Hemobrás qualifica coleta de plasma brasileiro

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Hemobrás qualifica coleta de plasma brasileiro

Encontro, que reúne 72 hemocentros em Brasília, discute gestão a fim de aumentar a quantidade de plasma humano com qualidade industrial

A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) reúne 142 representantes dos 72 principais serviços de hemoterapia públicos e privados de todas as regiões do Brasil, de hoje (23) a quinta-feira (25), para a sensibilização sobre a importância da gestão da qualidade, fundamental para o aumento da quantidade do plasma humano destinado à indústria. Este hemocomponente é a matéria-prima dos medicamentos que a estatal, vinculada ao Ministério da Saúde, irá produzir, a partir de 2014, na sua fábrica em construção no município de Goiana, em Pernambuco. A II Oficina da Hemobrás – Gestão da Qualidade no Serviço de Hemoterapia, está sendo realizado em Brasília, com o apoio da Organização Pan-americana da Saúde (Opas).

O plasma humano destinado à produção dos hemoderivados é aquele oriundo das doações de sangue, mas que não chega a ser aproveitado nas transfusões. Além disso, para ser transformado em medicamentos, é necessário ter qualidade industrial, ou seja, obedecer a critérios específicos, que visam o bom aproveitamento de suas propriedades. Atualmente, os hemocentros recebem 3,6 milhões doações de sangue por ano, que resultam em 150 mil litros de plasma com qualidade industrial. A expectativa é, em 2014, alcançar a média de 300 mil litros ao ano, volume ideal para que a fábrica, que terá capacidade para processar 500 mil litros de plasma/ano, comece a operar.

Na unidade fabril da estatal, serão produzidos albumina, imunoglobulina, fatores de coagulação VIII e IX, complexo protrombínico e fator de von Willebrand, para serem distribuídos no Sistema Único de Saúde (SUS). Estes medicamentos são fundamentais para 11,5 mil brasileiros com hemofilia, 1,5 mil pacientes com imunodeficiências primárias, portadores de cirrose, câncer, aids, que apresentem queimaduras graves ou que estejam internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A Hemobrás reconhece a importância do comprometimento dos serviços de hemoterapia nesta causa e vem desenvolvendo iniciativas permanentes para que este objetivo seja atingido, como a realização desta oficina. Este ano, participarão técnicos e gestores das áreas de processamento e da gestão da qualidade de 72 serviços (em 2010, foram 56 pessoas de 53 estabelecimentos), que poderão trocar informações e experiências nas palestras e nas discussões técnicas, além de serem sensibilizados capacitados para a aplicação das boas práticas de fabricação em seus serviços.

As palestras são proferidas por profissionais de referência na área, no âmbito nacional, como representantes da Hemobrás; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde; Hemocentro de Ribeirão Preto e Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan), de São Paulo, e Fundação Hematologia e Hemoterapia do Pará (Hemopa); e internacional, que é o caso da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Laboratório Francês de Biotecnologia (LFB), parceiro de transferência tecnológica da Hemobrás.

Tendo como foco a gestão da qualidade como ferramenta para qualificação dos processos desenvolvidos pelos serviços de hemoterapia, estão sendo abordados temas como recolhimento de plasma no Brasil; os critérios de aceitação do plasma LFB, atual responsável por transformar o plasma recolhido nos hemocentros brasileiros nos hemoderivados distribuídos pelo SUS; e o conceito de boas práticas de fabricação nos serviços de hemoterapia.

INCENTIVO – Até o final do ano, a Hemobrás assinará contrato de incentivo com 110 serviços de hemoterapia do País. A iniciativa visa ao aperfeiçoamento de processos de produção, qualificação e armazenagem do plasma sanguíneo por parte dos hemocentros. Vale salientar que a Hemobrás não pagará pelo plasma, o que é proibido pela Constituição Federal (parágrafo 4° do artigo 199). A estatal repassará às instituições de R$ 20 a R$ 38 por litro do insumo em condições industriais, recurso que deverá ser empregado na compra de maquinário, manutenção de equipamentos, contratação de profissionais, além da melhoria do controle da qualidade do plasma. Desde julho, já estabeleceram parceria com a Hemobrás os hemocentros de Brasília, Minas Gerais (Hemominas), Paraná (Hemepar), Pernambuco (Hemope), Rio de Janeiro (Hemorio e Hemocentro de Campo dos Goytacazes), São Paulo (Pró-Sangue e Colsan) e Bahia (Hemoba). O plasma não pode se comprado.

QUALIFICAÇÃO – Empenhada na qualificação dos hemocentros como fornecedores de plasma para a indústria brasileira, a Hemobrás vem realizando auditorias nos principais hemocentros do País. Este ano, serão 110 estabelecimentos. Além disso, a estatal firmou convênio com o Ministério da Saúde para aquisição de equipamentos, como 38 blast freezers (freezers de congelamento rápido do plasma), 25 sistemas de monitoramento do congelamento do plasma e 15 freezers verticais a 30°C negativos para armazenamento de plasma, cedidos para o uso pelos serviços de hemoterapia.

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