solidariedade se manifesta sob forma e/ou maneira de agregar os que se assemelham, pelo exercício de um mesma profissão, e que buscam preservar seus interesses societários, agora alicerçados pelo coleguismo e pela cooperação existentes entre os participantes destes conluios.

O Prof. Raul Bittencourt prossegue seu relato dizendo sobre:

{...} A solidariedade dentro das classes é o pivot da solidariedade humana, o mordente indispensável á cooperação social, o leito adequado á correnteza dos povos que evolvem.

E é por isso que, no universal rejuvenescimento de nossa era, assiste-se de todos os lados ao movimento espantoso de organização de classes, em todas as nações, sob diversos critérios, em direções diferentes, mas sempre de maneira crescente e universal

Por toda a parte irrompem as associações e ligas comerciais, indústrias, técnico-profissionais, operárias e intelectuais. Estas corporações têm, às vezes, uma ordem vastíssima alcançando nações diversas e mais de um continente. Tão profunda é a influencia deste movimento que já tem determinado modificações na própria organização política de certos povos. A Rússia soviética ensaia o processo de representação funcional, de classe, e o estado corporativo da Itália fascista possui um regime equivalente, que acaba de ser adaptado.

Neste mesmo trabalho o Dr. Raul Bittencourt cita as observações do Prof. Oliveira Vianna “que já descobre um movimento inicial de condensação de classes e cooperação social entre nós, quando louva o fato de em meados de 1926 as classes industrial e comercial do estado de S. Paulo terem conferenciado por meio de órgãos centralizadores que as representavam, com o presidente da Republica e com o daquela unidade federativa para tratarem dos seus interesses próprios, que eram ao mesmo tempo uma parcela avultada dos interesses da nação.

 Lembremos que no Rio Grande do Sul, alem das antigas corporações industriais e comerciais, centralizaram-se em syndicato ultimamente, duas importantes classes conservadoras, a dos arrozeiros e a dos criadores, dando oportunidade a entendimentos com os poderes os poderes públicos equivalentes aos de S. Paulo.

A Sociedade de Medicina de Porto Alegre, como órgão imperfeito, mas autorizado, da classe medica do Rio Grande do Sul, tem já cooperado consultivamente junto ao governo de Estado, como recentemente acontece no caso, da organização de leprosários. Enfim, no Rio de janeiro, marcando de maneira incisiva a tendência que se esboça, a classe médica acaba de fundar o “Syndicato Medico Brasileiro”, cujos estatutos foram aprovados em 9 de Dezembro de 1927”.

Prossegue o Dr. Raul Bittencourt nas suas declarações dizendo no parágrafo II:

{...} Syndicalização: O movimento de solidariedade de classes em nossos dias tem um caracter importante: é o de concentrar todos os interesses de uma classe em um só núcleo. Assim, appelando, não para alguns motivos, mas, para todas as razões de colleguismo entre os indivíduos de uma mesma classe, sobe ao máximo o vigor da solidariedade e fortalecem-se ao extremo todas as vantagens dahi decorrentes.Actualmente os profissionaes de uma mesma funcção social não se associam para este ou aquelle determinado fim, mas para todos os fins que comportar a sua profissão.

 É o que se chama de syndicalização.

 Poderia ser definida como: a convergência da totalidade dos interesses de uma classe em um só órgão centralizados o syndicato.

 Esses sindicatos não podem ser acoimados de espírito estreito ou de sectarismo.

 Primeiro: porque, como ficou acentuado atrás, não é possível desenvolver a cooperação entre as classes, sem antes desenvolver o seu fundamento essencial, a solidariedade dentro de cada classe.

Segundo: porque, a própria origem dos sindicatos estando na convergência de todos os motivos de solidariedade dentro de cada classe, obriga a que eles se orientem segundo o maior motivo que é a cooperação solidária de todos os agrupamentos, para benefício geral da sociedade.

 A syndicalização não é só a melhor maneira de organizar uma classe em sua própria defesa: é também a maneira mais eficaz de obrigá-la à cooperação social.

 Formulo assim a seguinte conclusão:

A syndicalização é, na atualidade, o processo normal de organização da solidariedade dentro das classes. (18).

O Sindicalismo no Brasil

No Brasil, em 1930, Getulio Vargas, vencedor da Revolução de 1930, exerce uma cuidadosa regulamentação e fiscalização dos sindicatos (inclusive os da classe médica), criando o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, a Justiça do Trabalho e a CLT, com a função de limitar e fiscalizar os sindicatos que deixaram de ser instituições de Direito Privado e passaram a ser de Direito Público.

Segundo anotações por parte do Dr. Julio Sanderson, Presidente da Academia Brasileira de Escritores está claramente escrito, no seu livro “40 Anos da Fundação da AMB” as seguintes afirmações:

{...} obstáculos e as seduções desviaram bastante a rota do sindicalismo... e a grande decepção com o “marasmo do sindicalismo médico, que, na época, não era apenas inoperante, mas atrelado as determinações do poder, exercido de maneira antidemocrática, numa verdadeira impostura.

{...} Prosseguindo no seu governo ditatorial Getulio Vargas (1930-1945) incentivou e difundiu o sindicalismo à maneira de Mussolini na Itália, para ter os sindicatos em torno de si e obedientes, pela persuasão ou pela intimidação, de uma ou outra maneira solidários com os governantes. Em 1939, o governo aboliu a autonomia sindical, e eles passaram a ser passíveis de intervenção por parte do Ministério do Trabalho.

{...} Os esforços de libertação no seio dos sindicatos foram numerosos, mas frustrados pelas ameaças policiais e pela corrupção dos “pelegos”. A palavra pelego, que originalmente significa manta que se coloca entre o cavalo e a sela de montar, passou a ser utilizada para classificar os dirigentes sindicais que ficavam amortecendo os choques entre os patrões e o cavalo que, no caso era a própria classe trabalhadora.

Todos estes fatores conjugados determinaram o abandono do Sindicalismo no Brasil.

Figura 28 - Dr. Julio Sanderson - Presidente da Academia Brasileira de Escritores denunciando o “marasmo sindicalismo médico no Brasil”

Figura 29 - Getulio Vargas, Presidente da República, castrou os Sindicatos no Brasil . Foto Museu Joaquim José Furtado - Foto teca Sioma Breitman

1931 – O Surgimento do Sindicato Médico no Rio Grande do Sul

“A classe médica rio-grandense necessita organizar-se em syndicato, para proveito de toda a colletividade e para proveito próprio”.

“O Syndicato Medico Riograndense deve aproveitar a tradição e

Autoridade da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, fazendo com

que o Syndicato seja um desdobramento daquella em três grandes

departamentos, sem prejuízo de centralização:

a) Departamento scientifico, b) Departamento de Medicina Publica,

c) Departamento de Defesa da Classe

Citações do Dr. Raul Bittencourt prenunciando a criação doSindicato Médico do Rio Grande do Sul, durante a realização do 1º Congresso Municipal de Saude Publica, Medicina Social e Hospitaes, realizado em abril de 1928 em Porto Alegre.

História do Sindicalismo Médico no Rio Grande do Sul tem sua origem quando:

{...} Na noite de 20 de Maio, no salão da Faculdade de Medicina, com a presença de 115 médicos, realizou-se a sessão de fundação da móvel agremiação. Assumiu a presidência dos trabalhos, o prof. Moyses Menezes, secretariado pelos Drs. Waldemar Job e Nino Marsiaj; a convite fez parte da mesa o Dr. Renato Pacheco, medico carioca e membro do Conselho Deliberativo, sediado no Rio de Janeiro. Aberta a sessão, falou o Dr. Nino Marsiaj que expôs os trabalhos então executados pela Comissão Organizadora do Syndicato {...}.Em nome desta falou depois o Dr. Waldemar Job, que explicando as razões da fundação do Syndicato, leu o veemente discurso que abaixo transcrevemos. O Dr. Job foi muitíssimo aplaudido, tendo recebido palmas do princípio ao fim do seu esplendido trabalho:

Prezados colegas:

Integrado, desde o seu inicio, no movimento syndicalista que no reúne hoje, não me parece disciplinar a recusa quando de minha indicação para vos definir os objetivos desta reunião. Avesso, menos por temperamento do que por possibilidades pessoaes às situações de alguma evidencia, mesmo quando transitória, sinto-me no entanto amparado na grandeza eloqüente dos motivos desta convocação. A maneira por que correspondes ao nosso convite, cônscios de suas finalidades, conforta-nos sobremodo, tanto pelo brilhantismo com que revestis este certame, quanto pela certeza que assim nos asseguraes da identidade dos sentimentos que nos animam numa campanha certamente penosa pela sua natureza, mas imensamente grandiosa pelas suas finalidades. Tínhamos a certeza, caros collegas, de que não sereis indiferentes ao nosso appelo, pois como nós sentis, sem duvida, a necessidade inadiável de um extenso movimento de solidariedade da classe, de uma efficiente conjugação de esforços para o reestabelecimento definitivo do prestigio moral e social da collectividade a que pertencemos.

 {...} Desamparados dos poderes públicos, vamos, constrictos, a infiltração progressiva e perniciosa em nosso meio, de elementos de todas as nacionalidades, sem bagagem scientifica e moral para o exercício da medicina, mas com audácia e ambição sufficientes para a prática de todos os meios necessários aos seus objectivos industriaes.

Penalizados, sentimos as difficuldades com que lutam e os transes por que passa grande numero de collegas do interior, cultos e competentes, mas imponentes ante a avalanche dos aventureiros dominadores das regiões onde clinicam, pois repugna lhes lançar mão dos mesmos processos de exploração à ignorância e boa fé humanos.

É doloroso o desamparo em que se vêm os referidos collegas, dentro do seu torrão natal, isolados, por seus próprios patrícios, dada a obsessão que lhes é inata por tudo que não é nosso.

Que nossas palavras não sejam interpretadas como explosão de um xenofobismo latente, pois nossas tradições de liberalismo e hospitalidade para com o estrangeiro são sufficientemente conhecidas para affastar qualquer duvida.

O profissional estrangeiro, quando munido de credenciaes sufficientes, tem recebido de parte do corpo medico rio-grandense inequívocas provas de acolhimento e carinho, conquanto não ignoramos que essas mesmas credenciaes em nossas mãos da nada valeriam em seus países de origem.

Faz-se mister uma reacção enérgica contra essa situação deprimente em que as nossas próprias leis nos collocam em face das colletividade medicas estrangeiras.

É necessario que se convençam dessa verdade conquistada no terreno da pratica de que tanto sob o ponto de vista scientifico como moral, o medico brasileiro em nada fica a dever ao seu collega estrangeiro. A nossa revolta visa, sobretudo, aos aventureiros estrangeiros e nacionaes, os quaes, protegidos pela liberdade profissional vigente entre nós, deturpam e mercantilisam a mais nobre das profissões, enfraquecendo em seus fundamentos as próprias instituições da defeza social.

Meus caros collegas, o que mais nos entristece é sem dúvida a certeza de que também muitos de nós, os diplomados, contribuem para o actual estado em que nos encontramos. Não constitue para vós surpreza o que vamos relatar, mas a sua intensificação actual, a que não é sem duvida alheia a grande crise econômica e moral por que atravessamos, merece especial relevo.

Os diplomados industrialistas do aborto constituem, entre nós, uma chaga que desde muito exige uma enérgica medida therapheutica de nossa parte. Acobertados pelas prerrogativas sociaes que lhes concede o titulo, delle se utilisam e com elle se inutilisam na pratica desonesta do aborto criminoso.

Outros não menos numerosos, dadas as facilidades e opportunidades que lhes faculta a profissão, muito contribuem para o seu progressivo prestigio social.

A falta de solidariedade da classe, a commercialização progressiva da medicina, as “intermináveis rixas do amor próprio”, as discussões estéreis que tem o publico por platea, os infalliveis congênitos que não perdoam o erro alheio e encobrem o próprio, esse espensinhar contínuo das mais elementares noções de Ethica profissional, são, sem duvida, outros factores de enfraquecimento do organismo, já tão combatido pela liberdade profissional.

Como vedes, prezados collegas, a idéa syndicalista, entre nós, encontra a sua razão de ser, os seus fundamentos, em múltiplas e complexas questões de ordem profissional e social. Não nos animou, pois, o pueril estilo de imitação às iniciativas e realisações estrangeiras ou nacionaes do mesmo gênero. Ella teve origem no conhecimento integral de todos os males e necessidades que aflige a classe e a sociedade em que vivemos. A Sociedade de Medicina, dada a sua finalidade estrictamente scientifica e para sua maior estabilidade, não cabia a solução de taes problemas. Daí a creação da entidade medica para a defeza dos interesses moraes e materiaes da classe. Dada a progressiva extensão social da Medicina, muitos benefícios advirão de nossa iniciativa. Não nos animam somente propósitos repressores.

 Não seremos extranhos aos problemas de Medicina Social e Hygiene Publica, nem nos serão indifferentes as difficuldades e os transes dos collegas desprotegidos da sorte. Isoladamente nada conseguiremos. Unidos, seremos fortes e, pela justiça e nobreza dos nossos objectivos, tudo conseguiremos. Não nos importam, os pessimistas e scepticos. Estes, como muito bem diz Guerra Blesmann, não entorpecerão a nossa marcha e quando se convencerem das conquistas obtidas serão alliados nossos. Não faltarão pois adhesistas da Victoria.”(19)

1940 - Primeiras Jornadas Médicas Regionais - Cidade de Cruz Alta

Sumário: Apresentação de trabalhos científicos.

Primeiro registro formal incentivando a união dos médicos do interior com os da Capital, sob reuniões em Assembléias Médicas.

Por iniciativa do ilustre Dr. Gabriel Álvaro de Miranda, figura excepcional da classe médica de Cruz Alta, realizou-se nessa cidade , de 15 a 18 de outubro de 1940 , as Primeiras Jornadas Médicas Regionais. A idéia era a de efetivar uma grande Assembléia Médica em Cruz Alta, não somente dos profissionais cruz-altenses, mas sim de todo o Estado do Rio Grande do Sul, agregados a necessidade união da classe médica.

A jornada teve o Dr. Getulio Vargas, Presidente da República, como Presidente de Honra. Uma linda placa de bronze assinala a Jornada no Hospital São Vicente de Paulo e na mesma estão escritos os nomes das personalidades que prestigiaram o evento.

Durante a Jornada houve apresentação de trabalhos práticos, ministrados pelo cirurgião Dr. Gabriel Álvaro de Miranda, nas salas de cirurgia do Hospital São Vicente de Paulo. Nesta mesma Jornada, o Dr. Antônio Saint - Pastous de Freitas fez admirável palestra tendo como tema “Dialética Patológica”

Os Clubes Comercial e Internacional prestaram seu concurso ao êxito das Jornadas e se fizeram representar nas diversas homenagens com que foram distinguidos os médicos visitantes por várias comissões integradas por figuras representativas da cidade.

Parênteses dos autores: O Plantão Médico Riograndense em sua Edição de 20 de outubro, pág. 252 noticia: “As Jornadas Médicas de Cruz Alta sob o ponto de vista científico constituíram expressivo testemunho da cultura e da proficiência dos profissionais que ali trabalhavam, da sua harmonia e de seu espírito de iniciativa. Lograram interessar não apenas o interior do Estado, mas a capital”

 Este noticioso jornalístico registra de maneira formal uma das primeiras idéias de união dos médicos entre o interior e da capital, partindo das Primeiras Jornadas Médicas Regionais realizadas em Cruz Alta, não se esquecendo de que a Liga Médica de Alegrete, em 1915, tinha feito comunicação pioneira.

Figura 30 - Dr. Antônio Saint-Pastous de Freitas, pronunciou na Jornada a palestra “Dialética Patológica

Um aspecto interessante Jornada foi a da recepção dos jornadeanos que esteve a cargo de uma comissão (de militares) integrada pelos Srs. Cel. José Gomes Carneiro, Cel. Maximiliano Fernandes da Silva, Cel. Carlos Santiago (Já se foi o tempo em que éramos saudados pelos ilustres militares).

Em Cruz Alta, durante as Primeiras Jornadas Médicas Regionais, datadas de 1940, foram lembradas épocas em que os médicos eram prestigiados em honras militares ou mesmo por soberanos, como abaixo a gravura rememora quando o Rei Charles X e seu alto comando militar homenageiam, com uma visita, o grande médico Dupuytren.

Figura 31 - Dupuytren apresenta a Carlos X uma enferma operada de cataratas em sua sala do Hotel-Dieu

1941-O Primeiro Congresso Médico da Fronteira

Entre 20 e 23 de julho de 1941 em Santana do Livramento – RS, cidade que sempre honrou os altos foros de cultura médica Rio-Grandense, foi fundada a Sociedade de Medicina de Livramento. A sua primeira iniciativa desta recente entidade criada, tendo como Presidente o Dr. J. Andrade de Oliveira foi o de realizar o Primeiro Congresso Médico da Fronteira que agregou médicos de grande projeção cultural e profissional do Brasil e do exterior advindos de Montevidéu, Riveira, Florida e Taquarembó.

Entre estas personalidades médicas do exterior citam-se o Prof. Alejandro Schoroeder, catedrático de Neurologia da Fac. Medicina de Montevidéu, e o Prof. Pedro Bárcia, Diretor do Instituto de Radiologia de Montevidéu. O Brasil foi representado pelo Prof. Elyseu Paglioli, Dr. Florêncio Ygartua, Dr. Vitalício de Oliveira, Dr. Agostinho Campos e Dr. Antônio Pavão Martins.

1949- Congresso da Associação Paulista de Medicina

Síntese: Campanha dos Médicos Paulistas por melhores Salários e Condições de Trabalho

No ano de 1949 houve uma grande campanha de médicos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (época governado por Adhemar de Barros) por melhores salários e condições de trabalho. À frente da luta dos médicos destacaram-se os professores, Drs. Jairo Ramos e Alípio Correa Netto.

1951 - Congresso Médico do Brasil Central

Assunto primordial: Plano de organização da Associação Médica Brasileira

Em 23 de janeiro de 1951, durante o Congresso Médico do Brasil Central, realizado na cidade de Uberaba, o Dr. BOLIVAR DE SOUZA LIMA , diretor da Associação Médica de Minas Gerais, lançou a idéia da criação da Associação Médica Brasileira : “Dada a importância deste Congresso, altamente representativo de uma grande parte da calasse médica do País,proponho, como corolário desta exposição, que para daqui com caráter oficial o plano de organização da Associação Médica Brasileira, que compreende essencialmente: fixação de local e data para um congresso especialmente reunido para esse fim;solicitação a todas as entidades estaduais do Pais e aos médicos em geral para que preparem teses e estatutos para a futura AMB, a serem debatidos e aprovados no referido congresso” (4).

A Fundação da AMB

“A Associação Paulista de Medicina havia adquirido a pujança necessária, para

Realizar a solenidade de fundação da Associação Médica Brasileira e, também de abrigar sua sede: “Então nasceu a idéia de abandonar o sindicalismo e criar um organismo associativo de âmbito nacional que congregasse todos os médicos do país. Seria, no caso dos médicos , uma tentativa de associação geral e nascida no seio da categoria, e, não um órgão criado pelo governo.(Fundação da AMB, p.4)”.

“Existiram antes do surgimento da AMB tentativas extemporâneas de criação de entidades brasileiros, Foi o caso da Associação Médica Brasileira nascida do Congresso de Práticos, c reunião preparatória foi realizada no dia 12 de outubro de 1916 .É evidente que o grupo de médicos que se reuniu neste dia estava convicto da necessidade de criar uma vontade nacional animada pelo mesmo propósito. Ainda não havia por causa do determinismo histórico, pelo rolar contínuo dos acontecimentos gerado aparentemente ao acaso e complementado pela força cultural das necessidades. A Associação só cresceu e frutificou quando a semente foi implantada no local e no tempo devido (4)

Nesta ocasião, apesar das múltiplas reações, iniciadas por diversos movimentos inspirados pelas nossas sociedades médicas e seus congressos, diante de sindicatos inoperantes, promoveram atuações mais eficazes, que viriam a se somar com as expectativas e motivações imediatas da Fundação da AMB.

As dolorosas lembranças das Leis das Liberdades Profissionais inseridas (e impostas) na Constituição Estadual criada, elaborada pelo pranteado Dr. Julio Prates de Castilhos, presidente do Estado do Rio Grande do Sul, eram traumas e cicatrizes perturbadoras no âmago de nossa profissão.

A classe médica desiludida com os movimentos sindicalistas no Brasil (Sindicato Médico), revoltada com a dureza do Ditador Vargas, concentrador de poder e comandante dos destinos sindicais; humilhada pelo estímulo comunista, fomentador de lutas de classes; arrasada pela estatização da medicina; açoitada pela transformação dos serviços profissionais liberais em contratos de trabalhos desvirtuados; massacrada pela socialização unilateral e progressiva da medicina, passa a pensar em estruturar uma ASSOCIAÇÃO FORTE, UNIDA EM DEFESA DE NOSSOS INTERESSES.

É preciso dar ênfase, que a trans formação dos serviços profissionais liberais m contrato de trabalho é considerado o fulcro da história da AMB e AMRIGS (Fundação da AMB, p. 4)

Para o Dr. Bastos Tavares (Actas 1923: Congresso Médico dos Práticos), a Reforma do Dr. Luis Barbosa- criação do complexo pronto-socorro-dispensário no sistema filantrópico liberal- proporcionava a indivíduos abastados, ricos mesmos fugirem do pagamento do atendimento médico liberal, buscando os recursos do Estado em detrimento dos realmente necessitados. A clínica particular, liberal começava a definhar. Hoje procurar um consultório médico que se mantenha exclusivamente da clínica liberal , particular, é procurar “uma agulha no palheiro” ou” um almirante suíço” na história da marinha mundial. O mercado médico liberal sofria, no Brasil, um golpe mortal, com a Estatização

Em 26 de janeiro de 1951, no decorrer do III Congresso da Associação Paulista de Medicina foi ampliado o que se tinha proposto e conquistado no Congresso do Brasil Central, realizado em Uberaba,: o de legalizar e legitimar a criação da Associação Médica Brasileira, ocasião em que o Dr. Alípio Correa Netto foi indicado seu primeiro presidente, que de imediato convocou equipe para elaborar os estatutos da entidade.

 Na data de 7 de outubro de 1951 foram a aprovados os Estatutos da AMB assim definidos:

Capítulo I-Título, Finalidades, Sede e Organização Geral

 Artigo 1° A Associação Médica Brasileira (AMB) fundada em 26 de janeiro de 1951, com sede e foro na cidade de São Paulo , Estado de São Paulo, é uma sociedade civil, sem finalidades lucrativas,que congrega profissionais de medicina em todo o território nacional.

 Artigo 2° São finalidades da associação: congregar os médicos do país para o objetivo de defesa da classe no terreno científico, ético, social e econômico; contribuir para a solução dos problemas médicos sociais; Orientar o público para melhor assistência médica e médico-sanitária;

Parágrafo único: Para a consecução desses objetivos a AMB utilizar-me-á dos meios que se mostrarem indicado, inclusive a cooperação com instituições congêneres e eventual filiação às de âmbito internacional.

Artigo 3° A AMB é uma federação. As agremiações médicas dos Estados, Territórios e Distrito Federal são suas unidades federadas, com base no regime administrativo. (1)

Estava, também, explicitado nestas proposições de que cada Unidade da Federação deveria fundar uma Associação Médica Estadual e eleger delegados para representá-la em São Paulo.

 {...} A AMB não veio nem depois do momento em que deveria ser criada, mas exatamente quando o determinismo histórico lhe abriu as portas do destino... O fermento da criação de um organismo nacional, mais abrangente que os sindicatos existentes, cresceu e começou a infiltrar-se nas sociedades médicas existentes, até então despreocupadas com a defesa profissional e de classe (4)

Figura 32 - Dr. Túlio Rapone, participou como Delegado da Associação Médica de Porto Alegre, na fundação da AMB. Foi eleito um dos assessores da Diretoria da AMB, na Comissão Permanente de Saúde Pública.

Médico gaúcho faz apologia ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul

Dramático depoimento contra a socialização unilateral da Medicina

Na mesma data da aprovação dos Estatutos da AMB, em 7 de outubro de 1951, na edição do “Correio do Povo”, o Dr. Álvaro Barcelos Ferreira, fazia um prognóstico lúgrube para medicina denunciando o que segue e conclamando os médicos a aderirem ao seu órgão representativo, pelo que se supõe, à entidade máxima que surgia a AMB:

“O mundo passa na atualidade - 1951 por momentos amargos e decisivos.

Há crise natural e moral. .E, muitas vezes, a crise moral é conseqüência. da crise para todos. E nestes “todos” estão os médicos. Nós sentimos as mesmas dificuldades da vida e lutamos a mesma luta. Inexplicavelmente, ninguém disso se percebe e compreende. Lançam a medicina em plena socialização e mantém fora as outras classes. “E nós carregamos o peso desta injusta socialização unilateral”.

 

E antes de concluir e dar por encerrada sua entrevista o Prof. Barcelos continuou:

“A renumeração dos médicos (1951) é mesquinha e ridícula. Pagam mal ao médico que só distribui benefícios. Amarguram sua vida para que dê vida e alegria. E mantêm-se os responsáveis risonhamente surdos aos nossos justíssimos reclamos. Contra este espírito de compreensão é que precisamos unir-nos. Nossa articulação é indispensável e premente. Dêem os médicos força ao seu órgão representativo, o Sindicato, que nós faremos com que nos ouçam e nos atendam” (20)

Aceitamos o sacrifício a nós imposto em benefício dos necessitados, e por isso hoje ocupamos o primeiro lugar em conceito moral diante de todas as demais profissões. Graças a Deus, o povo nos ama e estima.

Eu costumo dizer que os médicos se tornam para os necessitados - refúgio e consolo das ilusões perdidas. A AMRIGS tem essa filosofia, pois presta, voluntariamente, assistência médica a várias entidades filantrópicas entre elas o Instituto Espírita Dias da Cruz e Vila São Pedro. Esse depoimento do Prof. Álvaro Barcellos Ferreira, prova que o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul era inoperante.

Os idealizadores da AMB

Figura 33 - Jairo de Almeida Ramos era o presidente da Associação Paulista de Medicina quando idealizou a fundação da Associação Médica Brasileira, no ano de 1951, em parceria com Alípio Correa Netto, que se tornaria o primeiro presidente da AMB. O prestígio, a liderança e a dedicação do professor Jairo Ramos,foram essenciais para a construção da nova entidade.

Figura 34 -Alípio Corrêa Netto Dirigiu a AMB, inicialmente como presidente provisório, depois como presidente efetivo. Com pulso firme, mas conciliador, o professor Alípio estruturou a AMB, que ganhou prestígio, reuniu a classe e a fortaleceu

PRIMEIRAS IDÉIAS PARA A CRIAÇÃO DA AMRIGS

Aurora da AMRIGS

 “A aurora é a claridade que antecede o nascer do sol”

O caráter auroral do nascimento da AMRIGS pertence ao Prof. Dr. Paulo Queiroz Telles Tibiriça, Catedrático da Cadeira de Anatomia e Fisiologia Patológica da Faculdade de Medicina da UFRGS e Presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, juntamente com o Dr. Bruno Atílio Marsiaj, Presidente da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, no alvorecer do ano de 1951.

As notícias dos Movimentos Médicos Sindicalistas e Associativistas no Rio de Janeiro - São Paulo e Minas Gerais motivando a fundação da AMB, (gerenciados pelas lideranças de Alípio Correa Netto. Jairo Ramos e Bolívar de Souza Lima), chegaram até ao Rio Grande do Sul por intermédio do Docente Livre de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo, Prof. Dr. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá que veio para o Rio Grande do Sul disputar a o título de Prof. Catedrático da Cadeira de Anatomia e Fisiologia Patológica da Faculdade de Medicina de Porto Alegre título que conquistou em concurso realizado em 15 de dezembro de 1944. Tomando posse de seu cargo em 20 de janeiro de 1945, além da brilhante carreira que iniciava como Professor - Catedrático, começou a idealizar e propagar idéias de fundar a AMRIGS, tendo com parceiro o pragmático Dr. Bruno Atílio Marsiaj, época que o Prof. Tibiriçá assumia a presidência da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, uma das mais fortes Sociedades Médicas do Rio-Grande do Sul.

Sindicato Médico, o berço da AMRIGS - INÍCIO DE UMA NOITE MEMORÁVEL

Tudo começou, segundo Tibiriça: “Em uma noite memorável, numa sala do Sindicato Médico, uniram-se os presidentes das Sociedades de Medicina e Cirurgia de Porto Alegre, Paulo Tibiriça e Bruno Marsiaj, dando início ao imperativo de fundar a Associação Médica do Rio Grande do Sul (Jornal da AMRIGS. ed. extra. Jan.1974. p. 9)

A sede do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul estava localizada na rua... sendo seu presidente na época o Dr. Gabino Prates da Fonseca

Não temos a data dessa noite memorável, mas temos o registro fotográfico dessa solenidade em que aparecem o Pro. Tibiriça, sua esposa e o Dr. Bruno Marsiaj.

Para reforçar a idéia da criação da AMRIGS Bruno Marsiaj e Tibiriçá convidam Alípio Correa Netto, para uma palestra em Porto Alegre, tendo como temáticas os projetos da recém criada AMB.

Nesta ocasião as reuniões da Sociedade de Medicina e da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre – da qual era seu Presidente O Dr. Tibiriçá - eram realizadas na sede do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul, situada na Rua da Praia. Em data não identificada, Alípio Correa Netto faz sua palestra em Porto Alegre, explanando as finalidades da AMB, que deveria também ser das federadas:

a) propugnar pela união e defesa dos profissionais de medicina;

b) promover o aperfeiçoamento da cultura médico-científica;

c) orientar, do ponto de vista odontológico, as atividades relacionadas com o exercício da profissão médica;

d) instruir e manter o sistema de previdência e assistência social para os seus associados

e) contribuir para a solução dos problemas médico-sociais;

f) orientar o público leigo na procura de melhor assistência médica;

g) lutar para o exercício de um sindicato ativo e valente.

Dependências do salão de conferencia e secretaria do sindicato.

Figura 35 - Salão de conferências na sede do Sindicato dos Médicos

Figura 36 -Secretaria do Sindicato dos Médicos de Porto Alegre. Biografia do Prof. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá – Pai da AMRIGS

{...} O professor Paulo Queiroz Telles Tibiriça nasceu aos 27 de junho de 1903 na capital do estado de São Paulo. Era casado com a professora Celina Mendes da Cunha, diretora da Faculdade de Enfermagem de Porto Alegre.

Formou-se na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, onde após o término do curso, defendeu tese sobre “Arteriosclerose bovina”, tendo obtido grande distinção e voto de louvor da comissão examinadora.

 Após a formatura, foi nomeado 2° Assistente da Cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo, sob regime de tempo integral, tendo assumido em 16 de janeiro de 1927. Em 08.08.29, foi promovido a 1° Assistente.

Em 1935, foi enviado em Comissão do Governo do Estado de São Paulo ao Paraná para lecionar Anatomia Patológica e montar o respectivo laboratório na Faculdade de Medicina do Paraná.

Em 1936, prestou concurso de docência livre de Anatomia e Fisiologia Patológicas na Faculdade de Medicina do Paraná.

Em 1939, prestou concurso de Docência Livre de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Enquanto em São Paulo, foi sócio da Sociedade de Biologia de São Paulo, tendo chegado a presidência da mesma, também da Associação Paulista de Medicina e da “Deutschen Patologischen Gessellschaft”

Figura 37 -Dr. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá

Figura 38 –Dr. Cezar Augusto

 No Rio Grande do Sul, foi presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre em 1951. Idealizou e fundou, com Bruno Marsiaj, a Associação Médica do Rio Grande do Sul que presidiu de 1955 a 1957.

Presidiu a assembléia de fundação da APLUB e foi seu presidente de 1964 a 1967.

Fez arte do Conselho Regional de Medicina do rio Grande do Sul de 1959 a 1962.

Presidiu a junta Governativa do Sindicato Médico do Rio Grande do sul de 1962 a 1963, quando assumiu a presidência da mesma em 1965.

 Foi sócio da Sociedade de Biologia do Rio Grande do Sul. O título que mais se orgulhava era o de professor Catedrático de Anatomia e Fisiologia Patológicas, conquistado em concurso concluído em 15.12.1944, obtendo média final 47, 8 de 50 (prova de títulos e trabalhos, escrita, prática, oral e defesa de tese).Tomou posse do cargo de professor Catedrático, padrão ”M” do Ministério da Educação e saúde na faculdade de Medicina de Porto Alegre, na cadeira de Anatomia e Fisiologia Patológicas da 4ª série do Curso de Medicina, em 23/01/1962.

Aposentou-se, como professor Catedrático, padrão “O”, m 06/05/1962.

Para evidenciar a importância que dava ao título de professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, é ilustrativo reproduzir texto de polêmica que manteve com os colegas professores Cezar Ávila e Ivo Corrêa Meyer que o haviam criticado por ter reprovado em concurso candidato a professor de Anatomia:

 “Chego, agora, ao ponto que me causou estranheza máxima que chega mesmo a ser engraçada. É quando o professor Cezar Ávila diz:” Eis que surge em nossa mente a desconfiança de que a razão máxima da invalidação do candidato, nessa prova, tenha sido o não darem esses senhores de outras Faculdades ou originadas de outras Faculdades, (aqui é comigo), valor aos títulos aos títulos conferidos pela Faculdade de Medicina de Porto alegre, tão legal quanto” os outros”. Eu não dar valor aos títulos conferidos pela Faculdade de Medicina de Porto alegre! Prezado amigo professor Ávila: qual é o melhor meu melhor título?

Qual o título que me custou tantos esforços, tanta espera desesperada e que, para manter, eu deixei minha terra, meus parentes, meus amigos, sacrificando minha família?

Esse título é o que muito me honra possuir, o de professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre! E por ela, pela sua grandeza, tenho trabalhado, com afinco, para suprir, com meus esforços, numerosas falhas existentes na cadeira a meu cargo. Rebaixar a Faculdade de Porto Alegre seria rebaixar a mim mesmo. Seria suicídio moral! E, quando se quer valorizar um título, não se deve oferecê-lo a preço baixo, mas segura-lo o mais possível. A prova de que isso é verdade foi o que me disseram em São Paulo, quando voltei de meu concurso: Gostei de você não ter tido dez em tudo. Isso prova que o título de lá tem valor. Confesso que ficaria desapontado se todas as minhas notas tivessem sido dez”.(21 e 22)

Biografia do Dr. BRUNO ATÌLIO MARSIAJ – “A mãe” da AMRIGS

“Nasceu na cidade de Santa Maria em 3 de junho de 1905. Seus pais foram Atílio Marsiaj e Amália Marsiaj, tendo como irmãos os médicos Ennio. Odone e Nino , que viriam fazer parte da constelação ilustre de médicos rio-grandense. Fez seus estudos de humanidades nos Ginásios Anchieta e Julio de Castilhos, na cidade de Porto Alegre. Ingressou depois na Faculdade de Medicina de Porto Alegre onde fez seus estudos médicos com brilhantismo. Formou-se no ano de 1927 ocasião em que defendeu a Tese de Doutoramento sob o título de” Estudo Anatomo-Topográfico do Gânglio de Grasser”. No seu primeiro ano de formando trabalhou na cidade de Lajeado. Especializou-se em Cirurgia e Moléstias de senhoras. , tendo feito viagens de estudos a Buenos Aires, Montevidéu., São Paulo e Rio de Janeiro; Participou de vários congressos médicos nacionais e em 1937, no Congresso Anual da Sociedade de Cirurgia Argentina. Dedicou-se ao magistério médico passando a exercer a Livre-Docência de anatomia humana, vindo a ocupar, depois essa mesma cadeira, na qualidade de catedrático interino.(21).

Iniciou sua atividade didática na cadeira de Anatomia, tendo inclusive feito concurso para Livre-Docente. Desde o início de sua carreira, dedicou sua atividade médica ao exercício da Cirurgia.

Além das atividades curriculares, administrou, entre 1940 e 1950, Cursos Livres de Cirurgia e Anatomia, dirigidos aos médicos e doutorandos. Publicou e fez conferências, sendo assunto predileto a Cirurgia das Vias Biliares.

“No Hospital de Beneficência Portuguesa, criou a sala rádio-cirúrgica e, a partir do sucesso de tal empreendimento, todos os hospitais passaram a utilizar a colangiografia. Foi um passo importante no desenvolvimento da cirurgia no Rio Grande do Sul. O Dr. Bruno Marsiaj dedicou-se também à atividade associativa, tendo sido presidente da Sociedade de Cirurgia (1949 -1950), quando, por sua iniciativa, foi fundada a Associação Médica do Rio Grande do Sul. O Salão Nobre da Faculdade de Medicina da UFRGS serviu de cenário para um dos acontecimentos mais importantes da classe médica do Estado no dia 27 de outubro de 1951, ao acolher a assembléia da Fundação da AMRIGS. A idéia surgira na Sociedade de Cirurgia do Rio Grande do Sul, sob a presidência do Dr. Bruno Marsiaj, que organizou a I Jornada Sul-Rio-Grandense de Cirurgia com o fito de” congregar os cirurgiões do Estado, atraindo os colegas de fora da capital para trocar idéias, dialogando assuntos da especialidade”. O alvo que desejava atingir, segundo Dr. Bruno, era” reunir, instruir, divulgar, criar hábitos para a freqüência a conclaves, despertar e treinar para a presença atuante nas reuniões e, finalmente, contribuir para a consolidação da capital como núcleo de atração médica, para ensino e para os recursos de pacientes do Estado dele necessitados”. A Sociedade de Medicina de Porto Alegre, então presidida pelo prof. Tibiriça aderiu logo a idéia e forneceu nomes para pregação que se desenvolveu em todo o Rio Grande do Sul.O Dr. Bruno Marsiaj foi presidente das duas primeiras gestões. Na primeira gestão, comprou a primeira sede no centro da cidade, razão principal, talvez, da confiabilidade que passou a adquirir na classe médica.Organizou a secretaria e firmou convênio com quase todas as entidades que congregavam médicos para constituírem os atuais Departamentos Científicos e Sociedades Filiadas”. (22).

Cargos ocupados:

Delegado do Conselho no Conselho Federal de Medicina.

Presidente do Conselho Federal de Medicina.

Diretor da Assistência Pública Municipal, cidade de Porto Alegre.

Diretor do Gabinete de Antropologia da Casa de Correção de Porto Alegre.

Projetou a criação do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre

Projetou, fundou o Hospital Ernesto Dornelles, inaugurado em 1962.

Foi Diretor-Clínico do Hospital Ernesto Dornelles, por diversos anos, ocasião em que criou importantes segmentos como: Sala de Recuperação, Unidade de Tratamento Intensivo, Residência Médica, Comissão de Infecção, que foi a primeira a ser instalada no Brasil.

Presidente do CREMERS.

Presidente da Sociedade de Cirurgia do Rio Grande do Sul.

Cidadão de Porto Alegre, sob homenagens na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Comendador da Ordem do Mérito Médico.

Patrono da 9 ª Cadeira da Academia Sul Riograndense de Medicina

Contribuiu com tese e artigos editado em diversas revistas médicas brasileiras, como: “Estudo Anatômico de um crânio Gigante”, “O Futuro Hospital da Assistência Pública de Porto Alegre” e “Pericolecistite”.

Foi casado com a Exma. Sra. Vanda Marsiaj, de cujo matrimônio teve os filhos Vera Beatriz, Maria Lúcia e Paulo Roberto. Faleceu em 1984. (23).

 

Figura 39 - Dr. Bruno A. Marsiaj e sua esposa, Sra. Vanda Menezes Marsiaj na cidade de Lyon,França, durante Congresso Internacional de Cirurgia.Foto: Arquivo particular do Dr. Mário Silva.

Figura 40 - Foto da Sociedade de Pediatria, registrada na Sala de Recepção do Sindicato Médico em Porto Alegre, em 1949. Destacam-se a figura de Dr. Florêncio Ygartua, sendo à esq. sentado, e Dr. Guerra Blesmann, ao seu lado. Na parede, a foto do Prof. Sarmento Leite, mentor do prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS em Porto Alegre, na confluência das ruas Sarmento Leite e Jorge Englert. Foto: Arquivo da AMRIGS

Figura 41 - Esposas de médicos reunidas no Bar São Jorge, no Clube do Comércio da cidade de Rio Grande, em data não identificada. Da esquerda de quem olha a segunda pessoa é a da esposa do Prof. Tibiriçá, Sra. Celina Mendes Cunha (falecida em 20 de dezembro de 2007), que foi Diretora da Escola de Enfermagem da UFRGS

A construção prática do sonho e da ideação da AMRIGS

A partir deste momento histórico – alvorecer do ano de 1951, em 14 de fevereiro de 1951- quando surgiram as PRIMEIRAS IDÉIAS PARA A CRIAÇÃO DA AMRIGS- passamos a narrar as atividades de três entidades que organizaram a FUNDAÇÃO DA AMRIGS:

1ª Sociedade de Medicina de Porto Alegre-Presidida pelo Prof. Paulo Queiroz Telles Tibiriçá;

2ª Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre - Presidida pelo Dr. Bruno Atílio Marsiaj;

3ª Comissão Organizadora para a Fundação da AMRIGS.

 14 de fevereiro de 1951

Ata da primeira sessão da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Assunto: Noticia a primeira manifestação de uma Sociedade Médica da capital, conclamando a colaboração das diversas sociedades médicas do Interior do Estado para a realização de Jornadas de Cirurgia.

Na noite de 14 de fevereiro de 1951, reuniram-se na sala do Sindicato Médico de Porto Alegre, os sócios da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, presididos pelo seu presidente, Dr. Bruno Atílio Marsiaj. Era uma sessão ordinária, onde foram discutidos vários assuntos dos quais vão se refletir na futura criação da AMRIGS.

1º Assunto: A Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre propõe sua autonomia separando-se da Sociedade de Medicina de Porto Alegre. A proposta é do Dr. Bruno Marsiaj, que é sabedor da existência latente de oposição à fundação de uma associação médica ampla no Rio Grande do Sul. Mais adiante veremos a paradoxal existência de salas, dentro da Sociedade de Medicina, contrários à fundação da AMRIGS.

2º Assunto: O Dr. Bruno lança a idéia: promover uma vez por ano a colaboração com as diversas sociedades médicas do interior “Jornadas de Cirurgia”, nas quais serão estudados assuntos da atualidade, como a criação da AMRIGS.

 Nesta ocasião é criado um “Livro de Ouro” para constituir fundos econômicos que possa permitir o convite a nomes ilustres do PIS e exterior que venham aqui trazer seus conhecimentos na futura Jornada de Cirurgia. A sessão é encerrada pelo Dr. Serafim Antunes, que registrará de modo claro os passos da Sociedade de Cirurgia, em direção e fundação da AMRIGS.

Observação: Neste 2º assunto, começa a idéia de colaboração com as diversas sociedades do Interior com uma Sociedade de Porto Alegre. A palavra chave colaboração, passo inicial de uma associação capital-interior.

“As Jornadas de Cirurgia” se iniciarão com a “Primeira Jornada Sul Riograndense de Medicina”

24 de abril de 1951

Ata da segunda sessão da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Assunto: Planos para a execução da Primeira Jornada de Cirurgia

 

Na noite de 24 de abril de 1951, na sede do Sindicato Médico de Porto Alegre, reuniu-se a sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, sob a presidência do Dr. Bruno Marsiaj. Inicialmente, o Sr. Presidente inicia o estudo, junto com os demais membros, o plano a ser seguido na execução da 1ª

Jornada Cirúrgica, tendo ficado já estabelecido o seguinte:

A data fixada para a realização da 1ª Jornada será dentro da primeira quinzena de novembro próximo, provavelmente de 4 a 11 do deste mês pois, nesta época, as aulas das faculdade já estão fechadas, o que permite maior freqüência por parte dos alunos e profissionais às sessões da jornada.

Uma das finalidades principais da 1ª Jornada de Cirurgia será congregar os colegas. A Jornada terá uma parte social e uma parte científica. Esta compreenderá: temas oficiais e temas livres. Como temas oficiais foram escolhidos dois assuntos que interessam a todos os profissionais e, de modo mais particular, aos colegas do interior. São eles:

Anestesiologia

Equilíbrio Salino-Aquoso-Protêico.

A sociedade de anestesiologia é convidada para ministrar o tema anestesiologia.

A sociedade de anestesiologia aceita o convite. É, portanto, a primeira adesão de uma sociedade a uma futura associação médica do Rio Grande do Sul. Assim, podemos observar que a preocupação do Dr. Bruno era congregar os colegas do interior e, para atraí-los escolhe o tema anestesiologia, pois tinha consciência da grande carência de anestesistas no interior do Estado, obrigando o cirurgião a ser, no ato cirúrgico, simultaneamente cirurgião e anestesista.

 A sessão foi registrada pelo Dr. Serafim Antunes.

 4 de maio de 1951

ATA

 Da Secção da Sociedade de Medicina realizada em 4 de maio de 1951

Assunto: ANUNCIA PLANOS PARA FUNDAÇÃO DA AMRIGS

“Aos quatro dias do mês de maio de mil novecentos e cinquenta e um, na sua sede social, à Rua dos Andradas, sob a presidência do prof. Paulo Tibiriçá, reuniu-se a sociedade de Medicina.às 20: 30 horas o Sr. Presidente abriu a sessão, fazendo a exposição sobre a fundação da Associação Médica R.G. do Sul e dizendo haver convocado uma reunião preparatória com os presidentes das outras sociedades médicas de P. Alegre.Ressaltou ainda a necessidade da congregação da classe.

Falou sobre a construção da sede e sobre a proposta do DR. Newton Zanenga de fluoretação da água fornecida a população, no sentido de prevenir a cárie dentária.Estando presente a Prof. Peri Riet Corrêa, o presidente concedeu-lhe a palavra.

O Prof. Riet Correa discorreu longamente sobre o tema CTH e Cortisona, revisando as conclusões do Congresso de dezembro passado realizado no Canadá. Fizeram considerações sobre o assunto os Drs. Francisco Pires, Antônio Azambuja, Gonzáles e José Gerbase, sendo que este último relatou três casos de sua clínica, um de lúpus eritematoso, pênfigo vulgar e pênfigo bolhoso.

 Às 22 horas a Sr. Presidente tomando a palavra congratulou-se com o conferencista e dá por encerrada a sessão da qual foi lavrada a presente ata

 Esta Ata foi assinada pelo Dr. Luiz Costa, Secretário Geral.

Emenda: à linha 24 leia-se Dr. Manoel Gonzalez.

Nota: Segundo esta Ata considera-se que este é o primeiro relato documentado da criação da AMRIGS

15 de maio de 1951

 Ata

 Da Terceira sessão da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Assunto: Preparação da Primeira Jornada Cirúrgica

 A reunião é presidida pelo Dr. Marsiaj com o objetivo de preparar a Primeira Jornada Cirúrgica, para isso decide:

1° Designar delegados para a 1ª Jornada Cirúrgica em cada sector do interior do Estado, onde existem sociedades médicas constituídas.

2° Organizar uma Comissão de Honra, na qual devem estar todos os presidentes das diversas sociedades médicas do interior.

3° Tendo a Sociedade de Anestesiologia aceito o convite para se encarregar do 1° Tema Oficial ficou resolvido convidar o seu Presidente para participar da próxima sessão desta Diretoria a fim de se inteirar completamente da marcha dos trabalhos.

4° Para relatores do 2° Tema Oficial cogitam-se vários nomes e decidiu-se finalmente convidar os seguintes colegas:

Clínico, Dr. Antonio de Paula Azambuja

Laboratório, Dr. Rudi

Cirurgião, Dr. Hamilton Pereira

Ficaram encarregados de transmitir o convite para os dois primeiros o Dr. Bruno Marsiaj e para o terceiro o Dr. Duílio Perrone.

5° Na próxima sessão deverão comparecer além do Presidente da Sociedade de anestesiologia, também os colegas convidados para a 2° Tema Oficial a fim de se inteirarem do plano de elaboração dos trabalhos.

6° O plano de condução dos trabalhos da 1ª Jornada deverá ser o seguinte:

As manhãs serão destinadas para visitar os diversos serviços hospitalares, sendo que cada um poderá escolher os casos que lhe interessar, pois um programa prévio comunicará variadas intervenções cirúrgicas que deverão ser executadas.Para esta ocasião serão feitas demonstrações práticas da técnica dos diversos topos de anestesia.

As tardes do 1° e 2° dia serão destinadas aos temas oficiais

As noites, seção para conferências sobre os temas livres

7° É pensamento desta Diretoria organizar caravanas que irão às cidades onde existam sociedades médicas a fim de levarem assuntos científicos e intensificar a propaganda da 1ª Jornada Cirúrgica e Fundação da AMRIGS.

8° Solicitar ao laboratório Torres de São Paulo a remessa de filmes europeus que serão exibidos todas as noites após as conferências.

Assina a ata.

Porto Alegre 15 de maio de 1961

José Serafim Antunes

 Secretário

22 de maio de 1951

Ata da 4ª sessão da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Sessão realizada à noite, presidida pelo Dr. Bruno Marsiaj, compareceram a mesma os colegas Lafayete de Freitas Brandão anestesiologista, o Dr. Rudi Laboratorista e Antônio Azambuja, cardiologista e nefrologista que haviam sido especialmente convidados a fim de se inteirarem dos planos de desenvolvimento e dos trabalhos da 1ª Jornada Cirúrgica. Deixou de comparecer o Dr. Hamilton Pereira o que faz concluir como não tendo aceito o convite para ser um dos relatores do 2° Tema oficial.

 Inicialmente o Sr. Presidente passou a expor os motivos da presente reunião, perguntando se os convidados aceitavam o encargo de serem relatores dos temas oficiais.- Responderam que aceitavam, passando-se a estudar a forma como deveriam ser conduzidos os trabalhos.

 Ficou resolvido o seguinte:

1°- O Dr. Lafayete de Freitas Brandão ficou encarregado de juntamente com os demais sócio da Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul, organizar o desenvolvimento do primeiro tema: anestesia geral para cirurgiões do interior do Estado.

2° O segundo tema haviam sido convidados um clínico, um laboratorista e um cirurgião para desenvolverem os trabalhos. Convidado para a parte clínica, o Dr. Antônio Azambuja aceitou o convite. O Dr. Rudi aceitou o convite para lidera o assunto laboratório. O Dr. Hamilton Pereira, não comparecendo ficou entendido que não desejava aceitar o convite.

3° É cogitado o nome do Dr. João de Oliveira Antunes para substituir o Dr. Hamilton Pereira.

4° Fica o Dr. Bruno Marsiaj encarregado de convidar o Dr. João de Liveira Antunes assina a ata o Dr. José Serafim Antunes. Porto Alegre 2 de maio de 1951

25 de maio de 1951

Ata da primeira reunião dos presidentes das

 Sociedades Médicas de Porto Alegre

 Assunto: Constituintes da Comissão Organizadora para criação da AMRIGS

“Aos vinte e cinco dias do mês de maio de um mil novecentos e cinqüenta e um (1951), às vinte e quarenta e cinco:(( 20:45 horas, reuniram-se na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradas, n° 1177, os senhores: Prof. Paulo Tibiriçá, Presidente da Sociedade de Medicina de POA; Dr, Bruno Marsiaj, Presidente da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre; Dr. Cesare Cardoso Nanni, Presidente da Associação Rio Grandense de Tuberculose; Dr. Paulo C. Maya , representante do Dr. Lafayete Brandão, Presidente da Associação de Anestesistas do RS; Dr. José Pessoa Mendes , representante do Dr. Enio C. Campos, Presidente da Sociedade de Brasileira de Dermatologia e Sifilografia secção do RS; Dr. Erwino Jacob Diefenthaeert, representam o Dr. Fradique Correa Gomes, Presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do RS; Dr. Domingos Claussel , Presidente da Sociedade de Higiene do RS; Dr. Mário Santos, representante do Dr. Frederico Ritter, Presidente da Sociedade de Novo Psiquiatria do RS;Dr. Mário Araújo Azambuja, Presidente de Oftalmologia e Otorrinolaringologia do RS; Dr. Carlos Bento, Presidente da Sociedade de Tisiologia do RS/ e Prof. Rubens Maciel, Presidente da Comissão Permanente para a construção da sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, a convite dos dois presidentes citados.

O Prof. Tibiriçá expõe os motivos da reunião que são os preparativos da”Associação Médica do Rio Grande do Sul” , que seria uma federação das sociedades Médicas de todo o Estado que à ela  se filiarem em secções regionais de pelo menos trinta (30) médicos de um município , ou e um grupo de municípios vizinhos, onde não houvesse sociedade filiada.Com isso a “Associação” representaria uma grande maioria da classe média do Estado. Essa “Associação” uma vez fundada, filiar-se-ia à Associação Brasileira de Medicina, fundada em 26 de janeiro de 1951. As assembléias gerais seriam constituídas por delegados das sociedades filiadas e das secções regionais em proporção de um para cada grupo de trinta sócios para as sociedades filiadas e um parta cada grupo de trinta sócios ou fração maior de vinte sócios para as seções regionais a finalidade maior seria a união e defesa da classe, o prof. Paulo Tibiriça, que assumira espontaneamente a presidência da sessão, ofereceu a palavra a quem dela quisesse fazer uso.

Pede a palavra o tr. Carlos Bento para comunicar que de 30 de setembro a 7 de outubro do corrente ano realizar-se-ia , em Belo Horizonte, o quinto Congresso Nacional de Tuberculose, um Congresso Médico para a defesa da classe.

O Dr. Domingos Clussel propõe que a comissão encarregada de preparar a fundação da Associação seja constituída pelos presidentes das sociedades médica de Porto Alegre, o que é aprovado por unanimidade.

 O Dr. Bruno Marsiaj propõe que além da fundação da “Associação” se cuide de dar corpo à,Construindo sua sede de acordo com um plano de autoria que descreve em linhas gerais. A proposta é aprovada por unanimidade.

Resolve-se que a Comissão se reunirá quinzenalmente.

O Prof. Paulo Tibiriçá , expõe uma necessidade de caracter prático, isto é, a questão do financiamento da campanha. Os Drs. Bruno Marsiaj, Carlos Bento, Mario Araújo Azambuja e Pro. Paulo Tibiriçá oferecem cada um, em nome das Sociedades de que são presidentes, a quantia de hum mil cruzeiros (Cr$ 1.000,00).

 A seguir o Prof. Paulo Tibiriçá lê um esboço de manifesto a ser dirigido à classe médica do RS, que é aprovado com modificações pequenas de forma a exercício das finalidades da associação” que serão as mesmas da Associação Brasileira de Medicina, mais a construção imediata da sede em Porto Alegre.

 Ressolve- se ainda, que o presidente da Comissão será o Prof. Paulo Tibiriçá, que fica autorizado a contratar um acadêmico de medicina para secretário

 O Prof. Rubens Maciel oferece a parte noticiosa da revista”Patologia e Clínica”, à comissão o que é aceito. Resolve- se que a fundação da Sociedade seja durante as jornadas da Sociedade Cirúrgica de Porto Alegre, a se realizarem nesta capital entre 21 e 27 de outubro do corrente ano.

Nas mais havendo a tratar foi encerrada a sessão às vinte três (23) horas. E para constar, foi lavrada a presente ata que vai assinada pelos presentes à segunda reunião da Comissão de Organização da “Associação Médica do Rio Grande do Sul”.

Porto Alegre, 25 de Maio de 1951

 Nota: Nesta reunião estiveram presentes os seguintes colegas: Prof. Tibiriça, Dr. Bruno Marsiaj, Enio Candiota de Campos, Frederico Ritter, Prof. José C. F. Milano, Prof. Rubens Maciel Prof., Mário Araújo Azambuja, Cesare Nanni, Mário Santos, Lindolfo Dornelles, Domingos Claussel e Carlos Bento”.

Observação: Osvaldo Wolf Dick foi o acadêmico de medicina contratado para exercer o cargo de secretário-redator das Atas, pois o mesmo, na ocasião era redator e revisor do “Diário de Notícias”

 

Dr. Bruno A. Marsiaj

 

Frederico Ritter

 

Cesare Nanini

 

Rubens Mario Garcia Maciel

 

Lindolfo Dorneles

 

Prof. Enio Candiota de Campos

 

Prof. Tibiriçá

 

 

A origem da sigla AMRIGS

A sigla AMRIGS – Associação Médica do Rio Grande do Sul – foi criada pelo doutorando e jornalista do “Diário de Notícias” de Porto Alegre, Oswaldo Wolf Dick, em 1951, que nesta época era contratado para ser secretário – redator das Atas das sessões preparatórias para fundação da AMRIGS.

Os progenitores da AMRIGS, Prof. Tibiriça e Dr. Bruno Marsiaj, costumavam convocar doutorandos para colaborarem nas reuniões para a criação da AMRIGS. O doutorando Dick já era repórter do “Diário de Notícias” e conseguia, de modo gratuito, publicar notícias a respeito das demandas para a fundação da AMRIGS. Dick também era “pombo-correio”, pois se encarregava de levar nos consultórios médicos o convite para as reuniões a serem realizadas. As Atas das reuniões preparativas para a fundação da AMRIGS, foram redigidas pelo doutorando Dick.

Este se forma médico no final de 1952 e já casado com Carmem Janiseck (27 de setembro de 1952) foi exercer sua profissão no Estado de Santa Catarina, na localidade de Braço do Norte com seu colega Dr. Wilson Lapa.

Nesta cidadela catarinense fez fama como clínico e cirurgião geral, médico de senhoras e parteiro, onde benquisto e prestigiado que foi, é lembrado pela sua clientela como nome de rua e estátua na praça central. Depois de fazer seu “pé de meia”, no interior, realizado na profissão que abraçou, retornou a nossa cidade e se alegrou ao ver que a sigla AMRIGS, que ele inspirou sua criação, havia se tornado nome oficial e que a Associação Médica era uma realidade.

29 de maio de 1951

Ata da 5ª Sessão da Sociedade de Cirurgia

Assunto: Noticia a proposta da Sociedade Médica de Porto Alegre para a Sociedade de Cirurgia da participação conjunta nas caravanas para propagar a Primeira Jornada Sul-Rio-Grandense de Cirurgia e Fundação da AMRIGS.

 {...} Em 29 de maio, ou seja, quatro dias após a primeira reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS (25 de maio), o Prof. Tibiriçá comparece a Sociedade de Cirurgia, presidida pelo Dr. Bruno Marsiaj, para uma reunião conjunta: no item n° seis da Ata de 29 de maio de 1951, da Sociedade de Cirurgia, esta registrado: “Em reunião conjunta dos presidentes da Sociedade de Medicina de POA e da Sociedade de Cirurgia de POA, manifestou aquele o desejo de se associar nas caravanas de propaganda da primeira Jornada Sul Riograndense de Cirurgia, a fim de aproveitar a ocasião, dar ciência aos colegas do interior do próximo plano de fusão de todas as sociedades médicas sob o nome de Associação Médica do RS”.

SERVIÇO DE CÂNCER DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PORTO ALEGRE

Seção de Clínica Cirúrgica Feminina

ENFERMARIA 17-A

Figura 42 - Sentados: Dr. Oswaldo Dick, Dr. Heitor Cirne Lima, Diretor do Serviço de Câncer e Dr. Edgar Diefenthaeler, Diretor da Enfermaria. Em pé: Externo Jorge de Rocha Lima, Ext. Carlos N. Appel – Int. Anésio Edwino Piccinini e Ext. Elon Wood Barcelos.

A sessão sob a presidência do Dr. Bruno Marsiaj que relatou de que foi procurado pelo Dr. Enio Amoretti Gomes, o qual era portador de uma carta do Dr. Hugolino de Andrade que, na qualidade de Presidente da Sociedade Médica de Livramento, vinha hipotecar sua integral solidariedade, bem como manifestar seu grande contentamento pelo plano de realizar a Primeira Jornada Cirúrgica. Manifestou ainda, o Dr. Hugolino o desejo de que fosse a cidade de Livramento escolhida em segundo lugar para ser visita pela excursão dos caravaneiros de propaganda da Jornada.

Figura 43 - Ennio Amoretti Gomes - CRM nº 304 Primeiro médico a solidarizar-se oficialmente à fundação da AMRIGS.

Durante esta sessão ficou acertado a as seguintes resoluções:

1° Realização de propaganda através da imprensa e do rádio, em outubro da Primeira Jornada de Cirurgia;

2° Programação de visita ao reitor da Universidade, Dr. Alexandre Martins de Rose, para solicitar-lhe apoio moral e material por parte da Universidade;

3° Programação de uma visita ao Dr. Eliseu Paglioli, felicitando-o pelo êxito do II Congresso de Neurologia Sul-Americano que acabava de realizar-se em Porto Alegre;assina a Ata, 29de maio de 1951. Dr. José Serafim Antunes

1° de junho de 1951

Ata da Sociedade de Medicina de Porto Alegre

Assunto: A Sociedade de Medicina de Porto Alegre anuncia que a Fundação da AMRIGS deverá ser realizada durante as Jornadas Cirúrgica desta Sociedade

 

“No dia 1° de junho de 1951, reuniu-se à s 20:30 horas, sob a presidência do Dr. Paulo Queiroz Tibiriçá, a Sociedade de Medicina na sua IV sessão ordinária {...} Em seguida o Sr. Presidente fez um relato da reunião dos presidentes das diversas associações médicas da capital , para tratarem da organização da Associação de Medicina do Rio Grande do sul. Ficou em princípio assentado, que em outubro , por ocasião das jornadas de cirurgia, fosse instalada a Associação de Medicina do Rio Grande Sul...”.

 Esta Ata foi redigida pelo secretário Dr. Franklim Veríssimo.

Figura 44 - Dr. Franklim Veríssimo

Reunião de 8 de junho de 1951

Ata da segunda reunião da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rio Grande do Sul.

Assunto principal: Dr. Bruno Marsiaj em nome da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, convida a Comissão Organizadora de a AMRIGS colaborar nas caravanas que irão ao interior do Rio Grande do Sul preparando as Jornadas de Cirurgia.

“Aos 8 dias do mês de junho de 1951(mil novecentos se cinqüenta e um) reuniram-se na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, às 20:30 Hs., os membros da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rio Grande do Sul,composta dos presidentes das Sociedades Médicas de Porto Alegre, em pleno funcionamento.Foram presentes: Prof. Paulo Tibiriçá, presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre; Dr. Prates de Sinre, representando o Dr. Luiz Brandão de Mello, presidente da Associação de Médicos e Odontólogos extranumerários do Departamento Estadual de Saúde; Dr. Cesare Cardoso Nanini, presidente da Associação Riograndense de Tuberculose; Prof. José Carlos Fonseca Milano, representando o Prof. Luiz F. Guerra Blesmann, presidente da Regional do Rio Grande do Sul,Capítulo Brasileiro do Colégio Internacional dos Cirurgiões; Dr. Lafayette Brandão, presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia do Rio Grande do Sul; Dr. Ennio Campos da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifilografia –secção do RS; Dr. Gert Eichemberg , presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia –regional do RS; Dr. Ervino Diefenthaler, representando ao Dr. Fradique Correa Gomes, presidente da Sociedade de Higiene do RS; Dr. Lindolfo Dornelles, representando a Sociedade de Combate ao Câncer do RS; Dr. Frederico Ritter, presidente da Sociedade de Neuropsiquiatria do RS; Dr. Mário Araújo Azambuja, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia do RS; Dr. Carlos Bento Hofmeister, representando ao Dr. Décio Martins Costa, presidente da Sociedade de Pediatria do RS; Dr. Carlos Bento da Sociedade de Tisiologia do RS. Aberta a sessão pelo presidente, Prof. Paulo Tibiriçá, este explicou à casa os motivos pelos quais ainda não tinha sido publicado pela imprensa o manifesto à classe médica do Estado.Sugere que, ao invés de publicar-se pela imprensa faça-se a sua impressão. Depois de debatida a sugestão, fica acertado que, além da impressão do manifesto, será feita a sua publicação numa edição de terça-feira do Correio do Povo (qualquer página) e Diário de Notícias (2ª pagina). O Prof. diz que, para expedição dos manifestos , um dos laboratórios se prontificou a fornecer seus serviços.O Dr. Bruno Marsiaj objeta que o fichário do citado laboratório é incompleto pois não exclui médicos que não recitam, como radiologistas, anestesiologistas e etc.É lembrado então, o fichário do imposto Sindical do Sindicato dos Médicos O Dr. Bruno Marsiaj acha ótima a idéia, pois trata-se de um fichário mais completo.

A propósito, lembra que deve haver mútua cooperação entre a Associação e o Sindicato, pois cada uma das entidades tem seu âmbito de ação próprio definido, podendo ambos complementarem-se. Pede então que a casa oficie ao presidente do Sindicato, Prof. Álvaro Barcellos Ferreira, dando ciência dos desejos de mútua colaboração entre a Associação e Sindicato, convidando-o, ao mesmo tempo, para assistir às futuras reuniões da comissão.A proposta do Dr. Bruno é aprovada por unanimidade. Com relação a impressão tipográfica do manifesto, várias tipografias são lembradas, tais como: Sul Impressora, União e Jornal do Dia. O Dr. Gert S. Eichemberg propõe que se mande fazer, além de 3000 manifestos e envelopes, mais papéis de ofício e os respectivos envelopes com o cabeçalho: Associação Médica do Rio Grande do Sul – em organização. A proposta é também aprovada. O Dr. Mário Araújo Azambuja propõe que se envie também
às sociedades médicas do interior manifestos, a fim de que estes promovam a sua publicação e leitura pela imprensa e rádio respectivamente. Também esta proposta é aprovada. A seguir o Dr. Bruno Marsiaj pede a palavra e, em nome da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, convida a Comissão Organizadora colaborar nas caravanas que irão ao interior do RS., preparando as Jornadas de Cirurgia.

Lê então a carta que recebera da Sociedade de Medicina de Rio Grande, hipotecando solidariedade e apoio a fundação da AMRIGS. Diz que todo o interior esta vibrando. Cita que cidades como Livramento, Cruz Alta, Caxias, Passo Fundo, Canela, Rio Grande, Santa Maria, Alegrete. Sugere ainda que se inicie com as caravanas a campanha financeira. A proposta do Dr. Bruno é unanimemente aceita. Assim elementos da Comissão Organizadora farão parte das caravanas da Sociedade de Cirurgia. A seguir o Dr. Paulo Tibiriça sugere criar dentro da comissão, sub-comissões que seriam chamadas de: Finanças; de Defesa de Classe., de Construção da Sede, de Propaganda e de Estatutos.Há então viva discussão, havendo vários pontos de vista. Submetida a notação, a proposta do Prof. Tibiriçá é aprovada. Fica deliberado também que o presidente da Comissão Organizadora escolha o chefe de cada sub-comissão e estas, por sua vez, escolhessem o s demais companheiros . Assim, ficaram formadas as seguintes sub-comissões: de Estatutos e Propaganda:Prof. Tibiriçá, presidente; Dr. Frederico Ritter, Dr. Décio Martins Costa; Dr. Mário Azambuja. De Construção da Sede: Dr. Bruno Marsiaj, presidente; Dr. Cesare Cardoso Nanini; Dr. Lafayette Brandão, faltando escolher mais um membro. Como representante da Sociedade de Medicina será convidado o pRof. Rubens Maciel a fazer parte da mesma, De Finanças: Dr. Carlos Bemto, presidente; Dr. Domingos Claussel; Dr. João Fernandes e Prof. Antônio de Saint Pastous de Freitas. Da União e Defesa da Classe: Dr. Luiz Brandão de Mello. Como este estava ausente, ficou para a próxima sessão a designação dos demais membros da dita sub-comissão. Ao encerrar-se a sessão, o Dr. Carlos Bemto lembra que a Associação esta com pouca verba em caixa, quantia insuficiente para a publicação do manifesto. Então o Dr.; Lafayette Brandão, em nome da Sociedade de Anestesiologia,; o Dr. Cesare Nanimi, em nome da Sociedade Riograndense de Tuberculose; o Prof. José Carlos Fonseca Milano, em nome da Regional do RS do capítulo Brasileiro do Colégio Internacional dos Cirurgiões; Dr. Gert S. Eichemberg, em nome da Regional do RS da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, doem cada um respectivamente Cr$ 1000,00 (mil cruzeiros). Os Drs. Ervino Diefenthaeler e Lindolfo Dorneles, em nome das Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia e Sociedade de Combate ao Câncer, entregaram Cr$ 500,00(quinhentos cruzeiros). Como a ordem do dia estivesse esgotada e ninguém mais quisesse fazer uso da palavra, foi encerrada a sessão pelo Sr. Presidente, às 23: 30mHs., qual, para constar foi lavrada a presente ata que vai por mim assinada pelos presentes a terceira reunião da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rs. Em tempo; a Sociedade Médica de Combate ao Câncer do RS doou a importância de Cr$ 1000,00(mil cruzeiros) e não conforme consta na ata de Cr$ 500,00(quinhentos cruzeiros).

POA, 8 de junho de1951

Assinam a ata:

Prof. Paulo Tibiriçá Prof. Carlos Fonseca Milano

Prof. Álvaro Barcellos Ferreira Dr. Bruno Marsiaj

Dr. Mario Azambuja e Dr. Ennio Campos

Nota do relator: Nesta memorável reunião, o Dr. Bruno Marsiaj, em nome da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre, convida a Comissão Organizadora da fundação da AMRIGS para colaborar nas CARAVANAS que irão ao interior do Rio Grande do Sul para uma propaganda conjunta, ou seja, para divulgar simultaneamente: A fundação da AMRIGS e a Primeira Jornada de Cirurgia. A proposta é unanimente. A seguir, o Dr. Bruno lê uma carta que recebeu da Sociedade de Medicina de Rio Grande, hipotecando solidariedade e apoio à fundação da AMRIGS.

Este precioso momento de agregação societárias, que culminaram com a estimulação e primeiro manifestação de apoio a criação da AMRIGS, lembra a figura de Carlitos, nas cenas finais do filme, “ Grande Ditador”, numa oração eufórica de esperança ao vislumbrar novos futuros para seu povo, depois de tantos sacrifícios nazistas na II Grande Guerra Mundial:

“Olha para o céu, olha para o alto

As nuvens se desvanecerão

O sol abrirá caminho

Sairemos das trevas para a luz...”

Charles Spencer Chaplin

12 de junho de 1951

Ata da 7ª Sessão da Sociedade de Cirurgia

Assuntos: 1- Revelação do nome do colega que propôs a segunda manifestação de solidariedade para a fundação da AMRIGS

2-Início das caravanas: marcação de datas, locais e nomeação dos médicos palestrantes.

Nesta sessão, o Dr, Bruno Marsiaj, como Presidente da Sociedade de Cirurgia, revela:

1° O nome do Dr. Ennio Amoretti Gomes, como sendo o autor que, em nome da Sociedade de Medicina da cidade Rio Grande “ hipoteca inteira solidariedade ao movimento que visa a criação e instalação da AMRIGS, fato esse que havia sido comunicado de modo apócrifo na Reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS, no dia oito de junho de 1951”

 2 ° - Comunica que:

De acordo com as programações previstas ficaram assentadas as seguintes excursões:

a)                  Dias 29 e 30 de junho em Rio Grande, possivelmente com a participação dos seguintes colegas: Dulio Perrone, que dissertará sobre: “Pneumoperitonio  progressivo nas eventrações”; Professores Milano e Rubens Maciel, que proferirá  palestras sobre Pericardites”; Dr. Alberto para com o tema “ Ressecção  Endoscópica de Próstata e o Prof. Thauphick Saadi, com o tema “Cirurgia do  Tórax”.

b) Dia 7 de junho em Alto Taquari (Lageado), conferência do Prof. Tibiriçá com tema sobre classificação dos tumores.

b)                  Em data a ser marcada em agosto, Santana do Livramento, com palestra do Dr. Alberto de Rose com o tema “Cirurgia Endoscópica da Próstata”. Também será realizada a palestra “Vias Biliares”, pelo Dr. Bruno Marsiaj.

As caravanas foram inspiradas pela criatividade do Dr. Bruno Atílio Marsiaj e são por mim interpretadas “como promessas de erradicação da solidão cultural, científica e isolamento social do médico interiorano, campesino”.

15 de junho de 1951

Ata da reunião da Sociedade de Medicina de porto Alegre

Assunto: Manifesto da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, propondo a divulgação da criação da AMRIGS pelas caravanas da Sociedade de Cirurgia

No dia 15 de junho de 195, reuniu-se a Sociedade de Medicina de Porto Alegre, na sua V reunião ordinária, sob a presidência do Prof. Paulo Tibiriçá, na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, com início às 20: 30 horas. Com a palavra, o Sr. Presidente passa a falar sobre a organização da AMRIGS, dizendo de suas finalidades, dos passos dados para sua concretização, comunicando, outrossim que as caravanas da Sociedade de Cirurgia durante as suas viagens ao interior do Estado fizessem simultaneamente a propaganda da primeira jornada de cirurgia e da idéia da nova associação.

20 de junho de 1951

 Ata da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Assunto: Narrativa da Primeira Excursão de propaganda a Caxias do Sul e municípios vizinhos.

“O verdadeiro caminho a ser percorrido

pelo amor não esta livre de dificuldades”

 Willian Shakespeare

Nesta data o Dr. Bruno Marsiaj narra a epopéia da Primeira Excursão de propaganda “por amor a medicina, percorremos caminhos empoeirados e estradas barrentas, chegando com grande dificuldade à Caxias do Sul no dia 16 de junho de 1951”. A reunião contou com a presença de quarenta médicos, oriundos dos municípios vizinhos como Antônio Prado, Veranópolis, Flores da Cunha e Nova Prata. Após a conferência científica foi apresentado, pelo Prof. Tibiriçá, o plano de criação da AMRIGS, da fundação da “Casa do Médico” e da realização da primeira Jornada Cirúrgica. A conferência científica do Prof. Tibiriçá marcou o início da interiorização cultural, que deverá ser registrada da AMRIGS.

Assina a Ata o Dr. Serafim Antunes. Porto Alegre, 20 de junho de 1951.

OS CARAVANEIROS DAS ESTRADAS BARRENTAS

As caravanas devem ser interpretadas como veículos de erradicação da solidão cultural, científica e isolamento social do médico por todos os rincões de nosso Estado, cristalizando a idéia da agregação de todas as sociedades médicas numa única entidade- a AMRIGS

Citação do Dr. Nicolau Laitano.

As noites tenebrosas proporcionadas por colegas cruéis, desumanos e contrários a fundação da AMRIGS logo será vencida por colegas cheios de bondade, ternura e ciência fizessem surgir um dia claro, cheio de luzes. Esses colegas imbuídos com espírito associativo são homens iguais àqueles propostos pelo astrônomo Eddington em sua obra “Space, time and gravitation”, onde diz: “Enquanto o homem viaja com a velocidade da luz goza da imortalidade e da eterna juventude”.

A partir da data de 15 de maio de 1951 - em Ata que anunciava a proposta de criação das Caravanas de propaganda para a 1ª Jornada de Cirurgia Sul Riograndense e promover a criação da AMRIGS - “organizaram-se caravanas que atraiam os colegas com conferências científicas ao fim das quais eram debatidos problemas da classe médica e a necessidade de união”.

De um artigo publicado no Jornal AMRIGS - Edição extra, Ano XXII, janeiro de 1974 reproduzimos a seguinte matéria: “Antes de surgir a AMRIGS como fator enzimático no desenvolvimento de um pólo médico em Porto Alegre, os grandes centros eram Buenos Aires e Montevidéu, para onde se dirigiam os pacientes com mais posses, esquecendo-se inclusive o eixo Rio-São Paulo.

Entre os líderes da classe culminaram suas longas incursões pelo Interior, através de estradas barrentas, frio chuva, mobilizando colegas para a fundação de uma federação. Por ruas menos embarradas, mas talvez por caminhos mais duros e difíceis, se desenvolvia em Porto Alegre intenso trabalho de bastidor, que muitas vezes ameaçou o êxito da idéia: a penosa fusão das 12 ou 14 sociedades médicas existentes que viriam constituir a AMRIGS, sendo a Sociedade de Medicina de Porto Alegre a última consentir, por seu presidente, Paulo Tibiriça.

“Pretendia-se reunir, instruir, divulgar, criar hábitos para a freqüência em conclaves, despertar e treinar para a presença atuante nestas reuniões e consolidar na Capital um núcleo de atração e aperfeiçoamento médico”.

Os Caravaneiros

Dentre os abnegados que sacrificaram seus fins de semana em viagens estafantes, destacamos os seguintes, embora correndo o risco de algum involuntário esquecimento:Osório Lopes, Alberto Viana da Rosa, Rubens Maciel, João Batista Fernandes, Lafayette de Freitas Brandão, Salomão Cuti, José Carlos Milano, Ivo Kulh, José Martins Job, Darcy de Oliveira Ilha, Antônio Azambuja, Fradique Correa Gomes, além naturalmente do Dr. Bruno Atílio Marsiaj – a mãe da AMRIGS- e o Prof. Paulo de Queiroz Telles Tibiriçá- o pai da AMRIGS, eles criaram uma valorosa AMRIGS e se imortalizaram.

 Para min., os colegas acima citados são figuras Camonianas, perfeitamente enquadradas no Verso I, Canto Primeiro de “Os Lusíadas”:

“As armas e os barões assinalados

Que, da ocidental praia lusitana

Por mares nunca dantes navegados

Passaram ainda além da tapromana,

Em perigos e guerra esforçados

Mais do que prometia a força humana,

E entre remota edificaram

Novo reino que tanto sublimaram

É que aqueles que por suas obras valorosas

se vão da lei de morte libertando”

Canto Primeiro, Verso II de “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões.

 

Figura 45 – Retrato de Camões pintado em Goa, em 1581, por artista de nome Pinto. O original desta reprodução é de propriedade do Exmo. Sr. Marquês de Rio Maior

Classificando de “momentosas” as declarações de Bruno Marsiaj, então presidente da Sociedade de Cirurgia, o jornal cita nomes familiares - Paulo Tibiriçá, Antônio Azambuja, João Fernandes, Mário A. Azambuja, Dulio Perrone, Rubens Maciel, José Carlos Fonseca Milano, Ivo Kulh, Osório Lopes, Alberto Rosa, Fradique Gomes, Darci Ilha, José Job, João Maia – como integrantes entre outros das “caravanas médicas”

Refletindo o pensamento do entrevistado, afirma com segurança que “já esta vencedora a campanha que se esta travando pelo Rio Grande do Sul que visa unir todas as sociedades médicas do Estado, já existentes, e as que vierem a se fundar, numa federação que tomará o nome de Associação Médica do Rio Grande do Sul - AMRIGS”. (5) Procurar fonte desta notícia.

 Ficaram assentadas as seguintes excursões-caravanas:

a)      Dias 29 e 30 de junho em Rio Grande, possivelmente com a participação dos seguintes colegas: Dulio Perrone, que dissertará sobre: Pneumoperitonio Progressivo nas Eventrações; Professores Milano e Maciel, que proferirá palestra sobre Pericardites; Dr. Alberto para com o tema Ressecção Endoscópica de Próstata e o Prof. Thauphick Saadi com o tema Cirurgia do Tórax.

b)     Dia 7 de junho em Alto Taquari( Lageado), conferência do Prof. Tibiriça com tema sobre Classificação de Tumores.

c)      Em data a ser marcada em agosto, Santana de Livramento, com palestra do Dr. Alberto de Rose com o tema Cirurgia Endoscópica da Próstata. Também será realizada a palestra Vias Biliares pelo Dr. Bruno Marsiaj.

 Estas caravanas eram realizadas com custos/despesas pelos médicos, sem ressarcimentos por parte das sociedades que constituíam. Utilizando seus veículos particulares ou ônibus de excursão nossos colegas, viajando com a velocidade da luz, percorreram estradas barrentas no inverno e empoeiradas no verão, através dos rincões do Rio Grande do Sul, recebendo o honroso epíteto de caravaneiros. - mas houve quem ousou usar outro meio de locomoção, a fim de ganhar tempo e encurtar distâncias como assim é contado no parágrafo que segue.

Francisco Orcy: O Charles Lindenberg dos céus pampeiros, caravaneiro do ar

 

“O avião e o rádio, nos aproximam.

A verdadeira natureza desses inventos,

falam-nos da bondade do homem”

Charles Spencer Chaplin

 O Dr. Francisco Orcy, médico presidente da Sociedade de Medicina de Uruguaiana, foi um dos médicos mais empolgados com a condição de caravaneiro: entusiasmado com suas tarefas missioneiras, com recursos próprios, alugou um avião e percorreu vários municípios fronteiriços de sua cidade, reunindo assinaturas para garantir recursos pela campanha pró-construção da sede da AMRIGS. (Jornal da AMRIGS. Ano XII - Janeiro de 1974)

Comparamos, as façanhas aéreas pelos céus do Rio Grande, realizadas pelo Dr. Orcy, ao pioneirismo do aviador Charles Lindbergh, a “Águia Solitária” que, em 1924, realizou o primeiro vôo – sem escalas – entre Nova York e Paris no monoplano tipo Ryan, chamado de “ Spirit of Saint Louis”. Este mesmo aviador Lindbergh viria a ser lembrado quando desenvolveu com Alexis Carrel, o primeiro coração artificial da medicina. Carrel é considerado o pai da cirurgia dos vasos sanguíneos e dos transplantes de órgãos.

 

O Dr. Francisco Orcy nasceu em Uruguaiana a 11 de janeiro de 1891. Fez seus estudos primários e secundários no Colégio União e Ginásio Santana de sua cidade natal e Ginásio Julio de Castilhos de Porto Alegre. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, defendendo a tese: “Da Angina de peito no Tabagismo”. Especializou-se em Cardiologia e Eletrocardiografia. Empreendeu diversas viagens de estudos a Buenos Aires, Montevidéu e Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo aí curso de cardiologia, no Hospital Municipal, sob a direção do Prof. Dante Parquese e curso de Parasitologia com o Prof. Cezar Pinto. Participou do Congresso Médico de Porto Alegre e do 1º Congresso Médico da Fronteira, celebrado em Livramento. Foi presidente da Sociedade de Medicina de Uruguaiana e desempenhou as funções de Diretor do Hospital de caridade de sua cidade onde por longo tempo exerceu sua profissão.

Figura 46 -Francisco Orcy

 

Figura 47 - 1936: O francês Alexis Carrel desenvolve o primeiro coração artifi cial, junto com o aviador Charles Lindbergh. É considerado o pai da cirurgia de vasos sangüíneos e dos transplantes de órgãos. National Library of Medicine, Bethesda

Figura 48 - Charles Lindbergh com sua aeronave monoplano Spirit of Saint Louis

 

Caravaneiros –Colaboradores da Fundação da AMRIGS

 

Dr. José Kutin

 

Joel M. Job

 

Carlos Osório Lopes

 

Dr. Bruno A. Marsiaj

 

João Batista Fernandes

 

José Serafim Antunes Filho

 

Darcy de Oliveira Ilha

 

Prof. Ivo Adolpho Kuhl

 

Lafayete de Freitas

 

 

 

 

Dr. José F. Milano

 

Dr. Dulio Perrone

 

Dr. Antonio Azambuja

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Figura 49 - De pé: Fradique Correa Gomes.

Sentados: Prof. Tibiriçá, Dr. Bruno A. Marsiaj, Prof. Rubens Maciel e Dr. Alberto Roja.Foto: Arquivo da AMRIGS

 

 

Plano para criação da AMRIGS é apresentado na cidade de Rio Grande

Nos dias 29 e 30 de julho de 1951 os “Cravaneirso”, chefiados pelo Dr. Tibiriçá e Dr. Bruno Marsiaj, chegam à cidade de Rio Grande, onde foram recebidos pelos Drs. Ennio amrety Gomes e sua esposa Luiza Menna Barreto. À noite no Salão de Festas do Clube do Comércio, os caravaneiros da AMRIGS foram Comtemplados com um jantar festivo. Nesta ocasião o Dr. Bruno Marsiaj explicou aos presentes os planos de fundação da AMRIGS

Figura 50 - Foto panorâmica do salão de festas do Club de Comércio cidade de Rio Grande, nas datas de 29 e 30 de 1951, realizou-se uma das mais importantes reuniões dos caravaneiros da AMRIGS. Foto: Arquivo da AMRIGS

Figura 51 - Caravaneiros homenageados na cidade de Rio Grande em 29 e 30 de junho no Salão de Festas do Clube de Comércio, por ocasião do jantar festivo oferecido pelo Presidente da Sociedadde Médica do Rio Grande, Dr. Eninio Amarety Gomes. Da esquerda para direita: Prof. Tibiriçá ladeado po sua esposa, sra. Celina Mendes Cunha,diretora da Escola de Enfermagem de Porto Alegre, Dr. Bruno A. Marsiaj,tendo ao seu lado a sra. Maria Luiza Menna Barreto Gomes, seguindo-se o Dr. Ennio Amorety, de corpo inclinado.

Figura 52 - Discurso do Dr. Bruno A. Marsiaj no Salão de Festas do Clube do Comércio da cidade de Rio Grande, explanando os objetivos da fundação da AMRIGS.

Figura 53 - Público presente no salão Nobre do Clube do Comércio de Rio Grande, durante discurso do Dr. Bruno A. Marsiaj, caravaneiro discursando sobre a fundação da AMRIGS.Foto:Arquivos da AMRIGS

Figura 54 - Caravaneiros da AMRIGS recebidos no Salão Nobre da Sociedade de Benefi ciência da cidade de Rio Grande. Em destaque da E. para D. as fi guras do Dr. Salamão Cuti,do dr. Mariano da Rocha Filho e Dr. Fernando Pombo Dornelles. Foto: Arquivos da AMRIGS.

Figura 55 - Cidade de Rio Grande - Caravaneiros da AMRIGS, recebidos pela Irmã Diretora da Beneficiência Portuguesa no seu salão nobre. Da E. para D. destacamos o Dr. Duílio Perrone, Dr. Laviera Laurindo, usando avental branco , Dr. Fernando Pombo Dornelles. Fazem parte da foto esposa dos caravaneiros e damas da sociedade local. Foto: Arquivos da AMRIGS

Figura 56 - Caravaneiros da AMRIGS recebidos no salão nobre da Benefi ciência Portuguesa da cidade de Rio Grande. Em destaque da E. Para D. as figuras do Dr. Salamão Cutin, Dr.Mariano Rocha Filho e Dr. Fernando Pombo Dornelles.Foto: Arquivos da AMRIGS


3 de julho de 1951

Ata da Socieddade Cirúrgica de Porto Alegre

 10ª sessão

Assuntos: Plano de criação da AMRIGS é apresentado pelos caravaneiros na cidade de Rio Grande.

A propaganda da criação da AMRIGS e da atuação dos caravaneiros, ultrapassam as fronteiras do Rio Grande do Sul e atingem Santa Catarina- cidade de Piratuba.

A reunião presidida pelo Dr. Bruno Marsiaj, expõe o que foi a excursão realizada em Rio Grande, dia 29 de julho de 1951: havia cerca de quinze médicos com sua esposas respectivas esperando a caravana no aeroporto e bem assim o Sr. Prefeito Municipal e o Presidente da Câmara de Vereadores. Foi filmada a chegada, e bem assim um programa impresso. Na noite de 29, fez sua conferência o Dr.Alberto Rosa e depois o Dr. Bruno passou a relatar o que será a 1ª Jornada de Cirurgia e depois alongou-se sobre a AMRIGS. À noite, durante o jantar, o Dr. Bruno fez propaganda a respeito da criação da “Casa do Médico”. À noite, a comissão foi saudada pelo Dr. Mário Lacerda Werneck

 Nessa reunião é registrado o recebimento da correspondência enviada pelo Dr. David Niderauer Correia, médico do Balneário de Piratuba - Santa Catarina. Tive a felicidade de conhecer este ilustre colega a partir de agosto de 1969 quando fui morar em Jaborá –SC- pra trabalhar no Hospital Beneficiente Santo Antônio.

5 de julho de 1951

Ata da terceira reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS

Assuntos: Terceira manifestação de solidariedade para fundação Ada AMRIGS procedente de Passo-Fundo.

O Dr. Tibiriçá comunica que recebeu de Passo Fundo uma carta hipotecando solidariedade à fundação da AMRIGS e dando conta que naquela cidade fora fundado um núcleo composto de 24 médicos, liderados pelos Drs. Ademar Petracco e Tasso Vieira de Faria, na qual este se prontifica colaborar com a Comissão naquilo que lhe for solicitado.

Transcrição da Ata

{...} Aos cinco (5) dias do mês de julho de mile novecentos e cinqüenta e um (1951), reuniram-se, na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradas, nº 1171, às 20 horas, os membros da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rio Grande do Sul, em pleno funcionamento. Foram presentes: Prof. Paulo Tibiriça, presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre; Dr. Bruno Marsiaj, Presidente da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre; Dr. Sergio Cattani Curtis, representando o Dr. Gert Eichemberg, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – regional RS; Dr. Ennio Campos, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia e sifilografia – secção do RS; Dr. Lafayette Brandão, representando a Sociedade de Anestesia do RS; Dr. Mário Azambuja, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Oftalmologia do RS; Dr. Domingos Glusell, presidente da Sociedade de Higiene do RS; Dr. Cesare Cardoso Nanini, presidente da associação Riograndense de Tuberculose; Dr. Fradique Correa Gomes, presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do RS; Dr. Carlos bento, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia – secção RS; Prof. José Carlos Fonseca Milano, representando o Dr. Prof. F. Guerra Blesmann, presidente do Colégio Internacional dos Cirurgiões - capítulo brasileiro regional do RS; Prof. Álvaro Barcelos Ferreira, presidente do sindicato médico do RS. Aberta a sessão, pelo Prof. Paulo Tibiriça, é lida e aprovada a ata da sessão anterior. Passando o expediente, lê um ofício que enviou ao Pro. Álvaro Barcelos Ferreira, presidente do sindicato dos médicos, convidando-o a participar das reuniões da comissão. Lê ainda, um ofício do mesmo, respondendo ter aceitado o convite. A seguir, o Sr. Presidente alude a uma entrevista dada à imprensa da capital pelo Dr. Tasso Vieira de Farias, na qual este se prontifica colaborar com a comissão naquilo que lhe for solicitado. Lê, para o conhecimento da casa, o teor do telegrama que passou ao citado Dr. Tasso V. de Faria, agradecendo o valioso oferecimento. Comunica ainda que recebeu de Passo Fundo uma carta hipotecando solidariedade e dando conta que naquela cidade fora fundado um núcleo composto por 24 médicos, liderados pelo Dr. Ademar Petracco e Paulo Azambuja. Lê então, uma carta resposta, que enviou à citada comissão passo-fundense. A seguir, o Prof. Tibiriça fala da necessidade de que se oficie a todas as sociedades do interior, expondo as finalidades desta Associação e pedindo apoio. O Dr. Bruno Marsiaj, a propósito, diz que a esse respeito já tomou a liberdade de escrever particularmente ao Dr.Jorge Westifalen, de Cruz Alta, pedindo o interesse. Diz que,, por intermédio do Dr. Osório Lopes, enviou uma carta à Passo Fundo. Informa ainda que recentemente, a Sociedade de Medicina de santa Maria esteve reunida encarregando o Dr. Miguel Levi Vieira a fim de se inteirar melhor das finalidades da associação, e então lhe dar o apoio oficial. A seguir, o prof. Tibiriça relata à casa o êxito obtido com a excursão à Caxias do Sul. Diz que médicos de várias localidades vizinhas estiveram presentes e que todos os caravaneiros voltaram impressionados pelo interesse demonstrado pelas Jornadas Cirúrgicas e AMRIGS. O Dr. Bruno Marsiaj conta então o sucesso da caravana que seguiu rumo à Rio Grande, narra a série de atenções e gentilezas de que foram alvo. O Dr. Bruno cita que a próxima caravana terá por meta a região do Alto taquari. Sugere ainda, que cada caravana tenha cada vez mais conferencistas, a fim de que todos tomem parte e sobressaia o esforço coletivo e não pareça que apenas um grupo está interessado na fundação da Associação. Lembra então, os nomes de vários colegas que deveriam ser convidados para participarem das caravanas. Diz ainda, que recebeu carta do Dr. Salvador Pinheiro machado, de Alegrete, na qual este comunica que esta esperando uma caravana. O Prof. Milano cita a propósito que, em Uruguaiana, projetam até organizar um pequeno congresso por ocasião da visita da caravana.

Passando a ordem do dia, o prof. Paulo Tibiriça comunica que a comissão de Estatutos, a fim de que os membros da comissão tomassem conheciemento e apresentassem sugestões e emendas. O Dr. Bruno Marsiaj acha que o cargo de Secretário deveria ser de confiança do presidente e não eletivo. O Dr. Milano rebate os argumentos expedidos pelo Dr. Bruno e diz que se empregue, como em outras sociedades, um secretário executivo. O Dr. Carlos bento sugere que se acrecente, com fins de tornar possível receber subvenções – um parágrafo no qual consiste que os cargos são exercidos gratuitamente. A seguir, Tibiriça faz ligeiras considerações sobre a maneira como se processarão as eleições para delegados. Diz ainda o motivo pelo qual serão considerados suplentes aqueles que receberem até 5% de votação. Com relação aos votos dos sócios diretos, explicou que fará como em São Paulo: por carta em envelopes especiais para isto. O Dr. Carlos Bento chama atenção para o artigo 60. Acha que para a dissolução da sociedade se estabeleça como condição necessária um requerimento dirigido ao presidente com o mínimo de 2/3 dos sócios e fazendo exposição de motivos que alegam para tal. A seguir, o Prof. Tibiriça comunica que irá tirar férias, motivo pelo qual pede que o licencie da presidência. O Dr. Bruno Marsiaj sugere que se suspendam as sessões até agosto, pois em geral, em julho quase todos os colegas aproveitam para descanso. A sugestão é aprovada. E, como não houvesse mais assuntos para tratar, foi encerrda a sessão pelo Sr. Presidente às 22:3º horas. E, para constar, foi lavrada a presente ata que vai assinada pelos presentes a quarta sessão da Comissão Organizadora da AMRIGS.

 Em tempo: na comissão de passo Fundo fez parte ainda o Dr. Elpídio Fialh Assinam a ata: Dr. Tibiriça; Dr. Bruno; Dr. Carlos Bento; Dr. Domingos Claussel; Dr. Cesare Nanini e Dr. Milano {...}.

6 de julho de 1951

Ata da Sociedade de Medicina de Porto Alegre

Assuntos: Proposta para criação da Ordem dos Médicos

Entendimentos para a fundação da Federação das Sociedades Médicas do RS

Desligamento da Sociedade de Medicina de Porto Alegre da AMB/RJ.

A reunião ordinária é realizada na sede do Sindicato Médico, à rua dos Andradas em Porto Alegre, com início às 20: 45 horas. O Sr. Presidente Paulo Tibiriça comunica a idéia da fundação da Ordem dos Médicos, pondo-a em discussão dos presentes. Pede a opalavra o Prof. Álvaro Barcelos Ferreira comunicando que o Sindicato dos Médicos havia se manifestado contra. Nesta reunião é aprovado o desligamento da Sociedade de Medicina de Porto Alegre da Associação Brasileira de Medicina, Rio de Janeiro, por ter o mesmo âmbito estadual e por ter ideais socialistas, comunistas, pedindo greves, piquetes e desfiles de protestos. É aprovado também, continuar a Presidência nos entendimentos para a fundação da Federação das Sociedades Médicas do Rio Grande do Sul. Com 4 votos contra a casa autorizou a Presidência a filiar a Sociedade à federação. Esta Federação teve a sigla FESOMERGS.

10 de julho de 1951

Ata da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

10ª sessão

Assunto: Plano de criação da AMRIGS é apresentado pelos caravaneiros em Lageado

Excursão a Lageado: Sábado, 7 de julho, sendo caravaneiros os seguintes colegas: Prof. Rubens Maciel, José Milano, Paulo Tibiriçá e Bruno Marsiaj- estavam presentes 17 médicos com suas respectivas esposas – houve um jantar de confraternização e, apesar da chuva compassa, tudo decorreu com animação. Após o jantar, seguiram-se as conferências: falou primeiramente o Prof, Tibiriçá, sobre classificação dos tumores e, em seguida, Prof. Rubens Maciel, sobre Cirurgia do Coração; continuando, o Prof. Tibiriçá falou sobre a AMRIGS e o Prof. Rubens Maciel falou sobre a “Casa do Médico”. A seguir é passada uma lista para preenchimento de quotas capital com o qual se pretende construir a sede da AMRIGS.

 Expões o Sr. Presidente Dr. Bruno Marsiaj o pensamento de realizarem uma concentração médica de todos os colegas dos arredores dos municípios vizinhos na cidade de Porto Alegre, num sábado da segunda quinzena de agosto e nessa oportunidade prestar uma homenagem especial a AMRIGS.

24 de julho de 1951

Ata da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

13ª sessão

Assuntos: Quarta manifestação de apoio as Jornadas de Cirurgia e solidariedade à Fundação da AMRIGS. Solicitação de caravaneiros em Santa Maria

Nesta sessão, o Sr. Presidente Bruno Marsiaj, acusa o recebimento de carta do Dr. José Pinto de Moraes, presidente da Sociedade de Medicina de Santa Maria, hipotecando integral apoio às Jornadas de Cirurgia e a fundação da AMRIGS e aceitando com prazer e entusiasmo uma visita dos caravaneiros.

Nota: Deste modo é revelado o nome do autor da carta de solidariedade enviada a Sociedade de Cirurgia e anunciada na data de 17 de julho de 1951.

Ata da quarta reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS 6 de agosto de 1951

Realizada na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradasn° 1171

{...} Aos seis (6) do mês de agosto de 1951(milnovecentos e cinqüenta e um), reuniu-se na sede da Saociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradas, n° 11171, às 20:00 Hs.(vinte horas e trinta minutos), os membros da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rio Grande do Sul, composta pelos Presidentes das sociedades médicas de Porto Alegre, em pleno funcionamento.Foram presentes: Prof. Paulo Tibirica, presidente da Comissão e da Sociedade de Medicina de POA; Dr. Bruno Marsiaj, Presidente da Sociedade de Cirurgia de POA; Dr. Sergio Cattani Curtis, representando o Dr. Prof. Gert Secco Eichemberg, presidente da Sociedadde de Traumatologia e Ortopedia- regional do Rs; dr. Roberto Vhautier de Souza, representando o Prof. Antônio Saint-Pastous de Freitas; presidente da Sociedade de Medicina de Combate ao Câncer no RS; Dr. Fradique Correa Gomes, presidente da Sociedadde de Ginecologia e Obstetrícia do RS; Dr. Mário Araújo Azambuja, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Oftalmologia do RS; Dr. Cesare Cardoso Nanni, presidente da Associação Riograndense de Tuberculose; Dr. Carlos bento, presidente da Sociedade de Tisiologia do RS; Domingos Clusell, presidente da Sociedade de Igiene do RS.    


A sessão é aberta pelo presidente da Comissão, Prof. Paulo Tibiriçá que lê o expediente que contava do seguinte: ofício de solidarieadade da Sociedade de Medicina de Santa Maria, à idéia de fundação da AMRIGS; ofício do centro de estudos do ambulatório do Instituto de Pensões e Aposentadoria dos Comerciários; carta dos Drs. José Athanásio e Luiz Picarelli, de São Jerônimo, hipotecando e pedindo instruções para a organização da secção regional da AMRIGS naquele município; carta do Dr. Roberto Pinto Ribeiro, de Porto Alegre, hipotecando solidariedade à idéia da fundação da AMRIGS; carta do Dr. Elias Bem David, soliarizando-se com a comissão organizadora; carta do Dr. José Atílio Vera, de Soledade, pedindo instruções para a fundação de uma secção regional da AMRIGS naquele município; carta do Dr. Francisco Orcy. Dirigida ao Dr. Bruno Marsiaj; A seguir, usa da palavra o Dr. Bruno Marsiaj para relatara à comissão os sucessos das caravanas que visitaram; Lageado, Bagé e Livramento. A caravana que demandou ao Alto Taquari foi composta pelo Prof. Paulo Tibiriçá, Prof. José Carlos Milano, Dr. Prof. Rubens Mciel, Dr. Paulo Maia e Dr. Bruno Marsiaj. Diz que, apesar do mal tempo reinante na ocasião, compareceram à reunião 8 médicos da região. Na reunião de Uruguaiana, que constituiu outro sucesso, compareceram cerca de 20 médicos, os quais subscreveram unanimaente a lista para subscrição de cotas para a cosntrução da sede da AMRIGS. Naquela ciadde fizeram confeências os Drs. Fradique Correa Gomes –sobre câncer genital- e Alberto Rose – sobre ressecçãoes Endoscoópicas da Próstata. Em Alegrete, a caravana teve ótima impressão da uniadade da classe médica. Foram presentes 22 médicos. “Nessa cidade, fizeram conferências os Drs. João Fernandes sobre o “valor semiológico” do ECG” e Bruno Marsiaj falou sobre “ radiometria na cirurgia das vias biliares”. Diz ainda o Dr. Bruno que pode cosntatar durante a excurssão à fronteira a influência da medicina uruguaia naquelas cidades. Comunica que, na próxima semana, seguirão caravanas rumo à Santa Maria, Alegrete e Uruguaiana. Em Santa Maria deverão fazer palestras os Drs. Alberto Rosa e Darcy de Oliveira Ilha; em Alegrete, falarão os Drs. José Carlos Milano e Eduardo Farias. Em Uruguaiana, foram conviadados os Drs. Domingos Clausell, Prof. Tibiriçá e Ivo Kulh. Comunica ainda o Dr. Bruno Marsiaj que ainda este mês seá fundado o Colégio Brasileiro de Radiologista – regional RS. Passou-se a seguir á ordem do dia, no qual cosntava da discussão de ante-projeto dos estatutos da AMRIGS. Como houvesse membros que ainda não tinham tido oportunidade de estudar mais demoradamente o ante-projeto estatutário, resolve-se que na próxima sessão seriam discutidas as emendas que fossem aprsentadas por escrito. Foi sugerido nessa sessão se fizesse unma região geral do mesmo ante-projeto. Inicialmente, o Dr. Clausell indaga se a associação terá sócio direto. O Prof. Tibiriçá explica que fará parte da Associação quem pertencer à uma sociedade filiada ou à uma secção regional da AMRIGS e, só onde não houver nenhuma outra, terá então a Associação sócio direto. Explica então que os sócios votarão pelo correio, enviando uma lista de nomes, sendo primeiro para o 1° secretário e o segundo nome para o 2° secretário e assim por diante, até ser escolhido o delegado que os representam. Haverá um delegado para cada 30 sócios diretos. O Dr. Bruno sugere que se faça essa quota ser diminuída para 20. A seguir, o Prof. Tibiriçá explica os motivos porque acha conveniente que na assembléia geral os sócios sejam representados por delegados e não apenas por um delegado. É abordado a seguir o problema da escolha dos delegados que representarão as sociedades médicas de Prto Alegre, onde o médico pertence a várias delas. Neste caso, um só associado teria tantos votos quantas sociedades pertencesse. Há então uma discussão e várias fórmulas são representadas para a solução do problema. O Dr. Bruno Marsiaj sugere que se faça uma quota para Porto Alegre e sedistribua para os sócios das sociedades, de acordo com o número de sócios. O Prof. Tibiriçá acha que se organizando um sistema eleitoral pelo qual cada associado só poderia votar uma vez. Seria fornecido um título com o nome do portador e o nome da sociedade pela qual o sócio deseja votar. O Dr. Cesare Nanni se mostra contrário e explica que na sua associoação todos os sócios são obrigados a fazerem parte da Sociedade de Medicina de Porto Alegre. Se todo sos seus soócios votassem com a Sociedade de Medicin, então a Associação Riograndense não teria reprresentação na assembléia geral, apesar de filiada à AMRIGS. Afinal, após muita discussão, chega-se a um acordo. É aprovada a proposta inicial do Dr. Bruno Marsiaj modificada pelo Prof. Tibiriçá. Assim, em Porto Alegre e de modo geral nos municípios onde houvesse mais de uma sociedade seria estabelecida uma quotoa para esse município, de acordo com o número de associados à AMRIGS, Essa quota seria então dividida às diversas sociedades filiadas, de acordo o seu número de sócios. Surge entõ o problema das sobras que fatalmente se dará. O Prof. Tibiriçá apresenta então um sistema de votos proporcionais, que julga resolver a situaçãp. A mesma é aprovada. Fica resolvido também, que seja diminuído também, que seja diminuído o número de sócios para cada delegado. Assim as assembléias gerais seriam cosntituídas por delegados das sociedades filiadas e das secçãoes regionais, na proporção de 1 para cada grupode 15 sócios para as sociedades filiadas e 1 pra cada grupo de 15 sócios ou fração maior de 10 sócios para as secções regionais. A seguir, como não houvesem mais assuntos na ordem do dia, foi encerrada a sessão, às 23:15 horas, pleo Sr. Presidente, do qual para constar foi lavrada a presente ata que vai assinada pelos presentes à quarta reunião da Comissão Organizadora da Associação Médica do Rio Grande do Sul, Nota: em Uruguaiana já é exsitente a Sociedade de medicina, que hioteca solidariedade e enviou lista de seus sócios e não conforme como diz a ata.

Assinado:

Domingos Claussel

Paulo Tibiriçá

Cesar Nanni

Bruno Mardsiaj

Carlos Bento Gert Eichemberg.

24 de agosto de 1951

Ata da quinta reunião da Comissão Organizadora da AMRIGS

Realizada na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradas , n° 1171

 {...} Aos 24 dias do mês de agosto, reuniram-se na sede da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, à Rua dos Andradas, 1171, os membros da Comissão Organizadora da AMRIGS. Estiveram presentes: O Prof. Paulo Tibiriçá, pela Sociedade de Medicina de Porto Alegre; Dr. Gert Eichemberg, pela Sociddae Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, secção RS; Sr. Fernando carneiro Becker, representando o Dr. Bruno Attilio Marsiaj, Presidente daSociedade de Cirurgia do RS; Dr. Cesare C. Nanni; Presidente da Associação Rio-Grandense de Tuberculose;Dr. Cláudio Heller Fichtner, representando o Dr. Frederico Ritter, Presidente da Sociedade de Neuro-Psiquiatria do Rs,: Dr. Fradique Correa Gome, Presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do RS;Dr. José Carlos Fonseca Milano, representando o Dr. Luiz Guerra Blesmann, Presidente do Cplégio Nrasileiro de Cirurgiões. Capítulo brasileiro; Dr. Domingos Claussel, presidente da Sociedade de Higiene do RS; Dr. Carlos bento, Presidente da Sociedade de Tisiologia do RS; Dr. Enio Candiota de campos, Presidente da Socidade Brasileira de Dermatologia e Sifologia, secção RS; Dr. Mário Azambuja, Presidente da Sociedade Otorrinolaringologia e Oftalmologia do RS e o Dr. Álavrao Barcelos Ferreira, Presidente do Sindicato Médico do RS – como convidado especial.

Inicialmente é lida e aprovada a ata da sessão anterior. A seguir, o Tibiriçá fala da sessão anterior. A seguir, o Prof. Tibiriçá fala sobre a excursão realizada pela caravana que seguiu para Santa Maria, Alegrete e Uruguaiana. Segunada-feira, em santa Maria, fizeram confer~encias: Dr. Alberto Viana da Rosa, sobre ressecção endoscópica de tumores do colo vesicale o Dr. Darcy de Oliveira Ilha, radiologia do aparelho urinário. Teça-feira, em Alegrete, proferiram confer^Çencias os Prof. Tibiriçá, sobre classificação dos TU, o Dr. Darcy Oliveira Ilha, sobre radiologia e aparelho urinário. Quarta-feira, em Uruguaiana, fizeram conferências o Prof. Tibiriçá, sobre classificação do TU e Alberto Viana da Rosa sobre ressecção endoscópica do TU do colo vesical. Comunica ainda que amanhã seguirão para Passo Fundo e dos drs. José Martins Job e Joel Fernandes, Dr. Bruno Marsiaj e de outros colegas. Comunica ainda que em São Leopoldo e Cruz Alta os médicos já estão providenciando na fundação das respectivas secções regionais. Estando esgotado o expediente, passou-se a eguir a ordem do dia: aprovação do ante-projeto de estatutos. O Prof. Tibiriçá que, uma vez aprovados os estatutos, mandará imprimir por intermédio do Bureax Nacional de Divulgação Cientifica. O Prof. Tibiriçá submete à aprovação a redação da emenda ao artigo 20, já aprovada na sessão anterior. A mesma constava do seguinte: “As assembléias Gerais serão constituídas pelos Delegados das Sociedades filiadas, secções regionais e de sócios de que trata o artigo 8, escolhidos por eleição na proporção de 1 delegado para cada grupo de 15 sócios ou fração de um mínimo de 10 sócios e nos municípios ponde houver mais de uma sociedade filiada, o número de delegados será calculado sobre o número de médicos que sejam sóciso da AMRIGS no municiípio e não sobre o número de sócios de cada sociedade filiada, obtido o número de delegados do município, estes serão distribuídos pelas sociedades filiadas do município em partes proporcionais ao número de sócios de cada sociedade. Havendo votos, estes serão divididos pelas sociedades que apresentare frações no cáculo”. Submetida a votação, é amesma aprovada por unanimidade.

A seguir o Dr. Domingos Claussel pede esclarecimentos sobre o artigo 9° que trata das mensalidades dos sócios, e pergunta se um associado pertencer à várias sociedades filiadas,pagará sua mensalidade à AMRIGS uma vez wm cada uma delas.H´´a discussão na qual intervem o Prof. Barcelos Ferreira, o Prof. Gert S. Eichemberh e os Drs. Cláudio Fichtner, Cesare Nanni propõe que se faça uma cobrança por percentagem. O Dr. Claussel apresenta uma emenda na qual o associado e várias outras sociedades filiadas pagaria à AMRIGS uma só mensalidade optando por uma delas. A emenda é aprovada com o voto vencido do Prof. Barcelos Ferreira, a emenda aprovada tina a seguinte redação:

-Parágrafo –1- O sócio da AMRIGS que for sócio de mais de uma sociedade filiada optrá por uma delas através da qual pagará suas contribuições à AMRIGS. Parágrafo –2- Será onsiderado sócio remido o que pagar de uma só vez 25 anuidades. A seguir, o Dr. Domingos Claussel indaga se todos os sócios das sociedades filiadas são “ipsum factum” sócios da AMRIGS. O Prof. Tibiriçá lê o artigo 6° dos estatutos: alínea a) na qual diz: São sócios efetivos: a) os sócios efetivos das sociedades filiadas. O dr. Enio Campos indaga se algum sócio de sociedade filiada não quiser fazer parte da AMRIGS, qual seria a situação. O Prof. Tibiriçá responde que o mesmo deverá ser excluído pois o interesse coletivo predomina sobre o individual. O Prof. Álvaro Barcelos Ferreira protesta e diz isto tirrrá a liberdae do médico, e a união pela força. O Prof. Tibiriçá submete à votação do artigo 6° que é aprovado com a mesma redação contra o voto do Prof. Álvaro B. Ferreira.

 A seguir, o Prof. Carlos Bento apresenta as seguintes emendas: ao artigo 5° - acrecente-se “em editorial publicado nos jprnais da Capital de grande circulação” - ao artigo 6° - que passaria a ter a seguinte redação- Em caso de dissolução da AMRIGS, a Assembléia Geral que resolver porndois terços de votos. O artigo 10° - acrecenta-se o seguinte parágrafo único: os sócios não respondem subsidiaramente pelas obrigações assumidas pela AMRIGS. Artigo 24 – indaga por que o secretário geral nãopode votar. Que aos o artigo 64 se encaixe outro artigo que tomará o número 65 cuja redação é a seguinte: Artigo n° 65: Os cargos de Direção serão exercidos gratuitamente em ônus para a diretoria. Submetidas à votação, todas as emendas apresentadas pelo Dr. Carlos Bento são aprovadas por unanimidade. A seguir o Prof. Milano propõe que se supriam afrase _pelo seu próprio presidente” do parágrafo único do artigo 21. Justifica seu ponto de vista dizendo que, uma vez encerrada a Assembléia Geral, o seu Presidente perde a função. A emenda é aprovada por unanimidade e o parágrafo do artigo 21 - passará a ter a seguinte redação:” parágrafo único: a Assembléia Geral só poderá ser convocada extraordinariamente pelo Presidente da AMRIGs ou da iniciativa de um quinto dos Delegados de pelo menos três municípios, para deliberar exclusivamente sobre o assunto constante de convocação” a seguir, o Dr. Carlos Bento apresenta uma emenda ao artigo 28. Propõe que se acrecente mais parágrafo que tomaria o número 6 e cuja redação seria a seguinte:” Parágrafo 5: o mandato do Delegado poderá ser cassado pela Assembléia Geral de Sua S9ociedade Filiada ou secção regional, devendo ser enviada à AMRIGS cópia autenticada da ata da assembléia Geral que cassar o mandato”. Após a discussão acalorada, é a mesma aprovada. A seguir, apresento mais duas emendas: ao artigo 30- acrecente-se mais uma alínea: “j) Assinar cheques junto com o 1° Tesoureiro. Ao artigo 35- acrecente-se mais uma aline: f) Assinar cheques junto ao Presidente”. Submetidos à votação, ambas emendas são aprovadas por unanimidae. A seguir, não houvesse ninguém mais se manifestando, o presidente, Prof. Paulo Tibiriçá, encerrou a sessão da qual para constar foi lavrada a presente ata.

Assinado: Prof. Paulo Tibiriça

Sexta manifestação de solidariedade para a Fundação da AMRIGS

11 de setembro de 1951

Ata da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

19ª sessão

O Dr. Bruno Marsiaj, item número 5, passou a relatar o que foi a reunião de Cruz aAlta, onde cerca de 30 médicos se encontraram, alguns de localidades distantes com mais de duzentos quilômetros daquela cidade. Os médicos presentes mostraram enorme entusiamo pela jornad como pel fundação da AMRIGS.

Assina a ata o Dr. José Serafim Antunes, secretário.

Entusiasmo

Entusiasmo do Dr. José Pinto de Moraes, presidente da Sociedade Médica de Santa Maria; entusiasmo do Dr. Eduarado Petracco da Sociedade Médica de passo Fundo; entusiasmo dos colegas na reunião da cidadde de Cruz Alta nos faz lembrar Luis Pasteur sábio que sentiu entusiasmo ao receber a Medalha da Legião de Honra da França no Salão Nobre da Sorbone em Paris, por ter descoberto vacina anti-rábica. Naquela época, emocionado, Pasteur afirmou durante a solene cerimônia: “eu me sinto de entusiasmo!” E explicou que a palavra entusiasmo deriva da palavra entheos, que significa “Deus interior” e que, sempre que isso acontece dentro de nós, é porque algo de bom está sendo proporcionado para a humanidade.

O entusiasmo pela AMRIGS continua dentro de nós, pois, continuamos a construir algo de bom para a classe médica e nossa comunidade.

 

 

 

Figura 57 - Joseph Lister e Louis Pasteur Ricebutti Alla Sorbona. Pinti Di: Gregorio Di Bergolo, Surgeos Hall of fame di Chicago, USA. Passegna Médica I Culturale Nº 4, XXXII, 1955.      


 

25 de setembro de 1951

Ata da 20ª sessão

Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre

Sede do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul

Fica decidido que, a partir desta data, não serão mais formadas atas de reunião, que serão susbtituídas por Histórias Diárias, como se seguem:

Dia 28 de setembro de 1951, sexta- feira: Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre.

 É organizada a lista dos nomes que devem cosntituir a comissão de honra da Primeira Jornada de Cirurgica, ao longo da qual deverá ser relaizada a cerimônia solene da fundação da AMRIGS. São indicados como Presidentes de Honra:

a)      O Exmo. Sr. General Ernesto Dornelles, Gocernador do Estado.

b)      O Exmo. Sr. Prof. Dr. Eliseu Paglioli, Prefeito Municipal.

Foram expedidos dois ofícios comunicando a ambos a respectiva escolha para Presidentes de Honra.

Dia 2 de outubro de 1951, terça-feira-Sociedade de Cirurgia

São indicados os nomes para Vice- Presidentes de Honra:

a)         Prof. Dr. Alexandre Martins da Rosa, reitor magnífico da UFRGS

 b)        Prof. Armando Pereira da Câmara, reitor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

c)                  Prof. Luiz Francisco Guerra Blesmann, diretor da Faculdade de medicina da UFRGS.

d)                  Dr. Julio Marino de Carvalho, secretário da educação e cultur do estado do Rio Grande do Sul.

e)                  Dr. Antônio Brochado da Rocha, secretário da fazenda do Estado do Rio Grande do Sul.

f)                    Dr. Alberto Carneiro, dirteor do Departamento de súde do Estado do Rio Grande do Sul.

Dia 3 de outubro de 1951, sexta-feira: Sociedade de Cirurgia.

Escolhidos os nomes para a Comissão de Honra:

a)                  Exmo. Revmo. Sr. Dom Vicente Scheree, arcebispo metropolitano.

b)                  Exmo. General Olimpo Falconieri da Cunha, comandante da 3ª região militar.

c)                  Exmo. Sr. deputado Procópio Durval Gomes da Siva, presidente da assembléia Legislativa.

d)                  Sr. desembargador Samuel Figueiredo da Silva, presidente tribunl de justiça do Estado.

e)                  Sr. Dr. José Antônio Aranha, presidente da câmara municipal.

f)                    Sr. Prof. Dr. Álvaro Barcelos Ferreira, presidente do sindicato médico.

g)                  Sr. Prof. Paulo Tibiriçá, presidente da Sociedade de Medicina

Dia 4 de outubro 1951. Quinta:

Presentes: Dr. Bruno-Antunes-Ivo-Cutin

Continua-se catacologando as fichas de inscrição e os trabalhos incritos. Expedidos ofícios comunicando aos respectivosua escolha para a Comissão de Honra da 1ª Jornada.

Dia 5 de outubro de 1951, Sexta:

Presentes Drs. Bruno-Antunes-Dorneles-Ivo-Cutin.

Cogita-se de organizar a comissão de recepção e para qual foram escolhidos, todos os conferencistas da Sociedade João Fernandes, Ivo Kulh,Osório Lopes, Darcy Ilha, Job, Paulo Maia, Nilo Noll, João Dahne, Cláudio Fichter, Paulo Pereira, Luiz Carlos Ely, N. Zanenga e Antunes.

Dia 7 de outubro de 1951

Professor Álvaro Barcelos Ferreira se manifesta contra criação da AMRIGS

A entrevista foi concedida ao doutorando e jornalista do Diário de Notícias, Osvaldo Wolf Dick , no dia 7 de outubro de 1951.

Solicitado a dizer-nos algumas palavras de como encarava o movimento de união da classe médica em torno de uma associação de defesa da classe, assim se expressou:

 “Sou contrário à fundação dessa associação médica que se pretende criar. Julgo-a desnecessária e inútil. Já possuímos sociedades com finalidades científicas e o sindicato para a defesa da classe. Se todos os médicos se inscrevessem no Sindicato, este teria a força que se pretende dar a Associação Médica. Não é multiplicando as sociedades que se conseguirá a necessária força moral. Prestigindo o Sindicato que sempre se manteve digno e independente, nós elevaremos a classe. dignificando a nossa ptofissão. Além disso- diz com ênfase o prof. Barcelos Ferreira – querer se tornar obrigatória – mesmo que de maneira indireta- a filiação de todos os médicos à AMRIGS é tirar a liberdade de pensamento e ação de cada um de nós. É transformar o médico em autômato. È conseguir a união pela fôrça. Contra a união forçada é que eu bato, eu sonho com a união livre, com uma união cimentada no ideal da liberdade. Por outro lado, a atitude de outras associações médicas de outros Estados, aliás, já denunciadas pela imprensa me torna ainda mais reservado e não vejo com simpatia a fundação da AMRIGS”.

Aproveitando a boa vontade do Prof. Barcelos, arriscamos mais uma pergunta:

-“Fundada a AMRIGS, quias seriam as relações entre esta e o Sindicato? Poderia haver atrito?

-“Se realmente for fundada a AMRIGS, as relações cdo Sindicato com anova associação serão as mais cordiais. Esperando as suas atividades, guardaremos relações amistosas. O Sindicato dos médicos nada tem e nem poderia ter com a Fundação da AMRIGS. Eu é que sou pessoalmente contrário”.

8 de outubro de 1951, segunda-feira

Reunião da Sociedade

Presentes: Bruno –Antunes-Cutin S- Dorneles-Ivo.

Continua o trabalho de catagolação dos títulos dos trabalhos a serem apresentadas  fichas de adesão. O Dr. Salomão Cutin fica responsável por estudar hospedagem dos congressistas nos hotéis de Porto Alegre.

Escolhido os demais médicos para a Comissão de Recepção, sendo indicados: Professor Cesar Ávila, Rubens Maciel, Jacy Carneiro Monteiro, Elias Karan, João Fischer, Alberto Rosa, Walter Ghezzi, Artur Mickelberg, Fradique Gomes, Tauphick Saadi, Duílio Perrone, Mario Azambuja, Antônio Azambuja, Tasso Vieira de Farias, além dos accadêmicos Osvaldo Dick, Maria Silava, Milton Brok, Adélio Tondes e Carlos Alberto Iunge.

Dia 16 de outubro de 1951-Terça.

Presentes: Bruno - Antunes- Becker- Iran- Dorneles e acadêmico Dick que é repórter do Diário de Notícias, que tem piublicado neste jornal em que trabalha as notícias da 1ª Jornada de Cirurgia e Fundação da AMRIGS. É informada a chegada dos distintivos da 1ª Jornada Cirúrgica.


INÍCIO DA PRIMEIRA JORNADA DE CIRURGIA DO RIO GRANDE DO SUL

No dia 21 de outubro de 1951, domingo: às 20 horas já estavam abertos os salões da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, na conferência das ruas Jorge Englert e Sarmento Leite, A mesa do Salão Nobre- onde, em 1928, Getulio Dornelles Vargas assumiu a presidência do Estado do Rio Grande do Sul – estava ricamente adornada com flores naturais. Atavés da Rádio Gaúcha de Porto Alegre o evento passa a ser transmitido para todo o Estado. Um serviço de fotografia dirigido pelo sr. Miltom Kroef, já registra o evento para a posteridade. A solenidade passa a ser filmada pela Empresa Cine-Video-Produções. (O filme esta no Centro de Memórias da AMRIGS).

O Salão Nobre esta completamente lotado-a sessão se inicai com a comunicação das autoridades que constituirão a mesa de honra da Primeira Jornada de Cirurgia do Rio Grande do Sul e a Fundação da AMRIGS.

A mesa esta constituída por:

Dr. Bruno Marsiaj-Presidente da Jornada.

Dom Vicente Scherer – Arcebispo de Porto Alegre.

Prof. Elyseu Paglioli-Representante do Governador Ernesto Dornelles.

Prof. Guerra Blesmann – Diretor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

General José Gomes Carneiro - Comandante da Brigada Militar.

Dr. Julio Marino de Carvalho- Secretário da Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.

Dr. Marco Aurélio Issler – Secretário da Administraçãodo Governador Ernesto Dornelles.

General Olímpio Falconieri da Cunha-Comandante do III Exército da 3ª Região Militar do RS.

Às 21 horas á abertav a sessão pelo Dr. Bruno Marsiaj, Presidente da 1ª Região Jornada da Sociedade de Cirurgia, passandoaa presidência de mesa ao Dr. Elyseu Paglioli, que proferiu belíssimo discurso, finalizando por dizer, que ali falava com adupla personalidade de Cirurgião e Prefeito da Capital.

A seguir, tomou a palavra o Dr. Bruno Marsiaj ao qual, por espaço de uma hora, prendeu a atenção de uma platéia que ocupava todo o salão nobre, e o hall espaçoso do mesmo e, também pelas belas escadarias de mármore de Carrara que dão acesso ao primeiro andar do salão nobre e hall. No alto da escadaria, o famoso busto de Sarmento Leite dava uma atmosfera mítica ao evento. Durante a sua explanação, o Dr. Bruno Marsiaj deu estusiasmada apologia à criação da Associação Médica, cuja sessão de fundação sria no final da 1ª Jornada de Cirurgia.

Figura 58 – Prédio da FAMED/UFRGS. Foto: Secretaria de Patrimonio da UFRGS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 59 – Porta principal de acesso ao prédio da FAMED/UFRGS

 

 


 

Escadaria principal de acesso ao Salão Nobre- FAMED/ UFRGS

 

 

 

Figura 60 - Dr. Getúlio Vargas Presidente do Estado do Rio Grande do Sul. Foto cedida pela Biblioteca da Assembléia Legislativa do RS, pela Dra. Maria Conceição R. Gomes

Figura 61 - Abertura solene da 1ª Jornada Sul-riograndense de Cirurgia e Fundação da AMRIGS no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS. Encontram-se sentados, da esquerda para a direita: 1º) Dr. Bruno A. Marsiaj - fundador da AMRIGS e Presidente da Jornada; 2º) Padre Alberto Etges – autoridade eclisiástica; 3º) Dr. Elyseu Paglioli - Prefeito Municipal; 4º) Dr. Guerra Blessmann - Diretor da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS; 5º) Dr. Tenente-Coronel Olavo Urguia Castagna - médico-chefe do Serviço de Saúde da Brigada Militar do RS; 6º) Dr. Julio Marino de Carvalho - Secretário de Educação e Cultura do Gov. Ernesto Dornelles; 7º) Dr. Marco Aurélio Issler - Secretário de Administração do Gov. Ernesto Dornelles; 8º) General Olímpio Falconieri da Cunha - Comandante do III Exército 3ª Região Militar; 9º) Don Vicente Scherer - Arcebispo Metropolitano; 10º) Dr. José Mariano da Rocha Filho, representando médicos do interior do RS - faz apologia à fundação da AMRIGS. Foto Czmanski - POA - 21 de outubro de 1951.

Figura 62 - Abertura solene da 1ª Jornada Sul-riograndense de Cirurgia e Fundação da AMRIGS no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS. Encontram- se sentados, da esquerda para a direita: 1º) Dr. Bruno A. Marsiaj - fundador da AMRIGS e Presidente da Jornada; 2º) Padre Alberto Etges – autoridade eclisiástica; 3º) Dr. Elyseu Paglioli - Prefeito Municipal; 4º) Dr. Guerra Blessmann - Diretor da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS; 5º) Dr. Tenente- Coronel Olavo Urguia Castagna - médico-chefe do Serviço de Saúde da Brigada Militar do RS; 6º) Dr. Julio Marino de Carvalho - Secretário de Educação e Cultura do Gov. Ernesto Dornelles; 7º) Dr. Marco Aurélio Issler - Secretário de Administração do Gov. Ernesto Dornelles; 8º) General Olímpio Falconieri da Cunha - Comandante do III Exército 3ª Região Militar; 9º) Don Vicente Scherer - Arcebispo Metropolitano; 10º) Dr. Walter Chezzi, faz apologia à fundação da AMRIGS.

Foto Czmanski - POA - 21 de outubro de 1951

Figura 63 - Abertura solene da 1ª Jornada Sul-riograndense de Cirurgia e Fundação da AMRIGS no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS. Encontram- se sentados, da esquerda para a direita: 1º) Dr. Bruno A. Marsiaj - fundador da AMRIGS e Presidente da Jornada; 2º) Padre Alberto Etges – autoridade eclisiástica; 3º) Dr. Elyseu Paglioli - Prefeito Municipal; 4º) Dr. Guerra Blessmann - Diretor da Faculdade de Medicina de POA, UFRGS; 5º) Dr. Tenente- Coronel Olavo Urguia Castagna - médico-chefe do Serviço de Saúde da Brigada Militar do RS; 6º) Dr. Julio Marino de Carvalho - Secretário de Educação e Cultura do Gov. Ernesto Dornelles; 7º) Dr. Marco Aurélio Issler - Secretário de Administração do Gov. Ernesto Dornelles; 8º) General Olímpio Falconieri da Cunha - Comandante do III Exército 3ª Região Militar; 9º) Don Vicente Scherer - Arcebispo Metropolitano; 10º) Ddo. Daniel Krieger de Mello , faz apologia à fundação da AMRIGS.

Foto Czmanski - POA - 21 de outubro de 1951.

 

Encerramento da Primeira Jornada Cirúrgica. Anunciada a data, hora e local da cerimônia para a fundação da AMRIGS.

Bruno A. Marsiaj foi o grande organizador e realizador dessa Jornada Cirúrgica, ao longo da qual se difundiu a idéia da fundação da AMRIGS. O Prof. Tibiriçá foi incansável na preparação para a realização da fundação da AMRIGS. Nesse dia 26 de outubro de 1951, o Dr. Bruno A. Marsiaj deu por encerrada a Primeira Jornada Cirúrgica convidando a todos para um banquete e show artístico a ser realizado no Palácio das Mil e Uma Noites em Porto Alegre. A partir das 20 horas os Congressistas foram avisados de que a Sessão Solene para a Fundação da AMRIGS seria no dia 27/10/1951, às 8 horas no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

 

Figura 64 -Convite publicado pela Comissão Organizadora da Primeira Jornada Sul Riograndense de Cirurgia aos Congressistas. “Diário de Notícias” - Edição de 26/10/1951.

Figura 65 - Show do famoso conjunto vocal “Los Antilhanos” no encerramento da 1ª Jornada Rio-grandense de Cirurgia.

 

Figura 66 -Ata de fundação da AMRIGS redigida pelo Doutorando Oswaldo Wolff Dick, publicada pelo Correio do Povo em 1º de Novembro de 1951, página 06.

PRIMEIRA DIRETORIA DA AMRIGS

Comissão de finanças

Diretoria do dp

ESCLARECIMENTO

A ata de fundação da AMRIGS foi redigida pelo doutorando Oswaldo Wolff Dick, durante o decorrer do dia 27 de outubro de 1951. A ata foi datilografada e colocada num quadro envidraçado e exposto numa das salas de nossa Associação, ainda no Edifício Piratini.

Posteriormente, o quadro contendo o precioso documento de fundação da AMRIGS foi transferido para a sede na Avenida Salgado Filho. Foi durante essa transferência que desapareceu o Livro de Atas da AMRIGS. Prevendo novas perdas, o Prof. Dr. Lafayete de Freitas Brandão, decidiu realizar a transcrição das atas originais datilografadas e secretariadas pelo doutorando Oswaldo Wolff Dick. A transcrição foi feita diretamente do referido quadro envidraçado, confeccionado pelo acadêmico Oswaldo Wolff Dick.

Ata da Primeira Sessão da Fundação da AMRIGS

Transcrição realizada pelo Prof. Lafayete de Freitas Brandão

No dia 27 de outubro de 1951, às 10:30 no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, realizou-se a primeira sessão de Fundação da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS).

Com a palavra o Prof. Paulo Tibiriçá explica os motivos pelos quais, como presidente da comissão organizadora, assumia a direção da sessão. Historiou, em seguida, os trabalhos realizados por aquela comissão até o dia de hoje. Passou a palavra ao Dr. Bruno A. Marsiaj, para que relatasse o assunto relativo à construção da Casa do Médico. Este declinou, reservando-se para falar mais tarde, pois o tempo já ia avançando e era preciso prosseguir a sessão. A seguir, o Prof. Paulo Tibiriçá convoca os médicos que se achavam representados por delegados a fi m de que estes elegenssem-os. Nestas condições havia dezoito médicos inscritos sendo que presentes, havia apenas seis. Foi feita então, por estes, a eleição de um delegado.

O resultado foi apurado por uma junta escrutinadora composta pelos Dr. Carlos Hoffmeister e Francisco Orcy cujo resultado foi: Dr. Roberto Osório Junior, cinco votos e Dr. Flor Amaral, um voto. A seguir, o Prof. Paulo Tibiriçá submete a casa à discussão da Fundação da Associação Médica do Rio Grande do Sul.

Como ninguém quisesse fazer uso da palavra, o Prof. Paulo Tibiriçá disse que ia submeter a casa à fundação da Associação. Feita a votação, verifi cou-se ter sido aprovada pela assembléia a fundação da Associação Médica do Rio Grande do Sul, por unanimidade. O Prof. Paulo Tibiriçá declara então fundada a AMRIGS.

Com uma salva de palmas o plenário aplaude a fundação. A seguir, o Prof. Álvaro Barcelos Ferreira pede a palavra para fazer uma declaração de voto. Diz ser pessoalmente contrário à criação da AMRIGS e já ter, publicamente, expressado esta sua opinião porém votava como delegado da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, favoravelmente, uma vez que a mesma havia, em sessão deliberado aprovar a iniciativa concretizada. Constava ainda da ordem do dia a eleição do Presidente de Assembléia pelos delegados, motivo pelo qual o Prof. Tibiriçá pediu que o plenário, formado pelos delegados, elegesse o Presidente para a primeira sessão da Assembléia Geral da entidade recém fundada, que seria realizada a tarde. O Dr. Bruno A. Marsiaj levanta-se e propõe que seja aclamada para a presidência da mesma, o Prof. Paulo Tibiriçá. O plenário com uma salva de palmas aprova a indicação. A seguir, pede a palavra o Dr. Domingos Claussel, que lembra à casa ser preciso escolher o secretário da Assembléia. Novamente levanta-se o Dr. Bruno A. Marsiaj e propõe que permaneça secretariando o trabalho o doutorando Oswaldo Wolff Dick, secretário da comissão organizadora. Submetida a votação, a proposta é aceita. Como não houvesse mais assunto a tratar, na ordem do dia, o Prof. Paulo Tibiriçá convida os delegados a comparecerem à tarde, no mesmo local, às 15 horas, a fi m de ser realizada a primeira sessão da Assembléia Geral da AMRIGS e dá a sessão como encerrada, da qual, para constar como secretário, Oswaldo Wolff Dick lavra a presente ata que vai por mim assinada e pelo Sr. Presidente, depois de aprovada.

Porto Alegre, 27 de outubro de 1951.

Associação Médica do Rio Grande do Sul

Dr. Lafayette de Freitas Brandão – secretário geral (sem data).

Grande confusão e surpresa

A transcrição da ata de fundação da AMRIGS redigida pelo doutorando Oswaldo Wolff Dick – realizada pelo Prof. Lafayette de Freitas Brandão, lido às pressas e sem sua devida atenção, gerou um artigo publicado no Jornal da AMRIGS, janeiro de 74, edição extra, página 05, com o incrível título, cuja manchete e noticioso reproduzimos a seguir:

Esclarecendo a confusão

Nada melhor do que ouvir o secretário que formalizou a ata de Fundação da AMRIGS, o Dr. Oswaldo Wolff Dick, por nós coletado em sua residência, no dia 1º de fevereiro de 2006.

Em primeiro lugar, quero afi rmar que não eram apenas seis médicos presentes na fundação que Tibiriçá presidiu. O Salão Nobre da Faculdade de Medicina estava repleto de médicos-delegados, autoridades estaduais e municipais e inúmeros familiares dos colegas presentes. O hall do Salão Nobre e as escadarias de mármore de carrara, que dão acesso ao salão, também estavam lotados. Mulheres vestindo longos vestidos, com vistosas bolsas, formosos chapéus ou elegantes boinas, acompanhadas de seus esposos, engravatados e com lenços brancos no bolso dos paletós, davam um brilho maravilhoso à solenidade.

Estava tudo pronto para se iniciar a cerimônia quando se constatou que dezoito médicos presentes não tinham seu delegado ofi cial para representá-los na solenidade. A cerimônica foi então suspensa brevemente para que os dezoito médicos elegessem seu delegado. Foi feita a chamada nominal dos médicos, nestas condições – dos dezoito médicos – apenas seis atenderam ao chamado para eleição de seu delegado. Na votação, compareceram os colegas: Carlos Hoffmeister, Francisco Orcy, Roberto Osório Júnior, Flor Amaral e junto a eles: Prof. Tibiriçá e Bruno A. Marsiaj. Quer dizer, seis médicos presentes para a eleição de um delegado, para representar dezoito médicos presentes e sem delegado representante. A eleição não era portanto, para a fundação da AMRIGS. O autor da reportagem apócrifa, publicada no Jornal da AMRIGS ano XXII Janeiro 1974, entretanto, interpretando erroneamente esta eleição, publicou:

“Apenas seis médicos na fundação da Amrigs, que Tibiriçá presidiu.”

Ata da Primeira Assembléia Geral de Delegados da AMRIGS

Sessão Diurna

Transcrição realizada pelo Prof. Lafayete de Freitas Brandão

Aos vinte e sete dias do mês de Outubro de mil novecentos e cinqüenta e um, tendo por local o Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, às quinze e trinta horas, realizou-se a primeira sessão privativa de Delegados para ser discuta a seguinte ordem do dia:

1º) Discussão e votação do Projeto de Estatutos

2º) Eleição da Diretoria, Comissão e Conselho Deliberativo do Departamento de Previdência

3º) Posse da Diretoria Eleita

O senhor Presidente, Prof. Paulo Tibiriçá, abre a sessão e diz da necessidade de ser votado um regimento interno afi m de que a assembléia possa reger-se. O Prof. Rubens Maciel levanta-se e encaminha à mesa um projeto de regimento interno de sua autoria e, ao mesmo tempo, faz sua defesa. O senhor presidente submete o mesmo à discussão e, feita a votação, verifi ca-se a aprovação do mesmo por unamidade. Prosseguindo, o Sr. Presidente passou a ordem do dia, pediu então que fossem apresentadas emendas ao artigo primeiro do projeto de estatutos que reza o seguinte:

Artigo Primeiro do Projeto:

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), fundada em vinte e sete de outubro de mil novecentos e cinqüenta e um, com sede e fôro na Capital do Estado do Rio Grande do Sul, é uma Sociedade Civil, sem finalidade lucrativa, congrega profissionais da Medicina em todo o território do Estado.

É apresentado pelo Dr. Celso Papaleo uma emenda que consiste em acrescentar em continuação do mesmo a frase: “Sendo-lhe vedada qualquer atividade político-partidária ou religiosa”. Posta em discussão e submetida a votação, a mesma é aprovada por unanimidade, fi cando assim pois redigido o artigo primeiro:

Art. 1º: A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), fundada em vinte e sete de outubro de mil novecentos e cinqüenta e um, com sede e fôro na Capital do Estado do Rio Grande do Sul, é uma Sociedade Civil, sem finalidade lucrativa, congrega profissionais da Medicina em todo o Estado, sendo-lhe vedada qualquer atividade político-partidária ou religiosa.

O senhor Presidente pede então que se apresentem emendas do artigo 2º do projeto que reza assim:

São finalidades da AMRIGS:

a) Propugnar pela união e defesa de todos os profissionais da Medicina;

b) Promover o aperfeiçoamento da cultura médico-científica;

c) Orientar, do ponto de vista dentológico, todas as atividades relacionadas com o exercício da profissão médica;

d) Instituir e manter um sistema da providência e assistência social, para os seus associados;

e) Contribuir para solução dos problemas médico-sociais;

f) Visitar o público leigo na procura de melhor assistência médica;

g) Construção imediata da Sede em Porto Alegre.

Parágrafo único: Para a execução dessas finalidades, a AMRIGS utilizar-se-á dos meios que se mostrarem indicados, inclusive a cooperação com instituições congêneres e filiação a instituições de âmbito nacional.

O Dr. Fernando Dias Campos apresenta uma emenda mandando suprimir a letra “f” do mesmo. O Dr. Poli Marcelino Espírito apresenta idêntica emenda e faz a defesa da mesma, e pergunta de que modo faria a AMRIGS a orientação do público leigo na melhor procura de assistência médica. O Cesare Cardoso Nanni pede a palavra e manifesta-se favorável à supressão da letra “f” e aprova a proposta do Dr. Poli Espírito.

Com a palavra, o Professor Rubens Maciel manifesta-se também pela supressão da mesma letra “f”, pois lhe parece ser de difícil interpretação e muito geral, submetida à votação é, a mesma proposta, aprovada, contra 3 votos, sendo suprimido o item “f” do artigo 2. É submetida à discussão uma emenda que mandava suprimir a letra “c”, com a palavra, o Dr. Prof. Albano Bambos Ferreira defende a mesma, pois acha desnecessário uma vez que já exista um código de dentologia médica, organizado pelo congresso sindicalista

Figura 67 - Público presente na solenidade de Fundação da AMRIGS. 27 de Outubro de 1951. 10:30 horas. Salão Nobre da Faculdade de Medicina, UFRGS. Na primeira fila – de óculos – Prof. Edgar Diefenthaeler. Foto: Equipe do Dr. Milton Kroef no dia da fundação da AMRIGS. Como vemos – e no dizer do Dr. Oswaldo Wolff Dick – o Salão Nobre estava repleto de médicos... e não eram apenas seis... Foto: arquivo fotográfico da AMRIGS

– aprovado pelo governo federal. O Dr. Celso Papaleo defende a emenda e explica seu ponto de vista. O Prof. Rubens Maciel acha perfeitamente aceitável o item “c” e se diz favorável à permanência do mesmo.

Submetida à votação é a mesma rejeitada por maioria. Entra em discussão a emenda que manda colocar nas disposições transitórias da letra “g”, que manda construir a sede imediatamente em Porto Alegre. Submetida à votação é a mesma aprovada por unanimidade. Fica assim, pois redigido o artigo 2º do Estatuto:

Art. 2°: São finalidades da AMRIGS:

a) Propugnar pela união e defesa de todos os profissionais da Medicina;

b) Promover o aperfeiçoamento da cultura médico-científica;

c) Orientar, do ponto de vista deontológico, todas as atividades relacionadas com o exercício da profissão médica;

d) Instituir e manter um sistema da providência e assistência social, para os seus associados;

e) Contribuir para solução dos problemas médico-sociais;

Parágrafo único: Para a execução dessas finalidades, a AMRIGS utilizar-se-á dos meios que se mostrarem indicados, inclusive a cooperação com instituições congêneres e filiação a instituições de âmbito nacional.

O Sr. Presidente põe em dicussão as emendas apresentadas do Artigo 3º do Projeto de Estatutos que reza o seguinte:

São sócios da AMRIGS todos os médicos regularmente inscritos de acordo com os artigos 6º, 7ºe 8º e as pessoas que forem aceitas de acordo com o artigo 4º.

É discutido e aprovado um aditivo do Dr. Celso Papaleo, que manda que se coloque mais o seguinte, como os artigos 11º, 12º, 13º e 14º, o mesmo é aprovado por maioridade, o artigo 3º passará a ter a seguinte redação:

Art. 3º: São sócios da AMRIGS todos os médicos regularmente inscritos de acordo com os artigos 6º, 7º e 8º, destes estatutos bem como os aceitos de conformidade com os artigos 11º, 12º, 13ºe 14º.

O artigo 4º do projeto de estatutos já é aprovado em Cotuns por unanimidade e tem a seguinte redação:

Art. 4º: São órgãos dirigentes da AMRIGS: a Assembléia dos Delegados, a Diretoria e as Comissões Permanentes.

O artigo 5º é da mesma forma apresentado sem dicussão, por unanimidade, e tem a seguinte redação:

Os sócios serão:

a) Efetivos;

b) Correspondentes;

c) Honorários;

d) Beneméritos.

Entra em seguida o texto do artigo 6º no projeto de Estatutos que consta do seguinte:

São sócios efetivos:

a) Os sócios efetivos das Sociedades filiadas;

b) Os médicos que se organizarem em seções regionais;

c) Os médicos de municípios onde não haja Sociedade filiada ou seção regional que o desejarem e sejam admitidos.

O Dr. Flores Soares apresenta emenda no sentido de ser acrescentada a palavra facultativamente ao item

“a” – facultativamente os sócios das Sociedades filiadas. Com a palavra o Dr. Mariano da Rocha, de Santa Maria, mostrava-se favorável pela concessão do texto do projeto e contra a emenda, pois acha que será uma porta aberta para a desunião da classe. O Prof. Álvaro de Ferreira pede a palavra e diz que quando tomou parte nas sessões da comissão organizadora, como observador que era já se havia manifestado contra, pois é um dispositivo totalitário que cercaria a liberdade individual. O Dr. Pedro Pereira mostra-se favorável ao ponto de vista do Prof. Álvaro e acha que o mesmo artigo deve ser modifi cado. Pergunta então que aconteceria se os velhos fundadores das sociedades médicas não quiserem pertencer a AMRIGS, qual será a situação dos mesmos? O Dr. Bruno A. Marsiaj e Mario Azambuja defendem o artigo 6º, dizendo que o espírito de inuso visa solidificar a união da classe, por isso que todos, sem exceção, estejam com a AMRIGS. Mas deve-se buscar discussões. O Dr. Celso Papaleo aprova a emenda, pois acha que deve ser ressalvada a liberdade individual e que desse modo o ingresso na AMRIGS é um ato forçado. Cada indivíduo deve ter o direito de escolher. O Dr. Poli Espírito expande o mesmo ponto de vista e acha que as finalidades das associações são diferentes das da AMRIGS e quem fica sócio de uma associação nem sempre pode estar interessado à AMRIGS. O Dr. Fernando Dias Campos acha que há antagonismos entre os artigos 1º e 6º, que o objetivo de congregar todos os médicos do estado é muito vago. Em aparte, o Dr. Amoretty diz não ver esse antagonismo entre os citados artigos. O Dr. Mario Dantas acha que cada sociedade filiada deve resolver em assembléia geral se seus sócios devem ou não se filiar obrigatoriamente a AMRIGS. Acha que esse artigo fere a liberdade e os estatutos de algumas sociedades médicas.

Isto quer dizer que muitas sociedades para filiarem-se a AMRIGS deveriam mudar seus estatutos. O Dr. Flores Soares fez a defesa de sua emenda dizendo de sua intenção, que era apenas dar uma autoridade moral à AMRIGS, fazendo com que todos os seus sócios possam, sentirem-se perfeitamente bem, isto é que forem coagiados a tal. Acha que isto é muito mais satisfatório do que fazer sócios à força. Com a palavra o Dr. Rubens Maciel, analisa a emenda no que diz em relação ao movimento associativo não compulsório, acha louvável que este se faça espontaneamente, porém, pela experiência e pelos fatos que aí estão, acha que muito mais interessante é o espírito do projeto. É preciso, porém, que se respeito a posição histórica de cada associação. Todos os sócios admitidos por sociedades médicas, após estas se fi liarem à AMRIGS, deverão ser compulsoriamente sócios da AMRIGS. Os outros, já sócios, terão o dirieto de optarem ou não. Acha mesmo que, não havendo nada que fira frontalmente uma sociedade filiada, todos os sócios daquela farão parte da AMRIGS sem constrangimento algum. Propõe um aditivo que é encaminhado à Mesa. Com a palavra, o Dr. Bitencort se declara favorável à manutenção em totum do art. 3º do projeto de Estatutos. Em aparte, o Dr. Mariano da Rocha Fº diz que uma vez que a sociedade fi liar-se à AMRIGS, não devem fazer parte de seus estatutos artigos que contrariem os da AMRIGS. Submetida à votação separadamente, tanto a emenda do Dr. Flores Soares como o aditivo do Prof.Rubens Maciel foram rejeitados por maioria de votos. O artigo 6º dos estatutos terá então a seguinte redação:

Art. 6º: São sócios efetivos:

a) Os sócios das Sociedades filiadas;

b) Os médicos que se organizarem em seções regionais;

c) Os médicos de municípios onde não haja Sociedade filiada ou seção regional que o desejarem e forem admitidos.

Posto em dicussão pelo senhor Presidente o artigo 7º, é o mesmo aprovado sem alteração e assim redigido:

Art. 7º: Os sócios a que se referem nas letras “a” e “b” serão admitidos automaticamente através da filiação das sociedades a que pertençam e da organização de secções regionais.

A seguir é posto em dicussão o artigo 8º do projeto de Estatutos. O mesmo sem alteração e está redigido assim:

Art. 8º: Os médicos residentes em municípios do Estado do Rio Grande do Sul onde não existam sociedades filiadas ou secções regionais serão admitidos por solicitação expressa, mediante parecer favorável da comissão de defesa da classe.

Parágrafo único: Fundada uma secção regional ou filiada à AMRIGS sociedade existente no município, o sócio local da AMRIGS passará, compulsoriamente, à secção regional ou sociedade filiada.

O artigo 9º é aprovado sem alteração e anota do seguinte:

Art. 9º: Os sócios pagarão anuidade fi xada pela assembléia geral.

Parágrafo 1º: Os sócios da AMRIGS que pertencerem a mais de uma sociedade filiada, indicarão aquela por intermédio da qual pagará sua contribuição à AMRIGS.

Parágrafo 2º: Será considerado recuido o sócio que pagar, de uma só vez, vinte e uma anuidades.

Art. 10º: São direitos dos sócios efetivos quites com a Tesouraria:

a) Votar e ser votado, ressalvadas as limitáveis constantes destes estatutos;

b) Utilizar-se de todos os serviços mantidos pela AMRIGS;

c) Receber as publicações da AMRIGS;

d) Inscrever-se no Departamento de Previdências, de acordo com o respectivo regulamento;

e) Inscrever-se nos cursos de aperfeiçoamento, e nos congressos realizados pela AMRIGS de acordo com os respectivos regulamentos;

f) Concorrer aos prêmios instituídos pela AMRIGS.

Parágrafo único: Os sócios não respondem subsidiariamente pelas obrigações assumidas pela AMRIGS.

O artigo 10º foi aprovado após ter sofrido a seguinte emenda: supressão às expressões: de acordo com o respectivo regulamento, visto haver no mesmo erros de composição tipográfi ca, é a seguinte a redação aprovada para o artigo 10º:

Art. 10º: São direitos dos sócios efetivos quites com a Tesouraria:

a) Votar e ser votado, ressalvadas as limitáveis constantes destes estatutos;

b) Utilizar-se de todos os serviços mantidos pela AMRIGS;

c) Receber as publicações da AMRIGS;

d) Inscrever-se no Departamento de Previdências, de acordo com o respectivo regulamento;

e) Inscrever-se nos cursos de aperfeiçoamento, e nos congressos realizados pela AMRIGS;

f) Concorrer aos prêmios instituídos pela AMRIGS.

Parágrafo único: Os sócios não respondem subsidiariamente pelas obrigações assumidas pela AMRIGS.

É posto em votação o artigo 11º que recebe a seguinte emenda – suprima-se o parágrafo único do mesmo – posta em discussão e votação é a mesma rejeitada, fi cando o artigo 11º com a seguinte redação:

Art. 11º: Serão sócios correspondentes nacionais os médicos que exerçam no País, fora do Estado do Rio Grande do Sul, admitidos por solicitação expressa, mediante parecer favorável da comissão de defesa da classe.

Parágrafo único: Os sócios mencionados neste artigo pagarão metade da anuidade dos sócios efetivos e terão os direitos destes, exceto o da letra “a” do artigo 10º.

O artigo 12º é também aprovado sem alteração fi cando com a seguinte redação:

Art. 12º: Serão sócios correspondentes estrangeiros os médicos propostos por cinqüenta sócios efetivos, no mínimo, e aceitos pela Diretoria.

Parágrafo único: Os sócios mencionados neste artigo estarão isentos de qualquer contribuição, tendo direito ao título bem como ao expresso nas letras “c” e “e” do artigo 10º.

O artigo 13º do projeto entra a seguir em discussão e recebe uma emenda que manda acrescentar a frase: em votação secreta. Submetido a aditivo em votação é o mesmo aceito por maioria, ficando o artigo

13º com a seguinte redação:

Art. 13º: Serão sócios honorários os cientistas de mérito comprovado indicados pela Diretoria e aceito por dois terços da Assembléia geral em votação secreta.

O artigo 14º do projeto sobre também emenda, que manda acrescentar a frase “em votação secreta”, ficando com a seguinte redação:

Art. 14º: Serão sócias beneméritas as pessoas que prestarem serviços de grande relevância à AMRIGS, indicadas pela Diretoria e aceitas pela Assembléia Geral por dois terços de votos, em votação secreta.

O artigo 15º é aprovado sem alteração, tendo a seguinte redação:

Art. 15º: Serão excluídos do quadro social os sócios cujas condutas causem dano moral à classe ou à AMRIGS.

Parágrafo único: Qualquer sócio poderá apresentar, documentadamente, à Diretoria contra a admissão ou manutenção de sócios cuja conduta acarrete o dano mencionado neste artigo.

A seguir é posto em votação o artigo 16º do seguinte teor:

A exclusão dos sócios incussn no artigo anterior o seguinte processo:

a) A denúncia será encaminhada à comissão de defesa da classe que, no prazo de dez dias, designará e comunicará ao denunciado a data do julgamento enviando-lhe (pessoalmente sempre que possível ou sob registro postal) a relação das acusações feitas;

b) Na reunião marcada para o julgamento do acusado, será dada a este, ou ao representante ou defensor AD HOC ampla liberdade de defesa, assegurado, de tudo o máximo sigilo;

c) A decisão, tomada por votos da maioria, será enviada ao Secretário Geral para devida notificação e registro;

d) Da decisão caberá, em última instância, recurso à Assembléia Geral.

O Dr. Pedro Araújo apresenta e defende o aditivo que manda acrescentar as palavras Verbo Adverbum das acusações feitas que é aprovado por unanimidade. O Dr. Celso Papaleo apresenta um aditivo, propondo que se puna, uma vez comprovada a improcedência da denúncia e se verifi que má fé, o denunciante. A emenda submetida à votação é aprovada por maioria. É então proposto mais um aditivo que permite a reintegração do associado dois anos após decisão condenativa, uma vez provado o retorno do mesmo às normas deontológicas vigentes. Submetida à votação é o mesmo aprovado por maioria. O artigo 16º dos estatutos passa a ter a seguinte redação:

Art. 16º: A exclusão dos sócios incussn no artigo anterior terá o seguinte processo:

a) A denúncia será encaminhada à comissão de defesa da classe que, no prazo de dez dias, designará e comunicará ao denunciado a data do julgamento enviando-lhe (pessoalmente sempre que possível ou sob registro postal) o teor “Verbo Adverbum” das acusações feitas;

b) A data do julgamento será fi xada entre o 15º e 30º dia após a comunicação de que trata a letra “a” deste artigo, a fi m de permitir ao denunciado coligir elementos para sua defesa;

c) A juízo da Comissão, poderá haver prorrogação de 15 dias, quando o denunciado residir no interior do Estado ou quando o mesmo em requerimento protestar apresentação de provas de obtenção demorada;

d) Garanta-se ao acusado ou seu representante ou defensor Ad hoc, ampla liberdade de defesa, de tudo estando assegurado na reunião marcada para o julgamento, o máximo sigilo;

e) A decisão tomada por voto secreto da maioria será anunciada ao Secretário Geral para devida notificação e registro;

f) Da decisão caberá, em última instância, recurso à Assembléia Geral.

Parágrafo único, digo, 1º: Comprovada a improcedência da denúncia e desde que se verifi que má fé, será punido o denunciante.

Parágrafo 2º: Dois anos após a decisão condenativa e uma vez provado retorno do sócio às normas deontológicas vigentes, poderá o mesmo ser readquirido desde que assim o requeira e seja defi nido o requerimento pela maioria da comissão de defesa da classe, em votação secreta.

Entra em discussão o artigo 17º do projeto de Estatutos, que recebe emendas seguintes de autoria do Dr. Osório Lopes, acrescente-se as palavras por negligência, dolo, a mesma é aprovada por unanimidade.

O Dr. Osório Lopes outra emenda que manda suprimir a palavra “ou que indenize” do parágrafo único, submetida à votação é a mesma rejeitada. O Prof. Rubens Maciel propõe um aditivo ao parágrafo único, a frase: “que consiga ressarcir a AMRIGS pelos danos causados”. Submetido à votação é o mesmo aprovado.

O artigo 17º terá então a seguinte redação:

Art. 17º: Será excluído o sócio mais de um ano no pagamento de suas contribuições, o que, por dado por negligência, e cause dano econômico à AMRIGS.

Parágrafo único: O sócio excluído nos termos deste artigo poderá ser readmitido desde que efetue o pagamento em atraso ou consiga ressarcir os danos causados à AMRIGS.

A seguir entra em discussão o artigo 18º, do seguinte teor:

Será excluído automaticamente da AMRIGS o sócio que o for de uma sociedade filiada ou secção regional.

Parágrafo 1º: O sócio excluído poderá interpor recurso à Assembléia Geral, que poderá ou não ratificar o ato da exclusão.

Parágrafo 2º: No caso de se dado procedimento ao recurso, a AMRIGS ofi ciará à respectiva sociedade filiada ou secção regional para que se reintegre o sócio excluído.

O Dr. Flores Soares acrescentou ao parágrafo 1º a seguinte emenda: acrescente-se “Após recurso a comissão de defesa da classe” e suprima-se o que segue. Submetida à votação é a mesma aprovada. Assim o artigo 18º fi cou com a seguinte redação:

Art. 18º: Será excluído automaticamente da AMRIGS o sócio que, por solicitação regular, tiver obtido exclusão de uma sociedade filiada ou secção regional, ou cuja exclusão da sociedade filiada ou secção regional a que pertença, ocorra da falta de pagamento de sua regular contribuição, durante os casos de exclusão punitiva, por parte da AMRIGS, nas providências determinadas pelo artigo 16º.

Parágrafo único: Dando provimento a Assembléia Geral ao recurso previsto, a AMRIGS oficiará à sociedade filiada ou secção regional interessada, para a reintegração do sócio recorrente.

A seguir como a sessão estivesse prolongando demasiadamente, o senhor Presidente suspende os trabalhos para descanso e convoca o plenário para reunir-se às vinte e uma horas no mesmo local.

Ata da Primeira Assembléia Geral de Delegados da AMRIGS

Sessão Noturna

As vinte e uma horas do dia vinte e sete de outubro de mil novecentos e cinqüenta e um, tendo por local o mesmo salão nobre da Faculdade de Medicina de POA, prosseguiu a primeira sessão da Assembléia.

Geral dos Delegados da AMRIGS, que havia sido suspensa à tarde. O Prof. Paulo Queiroz Telles de Tibiriçá abre a sessão, sendo sugendo, e aprovado os seguintes capítulos:

Capítulo III – Dos Órgãos dirigentes

Capítulo IV – Das Eleições Gerais

Capítulo V – Do Departamento de Previdência

Capítulo VI – Das secções Regionais e Sociedades filiadas

Capítulo VII – Disposições Gerais e Transitórias

Que se encontram à disposição dos interessados no museu da AMRIGS.

Compra da Primeira Sede

Com o capital da antiga Sociedade de Medicina de Porto Alegre e com donativos dos sócios da AMRIGS, Bruno A. Marsiaj compra o conjunto 1004 do 10º andar do edifício Piratini, na Rua Uruguai nº 240. O conjunto pertencia a Sra. Elvia Dexheimer Levonius. Os donativos foram divididos em quotas assim distribuídas:

Cr$ 10.000,00 – 2 quotas de Cr$ 5.000,00 – com intervalo de 60 dias;

Cr$ 5.000,00 – 2 quotas de Cr$ 2.000,00 e 1 quota de 1.000,00 – com intervalo de 60 dias;

Cr$ 3.000,00 – 3 quotas de 1.000,00 – com intervalos de 60 dias;

Cr$ 2.000,00 – 1 quota de Cr$ 1.000,00 e 2 quotas de Cr$ 500,00 – com intervalos de 60 dias;

Cr$ 1.000,00 – 2 quotas de Cr$ 500,00 – com intervalo de 60 dias.

Um documento de compromisso para os donativos foi redigido nos seguintes termos:

“Incorporação de capitais para a futura sede monumental a ser construída em POA e obtida por subscrição entre os médicos do Rio Grande do Sul.”

Esse chamamento foi feito pelo Dr. Bruno A. Marsiaj por telegramas enviados a todas as sociedades médicas do Rio Grande do Sul.

A história da compra da sede da AMRIGS foi registrada no Boletim Informativo da AMRIGS, em outubro de 1954, que foi desperdiçado. No entanto, o precioso documento foi recuperado, graças a gentileza do Dr. Friedrich J. P. Tempel, que em 2 abril de 1994, enviou a seguinte correspondência à AMRIGS:

Figura 68 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS na Rua Uruguai, 1952. Em pé e assinando a Escritura, Prof. Raul Krebs, assistido pelos colegas, da esquerda para a direita: 1º Dr. Lafayete F. Brandão (com cigarro na mão), 2º Dr. Wagner Vieira (de óculos), 3º Dr. José Flores Soares, 4º Cândido Carrion (ao fundo), 5º Dr. Bruno A. Marsiaj e 6º Dr. Salomão Cutin (com a caneta na mão). Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 69 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, 1952, Rua Uruguai. Sentado e assinando a Escritura, Dr. Salomão Cutin, assistido pelos Diretores em pé, da esquerda para a direita: Dr. Lafayette F. Brandão (com cigarro na mão direita), Dr. José Flores Soares (braços cruzados), Dr. Wagner Vieira parcialmente encoberto e de óculos), Dr. Cândido Carrion (ao fundo) e Dr. Bruno A. Marsiaj (de terno listrado).

Figura 70 -Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, 1952, rua Uruguai. Sentado e assinando a Escritura, Dr. Cândido Carrion, assistido pelos colegas em pé, da esquerda para a direita: Dr. Lafayette F. Brandão (de óculos e fumando), Wagner Vieira (parcialmente encoberto e de óculos), Dr. José Flores Soares, Dr. Bruno A. Marsiaj e Dr. Salomão Cutin (com óculos no bolsinho do casaco). Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 71 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, 1952, rua Uruguai, na visão do observador:. Sentados da esquerda para a direita: 1º Dr. Bruno A. Marsiaj e 2º Dr. Alvorino Mércio Xavier (assinando a escritura). Em pé, da esquerda para a direita: 1º Dr. José Flores Soares, 2º Dr. Wagner Vieira, 3º Dr.Salomão Cutin e 4º Tabelião (de óculos). Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 72 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, 1952, Rua Uruguai. Sentado, o Dr. Bruno A. Marsiaj lê a Escritura para os diretores da AMRIGS. Em pé, para quem olha a foto, da esquerda para a direita: 1º Dr. Lafayette F. Brandão, 2º Prof. Raul Krebs, 3º Dr. José Flores Soares, 4º Dr. Wagner Vieira (de óculos), 5º Dr. Alvorino Mércio Xavier, 6º Dr. Cândido Carrion (ao fundo), 7º Dr. Salomão Cutin, 8º Dr. Tibiriçá (de óculos) e 9º Tabelião Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 73 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, 1952, rua Uruguai. Sentado e assinando a Escritura, Prof. Tibiriçá assistido pelos colegas em pé, para quem olha a foto, da esquerda para a direita: 1º Dr. Wagner Vieira (de óculos), 2º Dr. Cândido Carrion, 3º Dr. Bruno A. Marsiaj, 4º Dr. Salomão Cutin e 5º Tabelião. Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 74 - Assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, na rua Uruguai, em data não identifi cada do ano de 1952. Sentado e assinando a Escritura, Dr. José Flores Soares assistido pelos colegas da Diretoria da AMRIGS. Em pé, da esquerda para a direita: 1º Prof. Lafayette F. Brandão (com cigarro na mão), 2º Dr. Wagner Veira, 3ºDr. Cândido Carrion (ao fundo, parcialmente encoberto), 4º Dr. Bruno A. Marsiaj, 5º Dr. Salomão Cutin e 6º Prof. Tibiriçá (de óculos e com a mão no bolso interno de seu paletó). Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Figura 75 - Após assinatura da Escritura de compra da sede da AMRIGS, na rua Uruguai, o Presidente da AMRIGS, Bruno A. Marsiaj, entrega cheque para o Dr. AlvorinoMércio Xavier, para pagar a Sra. Elvira Dexheimer Livonius, proprietária do conjunto 1004 do Edifício Piratini, na rua Uruguai nº 240. Em pé, da esquerda para direita: Dr. Lafayette F. Brandão (de óculos), Dr. José Flores Soares (ao fundo e parcialmente encoberto), Dr. Wagner Vieira (de óculos e com distintivo na lapela), Dr.Cândido Carrion e Dr. Salomão Cutin.Arquivo fotográfico da AMRIGS.

Situação e localização do imóvel

O prédio de 16 andares, com térreo e sobreloja, está situado na Rua Uruguai nº 240, em lote de esquina, fazendo frente para esta rua e para a Praça Montevidéu onde se encontra a fonte Talavera, doada à nossa cidade pela Espanha, em frente à Prefeitura Municipal de POA. O quarteirão onde o lote está situado é formado pelas ruas Uruguai, José Montaury, Av. Borges de Medeiros e pela Praça Montevidéu, prolongamento da Av. Sete de Setembro. (fotos 1 e 2).

Figura 76 - Foto 1 - Em primeiro plano, vê-se o Leão da Prefeitura Municipal de POA. No centro da foto, vemos as lajotas da Fonte de Talavea, da esquerda para a direita, o Edifício União seguido do Edifício Piratini e do Edifício do Banco do Estado do RS (visão de observador) Foto arquivo AMRIGS   Foto 2 - Da esquerda para a direita da foto, no primeiro plano a lateral da Prefeitura Municipal de POA; ao fundo, o Edifício Vmed e ao lado o Edifício Piratini. No lado direito, vê-se o prédio do Banco do Brasil (visão do observador) Foto arquivo AMRIGS

Na Rua Uruguai está situado o hall de entrada do Edifício, com paredes revestidas de mármore, o forro rebaixado em gesso e o piso pavimentado com granito polido, sendo um degrau, ali existente, também de mármore.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 77 - Hall de entrada do Edifício Piratini. Foto arquivo AMRIGS

O Edifício tem 16 andares, com térreo e sobreloja. Nossos vizinhos, no térreo do Edifício, eram e são ainda a Esquina Famosa, agência lotérica e café, propriedade dos meus queridos tios Leonardo e Salvador Laitano. O café preferido pelo Dr. Bruno A. Marsiaj, Nino e Odone Marsiaj, médicos de nossa família. No café famoso, o Dr. Bruno costumava saborear seu cafezinho com seu dileto amigo, Dr. Manoel Vargas – o Maneco Vargas – fi lho do presidente Getúlio Vargas. Meus tios nunca deixaram os dois pagarem os cafezinhos.

Ao lado a este estava a Agência Fortuna, de propriedade de meu adorado tio Luciano Laitano, onde o Dr. Bruno e Maneco Vargas costumavam comprar bilhetes de loteria federal e estadual. Meu tio Luciano tinha especial amizade com o Dr. Bruno.

Figura 78 -Portal de Entrada do Edifício da Primeira Sede da AMRIGS, Rua Uruguai nº 240

Figura 79 -Café Esquina Famosa, o preferido do Dr. Bruno A. Marsiaj e Maneco Vargas. Fotos Dr. Genaro Laitano, 1º de janeiro de 2006.

O Edifício era servido por dois elevadores “Atlas”, com capacidade para doze pessoas cada. A cabine era em madeira de lei, com piso revestido com placas de polivinil, com portas de correr, comando manual, automático, sem ascensorista.

Figura 80 - Elevadores do Piratini. Foto arquivo fotográfico AMRIGS

Os acabamentos nas partes de uso comum, nos diversos andares, era feito com pisos revestidos por escaiolas até a altura de 2,50m e acima, embaço e reboco pintados com tinta plástica. As esquadrias, antigamente envernizadas (na origem), estão pintadas a óleo.

Figura 81 - Paredes de escariolas, até altura de 2,50m. Uso comum no andar de nossa sede. Foto Antônio Alonso Rosa (eng.)Piso de escariolas. Uso comum no andar de nossa sede. Foto Antônio Alonso Rosa (eng.)

 

Caracterização do Conjunto 1004 – 10º andar Nossa sede (anterior)

Constava de vestíbulo, três salas e compartimento sanitário.

Vestíbulo: O revestimento piso era de pastilhas com emboço e reboco pintado com tinta plástica (P.V.A.). O forro é revestido com reboco pintado com cal, gesso e cola.

Figura 82Vestíbulo Foto Antônio Alonso Rosa (eng.) Sala nº 1 Foto Antônio Alonso Rosa (eng.)

Sala nº 1

Possui iluminação e ventilação através de abertura (janela) de madeira, tipo guilhotina com contragesso.

Os caixilhos são ambos móveis, possuem vidros transparentes comuns. As portas de madeira são pintadas com tinta a óleo. Pela parte interna possui persiana tipo “Persiplast”. Aqui fi cava o Gabinete do Presidente Dr. Bruno A. Marsiaj. Nessa sala foi assinada a escritura de compra da sede da Rua Uruguai e onde também foram assinados os convênios com as antigas sociedades de medicina que precederam a AMRIGS.

Assim, em 14 de janeiro de 1952 é assinada, pelo Dr. Bruno, a escritura de compra da sede na Rua Uruguai.

Figura 83 - Assinatura da filiação da Sociedade de Pediatria – representada pelos Drs. Carlos Bento Hoffmeister e Décio Martins Costa – com a AMRIGS, em 05 de março de 1952. Sede da AMRIGS, na Rua Uruguai. Em pé, da esquerda para a direita do observador: 1º Dr. Carlos Albers; 2º Dr. Carlos Bento Hoffmeister; 3º Dr. Décio Martins Costa; 4º Dr. Bruno A.Marsiaj; 5º Dr. Cândido Carrion; 6º Dr. Paulo Cruz Maia; 7º Dr. Nelson Correia Escostegui; 8º Ivo Adolpho Kuhl; 9º Dr. Afonso Fortis; 10º Dr. Lafayette F. Brandão. Foto Wyss Soares. Diário de Notícias.

Figura 84 - Assinatura da filiação da Sociedade de Reumatologia – representada pelo Dr. Antônio Messias – com a AMRIGS, em 05 de março de 1952, na sede da AMRIGS, na Rua Uruguai, POA. Da esquerda para a direita do observador em pé: Dr. Nei Mahs Ferreira, Dr. Ernesto L. de Castro, Dr. Wagner Vieira, Dr. Antonio Messias. Sentado: Dr. Tibiriçá Foto Wyss Soares. Diário de Notícias.

Figura 85 - Assinatura da filiação da Sociedade de Cirurgia – representada pelo Dr. Fernando Pombo Dorneles – e a AMRIGS, em 14 de fevereiro.Da esquerda do observador: 1º Dr. Túlio Rappone; 2º Prof. Tibiriçá; 3º Dr. Bruno A. Marsiaj; 4º Dr. Fernando Pombo Dorneles (terno escuro e no centro); 5º Dr. Lafayette F. Brandão; 6º Dr.Antonio Azambuja; 7º Dr. Ary Mariante; 8º José Passos Mendes.Foto Arquivos AMRIGS.

Figura 86 - Assinatura da filiação da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia – representada pelo Dr. Ary Mariante – e a AMRIGS, em 14 de fevereiro de 1952, sede da rua Uruguai. Da esquerda do observador de pé: 1º Dr. Tary Mariante; 2º Dr. José Passos Mendes; 3º Dr. Túlio Rappone; 4º Dr. Fernando Pombo Dorneles; 5º Dr. Tibiriçá; 6º Dr. Antonio Azambuja; 7º Dr. Lafayette Brandão. Sentado, Dr. Bruno A. Marsiaj. Foto Wyss Soares do Diário de Notícias, POA.

Figura 87 -  Assinatura da filiação da Sociedade de Psiquiatria – representada pelo Dr. Luiz Carlos Meneghini – e da Sociedade de Neurologia – representada pelo Dr. Frederico Ritter – com a AMRIGS, em 22 de outubro de 1952. Sede da AMRIGS, na rua Uruguai. Em pé, da esquerda para a direita: 1º Dr. Luiz Carlos Meneghini; 2º Dr. Frederico Ritter; 3º Dr. Bruno A. Marsiaj; 4º Dr. Lafayette F. Brandão. Foto Wyss Soares. Diário de Notícias.

Figura 88 - Assinatura da filiação da Sociedade de Anestesia – representada pelo Dr. Afonso Fortis – com a AMRIGS, em 05 de julho de 1952. Sede da AMRIGS, na Rua Uruguai. Da esquerda para direita do observador: 1º Dr. Carlos Albers; 2º Dr. Carlos Bento Hoffmeister; 3º Dr. Décio Martins Costa; 4º Dr. Bruno A. Marsiaj; 5º Dr. Cândido Carrion;6º Dr. Paulo Cruz Maia; 7º Dr. Nelson Correia Escostegui; 8º Ivo Adolpho Kuhl; 9º Dr. Afonso Fortis; 10º Dr. Lafayette F. Brandão. Foto Wyss Soares. Diário de Notícias

Figura 89 - Assinatura do convênio da Sociedade de Dermatologia representada pelo Prof. Clovis Bopp – e a AMRIGS, em 11 de setembro de 1952. Sede da AMRIGS, na rua Uruguai. Da esquerda para direita do observador em pé: Dr. Lafayette de Freitas Brandão (de óculos); Prof. Clovis Bopp; Dr. Passos Mendes; Dr. Armund Berhnard; Dr. Enio Amoretty (de braços cruzados); Dr. Salomão Cutin; Dr. Bruno A. Marsiaj (sentado e assinando). Foto Arquivos AMRIGS.

Figura 90 - Prof. Otto Busatto recebe do Prof. Tibiriçá certifi cado de palestra proferida no auditório da rua Uruguai, em data não identifi cada. Foto Arquivo AMRIGS

 

Figura 91 - Sede da rua Uruguai, em data não identifi cada. Médica não identificada pronuncia palestra na mesa organizadora. Da esq. para dir. do observador: Prof. Tibiriçá, Prof. Nilo Pereira da Luz, não  indentificado, Dr. Nilo Bastos, Dr. Antonio Spolidoro. O balcão com as siglas da AMRIGS encontra-se plenamente conservado na sala nº 26 da AMRIGS. Foto Arquivo AMRIGS.

Figura 92 -Prof. Enio Candiota de Campos palestrando sobre Dermato, na sede da AMRIGS na rua Uruguai em data não identifi cada. Na mesa, sentados, da esq. para dir. do observador: Prof. Antônio Ludwing (óculos negros), Dr. Alfredo Hofmeister. Foto Arquivo AMRIGS.

 

Figura 93Palestra sobre Nefrologia pronunciada pelo Prof. Oly Lobatto, sede da AMRIGS, rua Uruguai, em data não identifi cada. Prof. Oly recebe diploma das mãos do Dr. Tibiriçá. Na mesa, sentados da esq. para dir. do observador: Dr. Paulo Cruz Maia, Dr. Newton Neves da Silva e Thomas Laranjeira Mariante. Foto Arquivo AMRIGS.

Figura 94 - Reunião científi ca no auditório da AMRIGS na sede da rua Uruguai em data não identifi cada. Sentados na primeira fi la, da esq. para a dir. do observador: pai do Dr. Eifl er; Dr. Krieger de Mello;Dr. Manoel Julio Gonzales; Dr. Thomas Laranjeira Mariante; Prof. Tibiriçá. No público: Paulo A. Ludwing, Tasso Majô Oliveira, Franklin Veríssimo, Newton Neves da Silva, Jaime Domingues, Stela Budianski, Valter Bucher. Identifi cados pelo Prof. Darcy O. Ilha.  Foto Arquivo AMRIGS

Figura 95Grupo de médicos e médicas, após reunião científica no auditório da AMRIGS na Rua Uruguai, em data não identificada. Seta identifi ca o Prof. Tibiriçá. Foto Arquivo AMRIGS

Figura 96 -  Palestra do Dr. Antonio Spolidoro na AMRIGS, sede da rua Uruguai, em data não identifi cada. Sentados, da esq. para a dir. do observador: Telmo Kruse, Bruno A. Marsiaj, Prof. Hilton Rocha, Prof. Tibiriçá, Prof. Fernando Machado Moreira. Em pé, da esq. para dir.: Halley Marques, Túlio Tappone, Carlos Osório Lopes, Walter Ghezzi, Lopart Castro, Armin Bernard. Foto Wyss Soares, Diário de Notícias.

Compra da Segunda Sede da AMRIGS na Avenida Salgado Filho

Em 1963, a AMRIGS, presidida pelo Dr. José L. Flores Soares, estava a beira de falência, a ponto de não ter dinheiro para compra de material de expediente. Era necessária uma gerência empresarial na AMRIGS. José Luiz Flores Soares convidou o Sr. Homero Lagranha Sardá, farmacêutico responsável da Farmácia Santa Cecília para ser contador da AMRIGS. Após minucioso levantamento contábil, Lagranha verifi cou que as verbas eram inferiores as despesas. Numa reunião da Diretoria e do Conselho, Lagranha propôs que a contribuição mensal dos sócios da AMRIGS, fosse elevada. Foi acertado que a mensalidade teria o valor de uma consulta particular, no valor de dez cruzeiros, a arrecadação subiu e as contas foram todas pagas. José Luiz Flores Soares foi substituído pelo Dr. Alberto Viana Rose, que orientou Lagranha a organizar Cursos de Atualização Médica, para arrecadar fundos para nossa Associação. O dinheiro apareceu e a AMRIGS passou a editar uma Revista, na Livraria do Globo, com apoio do Sr. José Bertaso, proprietário da Globo. É também editado o Boletim da AMRIGS, na Gráfi ca Santa Terezinha. Alberto Viana Rose é sucedido pelo Dr. Newton Neves da Silva, com atribulada gestão política. Osmar Pilla sucede Newton Neves da Silva. A sede da AMRIGS, na rua Uruguai já estava superada pela grandeza da AMRIGS, tornando-se pequena para as suas atividades culturais e científi cas.

Lagranha convence Osmar Pilla da necessidade de comprar uma nova sede para a AMRIGS. Um andar inteiro, com 1109 metros quadrados, com elevador privado, situada no Edifício Planalto, na Avenida Senador Salgado Filho nº 133, passou a interessar a AMRIGS. A proprietária da área era a Sra. Malvina Pianca de Oliveira, pediu a quantia de 400 mil cruzeiros pela sua propriedade. Para pagamento da nova sede, foi dado duzentos mil cruzeiros em dinheiro e a sede da rua Uruguai. Os duzentos mil cruzeiros foram conseguidos por empréstimo na Caixa Econômica Federal, por intermédio de um médico – não conseguimos identificar seu nome – que era chefe da Caixa. A nova sede foi inaugurada em 17 de julho de 1969, com a presença de autoridades como o Gov. Perachi Barcelos, Cardeal Don Vicente Scherer, Otávio Germano e inúmeros colegas de nossa classe. Lagranha foi considerado como “Salvador da AMRIGS”, pelo Dr. José Mariano da Rocha Filho. Nessa compra, a AMRIGS recebeu auxílio de laboratórios como: Lepetit, Carlo Erba, Roche, Maurício Vilela. Este último laboratório, doou uma barbearia completa para a AMRIGS, onde nossos colegas vinham cortar seu cabelo e barba. A nova sede tinha quatro auditórios, um restaurante e a referida barbearia.

Figura 97 - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969 Presidente da AMRIGS, Dr. Osmar Pilla, recebendo governador Perachi Barcelos (a esquerda da foto). Foto Resquin - Arquivo AMRIGS.

Figura 98 - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969. Da direita para a esquerda da foto: Gov. Perachi Barcelos, saudado pelo Sr. Homero Lagranha Sardá (Gerente da AMRIGS) e Dr. Osmar Pilla. Foto Resquin - Arquivo AMRIGS.

 

Figura 99 - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969. Da direita para a esquerda da foto: Dr. Osmar Pilla, Dr. Manoel Albuquerque, Cardeal Don Vicente Scherer, Gov. Perachi Barcelos, Dr. Carlos Osório Lopes, Prof. Tibiriçá, não identifi cado, Dr. Pedro Kassab, Pres. AMB. Foto Resquin - Arquivo AMRIGS.

Figura 100  - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969. Da direita para a esquerda da foto: Dr. Vouthier de Souza, Dr. Osmar Pilla e Gov. Perachi Barcelos.

Figura 101 - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969.

Figura 102 - AMRIGS, INAUGURAÇÃO DA SEDE PRÓPRIA, PORTO ALEGRE 17 DE JULHO DE 1969. Da direita para a esquerda da foto: Dr. Manoel Albuquerque. Prof. Tibiriçá, Dr. Fernando Pombo Dorneles, Dep. Otávio Germano, Gov. Perachi Barcelos, Dr. Osmar Pilla, não indentificado, Cardeal Don Vicente Scheler, autoridade militar não identificada.

Figura 103 - Cardeal Don Vicente Scherer abençoa a nova sede. Da direita para a esquerda da foto: não identifi cado, Dr. Manoel Albuquerque, Prof. Tibiriçá, Dep. Otávio Germano, Gov. Perachi Barcelos, Dr. Osmar Pilla, não identifi cado, Cardeal Don Vicente Scherer, não identifi cado, Prof. Eduardo Zaccaro Faraco. Foto Resquin - Arquivo AMRIGS

Figura 104 - Coquetel. Da dir. para a esq. da foto: Deputado Otávio Germano, Gov. Perachi Barcelos, Dr. Osmar Pilla, Dr. Fernando Machado Moreira (com cigarro na boca). Foto Resquin - Arquivo AMRIGS

 

 

Bibliografia

1- “Correio do Povo”. Edição de 22/10/1966, p 31.

2- “História do Rio Grande do Sul-Sandra Jatay Pesavento – 7ª Ed. – Porto Alegre : Mercado Aberto.

3- Ibdem

4- “Fogos de Bengala nos céus de Porto Alegre”: A Faculdade de Medicina faz 100 anos/Maria de Nazareth Agra Haassen, Mário Rigatto: colaboradores Rubensd Maciel e Moaccyr Scliar – Porto Alegre. Tomo Editorial, 1998, 240 p. UFRGS. Faculdade de Medicina – História. Rigatto, Mário.

5- Jornal “A Federação”. Ed. de 13 de junho de 1895, p. 3.

6- Gomes, Martins. Sobre a História da Medicina no Estado do Rio Grande Sul. In: FRANCO, Allvaro e Ramos, Sinhorinha Maria. Panteon Médico Rio-Grandense. Síntese: Cultural e História São Paulo, Ramo, Franco Editores, 1943: 28.

7- Anais da Câmara Municipal de Porto Alegre: Art. Quatorze da Lei Mil oitocentos e trinta e dois, datado de 14 de janeiro de 1841.

8- Ibidem 6.

9- A Instrução Pública no Rio Grande do Sul - l01770-1889. Autoria: Prof. Regina Portella Shoneider.

10- Faculdade de Farmácia –UFRGS –1895 –1997/Heloisa Vellinho Corso – Porto Alegre : UFRGS 1990.

11- Saúde Mental –Políticas instituições – Móduo 1.

12- Cultura e Direitos do Estado: os caminhos (in)certos da cidadania no Brasil.

13- Hobsbaw, Eric J. A.. Era do Capital, 1848-1875, p. 43. Tradução do original em inglês: “The Age of Revolution”: 1848-1875. Editora Paz e Terrá, Rio de Janeiro.

14- Noticioso do Prof. Danilo Assunpção Santos no relato da Associação Médica de Alegrete, comemorados em Alegrete na data de 17 de agosto de 2006.

15- Cad. de Saúde Pública. Rio de Janeiro, 11(4); 600 - 615, out/dez 1965.

16- Dr. Cyro Martins em relato no “Correio do Povo”. Ed, de 22 de junho de 1978, p. 9.

17- Revista “Archivos Riograndenses de Medicina. Ano VI – 30/4/1927. Num. 4 p. 10.

18- Revista “Archivos Riograndenses de Medicina” – Ano VII. Dezembro de 1928. N° 12 p. 24. Syndicato Médico Rio Grandense. Tese apresentada ao Primeiro Congresso Municipal de Saúde Pública, Medicina Social e Hospitaes, abril de 1928, de autoria do Dr. Raul Bittencourt.

19- Revistas “Archivos Rio Grandenses de Medicina” – Edição de 20 de maio de 1931, p. 23 e 24 – Syndicato Médico do Rio Grande do Sul.

20- “Correio do Povo”. Ed. de 7/10/1951.

21- “Panteon Médico Rio Grandense – Síntese Cultural e Histórica”. Editores: Alvaro Franco –Sinhorinha Maria Ramos – 1943 – São Paulo.

22- “Cem anos de Formação Médica no Rio Grande do Sul”. Organizador: Aloyzio Achutti - Porto Alegre: Tomo II Editorial 1993 (Coleção Sul Riograndense de Medicina).

23- “Os Médicos (PR) ESCREVEM -7. Vidas e Obras, organizadores: Blau Souza, Fernando Neubart, Franklin Cunha e José Eduardo Degrazzia, 2001.

Bibliografia consultada

1- “Correio do Povo”. Ed.de 22 /10/1966.

2- História do Rio Grande do Sul – Sandra Jatay Pesavento - 7ª Ed. – Porto Alegre: Mercado Aberto.

3- Ibidem.

4- “Fogos de Bengala nos Céus de Porto Alegre”; Faculdade de Medicina faz 100 Anos/Maria de Nazareth Agra Hassen, Mário Rigatto; Colaboradores Rubens Maciel, Moacyr Scliar – Porto Alegre. Tomo Editorial, 1998, 240 p. UFRGS. Faculdade de Medicina.- História, Rigatto, Mário.

5- Jornal “A Federação”. Ed. de 13 de junho de 1895, p.3.

6- Gomes, Martins “Sobre a História daa Medicina no Estado do Rio Grande do Sul”. In. FRANCO, ÁLVARO RAMOS, Sinhorinha Maria. Panteon Médico Rio-Grandense. Síntese, Cultura e História, São Paulo, Ramos, Franco Editores, 1943:28.

7- Anais da Câmara Municipal de Porto Alegre: Art. Quatorze da Lei Mil e oitocentos e trinta e dois, datado de 14 de janeiro de 1841.

8- Ibidem 6.

9- “A Instrução Pública no Rio Grande do Sul” 1770-1889. Autor Profa. Regina Portella Schonider.

10- Faculdade de Farmácia - UFRGS - 1895-1997/Heloisa Velhinho Corso - Porto Alegre: UFRGS, 1990.

11- Saúde Mental – Políticas e Instituições - Módulo 1.

12- Cultura e Direitos do Estado: os caminhos (in)certos da cidadania no Brasil: Sociedade. Estado e Direito à Saúde.

13- Hobsbawn, Eric J. A. Era do capital, 1848 – 1875, p. 43. Tradução do original em inglês: The Age of Revolution: 1848-1875. Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro.

14- Noticioso do Prof. Danilo Assumpção Santos no relato “80 Anos de Fundação da Associação Médica do Alegrete”, comemorados em Alegrete na data de 17 de agosto de 2006.

15- Cad. De Saúde Pública. Rio de janeiro, 11(4) 600-615, out/dez 1965.

16- Dr. Cyro Martins em relato no “Correio do Povo”. Ed. de 22 de junho de 1978, p.9.

17- Revista dos “Archivos Riograndenses de Medicina”. Ano VI – 30/4/1927. Num.4 , p.10.

18- Revista dos “Archivos Riograndenses de Medicina – Ano VII –Dezembro de 1928. Nº 12, p. 24. Syndicato Médico Rio Grandense. Tese apresentada ao Primeiro Congresso Municipal de Saúde Pública, Medicina Social e Hospitaes, abril de 1928, autoria do dr. Raul Bittencourt.

19- Revista “Archivos Rio Grandense de Medicina – Edição de 20 de maio de 1931, p.23 e 24.

20- “Correio do Povo”. Ed. de 7/10/1951.

21- “Panteon Médico do Rio Grandense – Síntese Cultural e histórica” – Editores: Álvara – Franco –Sinhorinha Maria Ramos. - 1943 - São Paulo.

22- “Cem Anos de Formação Médica no Rio Grande do Sul”. Organizador: Aloyzio Achutti - Porto Alegre: Tomo II.editorial 1993 v (Coleção Sul Riograndense de Medicina).

23- “Os Médicos (PR)ESCREVEM – Vidas e Obras, organizadores: Blau Souza, Fernando Neubart, Franklin Cunha e José Eduardo Degrazzia, 2001.

23.1- Sanderson, Julio. 40 Anos da AMB - Fundaçção da AMB.Vol, 1.

23.2- Weber, Beatriz Teixeira. As Artes de Curar, Medicina, Religião, Magia e positivismo na república Rio-Grandense - 1885 –1928.

Foram pesquisados documentos – atas, jornais, livros, revistas, fotografias e demais acervos informativos, das seguintes entidades:

Biblioteca da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFRGS

Biblioteca da Faculdade de Farmácia da UFRGS

Biblioteca da PUC/RS

Biblioteca do Conselho Regional de Farmácia de Porto Alegre

Biblioteca do Hospital Militar de Porto Alegre

Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul

Biblioteca da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul

Biblioteca da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre

Museu Joaquim José Felizardo – Fototeca Sioma Breitmann

Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa

Acervo de Imagens do Museu Social Hipólito José de Carvalho

AMRIGS – Livro de Atas da Sociedade de Medicina de Porto Alegre –1960

AMRIGS – Livro de Atas da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre –1950.

AMRIGS – Livro de Atas da Comissão Orgnizadora da AMRIGS

AMRIGS – Livro de Quotas, para compra da Sede da AMRIGS da Rua Uruguay, 1952.

AMRIGS – Livro da Segunda Assembléia Geral de Delegados da AMRIGS, 31 de outubro de 1952.

AMRIGS – Livro do laudo de Avaliação do Imóvel: conjunto 1004 do 10° andar do Edifício Piratiny, situado na Rua Uruguay, 210 – Primeira sede da AMRIGS. Janeiro de 1978.

Arquivo Fotografico da AMRIGS.

Arquivos e Memórias de todas as Sociedades integrantes da AMRIGS.

Livro de Atas - 1946 - da Sociedade de Medicina de Porto Alegre.

Livro de Atas –1951 – da Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre.

Jornais: “A Federação”, “Correio do Povo”, “Diário de Notícias”, “Jornal do Dia”, “Jornal do Comércio”.

Contatos – Informações – Entrevistas:

Dr. Oswaldo Wolff Dick, que secretariou e redigiu a Ata de fundação da AMRIGS.

Dr. Darcy de Oliveira Ilha, participante da fundação da AMRIGS.

Dr. Paulo Henrique Legerini Pereira, participante da fundação da AMRIGS.

Dr. Aloyzio Achutti.

Dr. José Carlos Duarte dos Santos.

Dr. Hélio Balanguer.

Dr. Henrique Licht.