Ao longo de mais de meio século de existência, a trajetória da AMRIGS se confunde com a própria história da Medicina moderna no Rio Grande do Sul. Fundada em 27 de outubro de 1951 sob a inspiração de um grupo de médicos de destaque no meio profissional gaúcho, a AMRIGS teve como primeiro presidente Bruno Marsiaj, seguindo-se no cargo Paulo Tibiriça, Walter Guezzi, José Luiz Flores Soares, Alberto Viana Rosa, Newton Neves da Silva, Osmar Pilla, Manoel Antonio Albuquerque, Luiz Alberto Fagundes, Harri Waldir Graeff, Hans Ingomar Schereen, Paulo Marroni Silveira, Gerda Horn Caleffi, Marco Antonio Becker, Martinho Álvares da Silva, Hilberto Corrêa de Almeida, Newton Barros. Hoje, a entidade tem à sua frente, Dirceu Rodrigues.
Da aquisição de sua primeira sede, na Rua Uruguai à compra da segunda em 1968, na Av. Salgado Filho, passando pela conclusão em 1990 do atual Centro AMRIGS, do Centro Científico Cultural em 1996 até a inauguração em outubro de 1999 do Teatro AMRIGS, a entidade consolidou um sólido patrimônio material, que lhe permitiu, ao longo dos anos, aprimorar as suas atividades.
A maior expansão das instalações físicas da AMRIGS ocorreu a partir dos anos 70. Mais precisamente do dia 10 de outubro de 1973, quando o Diário Oficial do Estado publicou a Lei no. 6.608 doando o terreno do atual Centro AMRIGS pelo Governo gaúcho. A escritura foi assinada no ano seguinte com o testemunho de todos os ex-presidentes, e em 1976 o projeto Centro AMRIGS, assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer começou a sair do papel.
Hoje, aos 57 anos de idade, a AMRIGS congrega cerca de 10 mil sócios em todo o Estado, reunindo 41 seccionais e 45 Sociedades de Especialidades e Departamentos.
Os problemas e as transformações da classe médica no Estado, têm sido documentadas inclusive no Jornal da AMRIGS, o mais antigo entre os jornais de classe publicados hoje no Estado. O periódico, que circulou pela primeira vez no dia 15 de outubro de 1952 como Boletim da Associação Médica do Rio Grande do Sul, reflete nas suas páginas o esforço que a entidade exigiu dos seus sócios e, especialmente, de suas diretorias, para consolidar o seu prestígio como uma das instituições de classe mais atuantes e representativas do País.
Investimentos técnico-científico e cultural - Historicamente, as atividades voltadas para o aprimoramento técnico-científico e cultural da classe médica foram as que demandaram os maiores investimentos da entidade. E é nesta área - a da educação médica continuada - que estão, talvez, as suas maiores realizações: o Programa de Educação Médica Continuada (PEC), a Revista AMRIGS, o Congresso AMRIGS e, principalmente, o Exame AMRIGS, que ao longo dos últimos 29 anos vem avaliando nos médicos gaúchos os conhecimentos indispensáveis ao exercício ético e qualificado da Medicina.
A primeira prova do Exame AMRIGS foi aplicada em 1971 com 115 examinados. O Exame, que em 1996 teve 1.433 candidatos, nasceu do Conselho de Examinadores da AMRIGS, criado no dia 10 de dezembro de 1970, para fazer frente às deficiências do ensino médico agravadas já naquela época pela proliferação desenfreada das faculdades de Medicina no País.
Nas últimas três décadas, a luta contra a abertura de novos cursos de Medicina foi uma tarefa constante da entidade. Mas as ações na Justiça, as campanhas públicas e as incontáveis audiências que os dirigentes da entidade e das demais entidades médicas do País tiveram com as autoridades do ensino em Brasília foram insuficientes para conter a crescente mercantilização do ensino médico e seus efeitos.
Apesar do relacionamento estreito com as autoridades, a entidade jamais abrigou a política partidária. E mesmo durante os anos de chumbo da ditadura militar manteve-se fiel aos seus princípios institucionais de defender a democracia, a liberdade e a justiça social. Numa atitude até então inédita, a AMRIGS passou, a partir dos anos 90, a denunciar publicamente o descaso dos sucessivos governos com a saúde da população. Em outubro de 1993 a entidade lançou uma campanha pública sob o slogan "Diga Não Genocídio", que culminou com uma manifestação de médicos, políticos e dirigentes comunitários no centro de Porto Alegre. Neste mesmo, também realizou uma intensa mobilização nos meios políticos, reivindicando do governo federal mais verbas para a saúde pública.
Em outubro de 1995, também com o objetivo de sensibilizar as autoridades para o problema da saúde pública, a entidade iniciou um movimento, que em três anos levou mais de 3 mil médicos do Estado a se descadastrarem do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desfrutando sempre de um alto prestígio junto aos órgãos públicos e entidades dos diversos setores da comunidade rio-grandense, a AMRIGS realizou em quatro décadas inúmeras parcerias que resultaram na solução de problemas na área da assistência médico-hospitalar e na melhoria da qualidade de vida da população. A maior destas parceiras ocorreu em 1975, quando a entidade, através do extinto Funrural, passou a atuar como interveniente em trezentos convênios dos quais participavam dois mil médicos e eram beneficiados três milhões de trabalhadores do Estado.
A AMRIGS sempre se preocupou com a assistência médico-hospitalar, previdenciária e social dos seus associados. Entre as iniciativas nesta área destacam-se o Fundo de Assistência ao Médico e o Sistema de Auxílio-Doença Mensal criados na segunda metade dos anos 70, e que, ano após ano, estão ampliando os seus benefícios. Hoje, os associados estão assegurados com o AMRIGS PROTEGE (Assessoria Jurídica Completa - gratuita para a defesa profissional), com um plano de Auxílio Doença Mensal Temporário (ADMT), com o Fundo de Auxílio Funeral (FAMRIGS) e o AMRIGSPREV. Também contam com outros serviços disponiveis.



