Histórico

A Associação Médica do Rio Grande do Sul

A história da Associação Médica do Rio Grande do Sul começa nos primeiros momentos da segunda metade do século XX. A AMRIGS foi concebida a partir do exemplo de associações profissionais que se formavam ao redor do mundo e por influência direta da recém-constituída Associação Médica Brasileira. Desde sua concepção, a AMRIGS tinha por objetivo abarcar os médicos do Estado em uma entidade que promovesse o ideal associativista através da atualização na formação acadêmica e da realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, medicina e à vida profissional.

O nascimento desta entidade foi resultado, principalmente, dos esforços de dois médicos, presidentes, então, de duas sociedades médicas locais, que tinham o sonho de unir as sociedades de especialidades em uma única instituição para o aprimoramento da classe médica. Os doutores Paulo Queiróz Telles Tibiriçá - Presidente da Sociedade de Medicina de Porto Alegre, e Bruno Attilio Marsiaj - Presidente da Sociedade de Cirurgia do Rio Grande do Sul, percorreram todo o Estado do Rio Grande do Sul, reunindo apoiadores para a fundação da AMRIGS.

A AMRIGS foi então fundada oficialmente no dia 27 de outubro de 1951, durante a Primeira Jornada de Cirurgia promovida pela Sociedade de Cirurgia de Porto Alegre. O evento foi realizado na antiga Faculdade de Medicina de Porto Alegre, hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e contou com a presença de importantes figuras do Estado na área da saúde além de 76 delegados eleitos pelas 23 sociedades médicas existentes no Estado, em uma noite que foi apelidada de “memorável” pela classe médica.

Na ocasião, o Dr. Bruno Attilio Marsiaj foi eleito como primeiro presidente da AMRIGS, constituindo assim sua primeira diretoria e fundamentando os quatro principais propósitos da Associação Médica do Rio Grande do Sul:

  • Reunir e estruturar a classe médica dentro do ideal associativista;
  • Fomentar debates científico-culturais e promover educação continuada;
  • Instituir sistemas de previdência e assistência social para médicos aposentados;
  • Defender os direitos da classe médica e da população.

Caravanas AMRIGS

O ideal associativista dentro da classe médica gaúcha começou a ser promovido por meio da realização de expedições às cidades do interior do Estado. As chamadas “Caravanas” tinham o objetivo de fortalecer e integrar a classe médica do Rio Grande do Sul, realizando palestras, mesas redondas e demais atividades voltadas especialmente à comunidade médica. As Caravanas AMRIGS foram os primeiros instrumentos para a capacitação continuada e integração da categoria no Estado.

Em 2011, a Associação Médica do Rio Grande do Sul retornou às suas origens retomando as tradicionais Caravanas, promovendo a troca de conhecimento científico e cultural entre a comunidade médica. Assim, as Caravanas AMRIGS, que serviram de “incubadoras” para o desenvolvimento do associativismo médico no Rio Grande do Sul, continuam presentes fortalecendo os vínculos da categoria entre os médicos da capital e do interior.

Estrutura

A AMRIGS adquiriu sua primeira sede oficial em 1952, ainda sob o comando de seu primeiro presidente. A sede era composta por um conjunto de salas no décimo andar do prédio Piratini no Centro Histórico de Porto Alegre, na Rua Uruguai, próximo ao prédio da Prefeitura. Nesta ocasião, a arrecadação de doações para a compra do imóvel entre os associados previa que parte deste dinheiro deveria ser guardada para a construção de uma futura sede própria em Porto Alegre.

A segunda sede da AMRIGS foi inaugurada em 1969, constituída por um conjunto de salas no Edifício Jaguaribe, na Avenida Salgado Filho, também no centro da Capital. A nova sede contava com quatro auditórios, um restaurante e uma barbearia e foi adquirida por meio da venda da sede anterior e da obtenção de um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal. A mudança de sede apresentava o panorama da solidificação e crescimento da instituição, que necessitava de um espaço mais adequado para comportar o seu quadro social e a sua atuação na qualificação profissional e na participação dos debates sociais.

A sede definitiva da Associação teve sua construção concluída em 1990. Erguida sobre o terreno doado pelo Governo do Estado na Avenida Ipiranga em 1973, o projeto original da sede foi idealizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A doação do terreno foi obtida graças ao esforço da AMRIGS em desempenhar um papel de importância dentro da comunidade médica gaúcha, contando à época, com 82% dos médicos do estado em seu quadro de associados. Por causa do peso que representava a Associação, a Assembleia Legislativa oficializou a doação com publicação no Diário Oficial do dia 10 de outubro de 1973.

Em 1997, adicionou-se ao terreno o prédio do Centro Científico-cultural que atualmente abriga as diversas sociedades e departamentos de especialidades médicas do Rio Grande do Sul, além de ser um espaço que conta com auditório e salas equipadas para a formação continuada dos médicos. Dois anos depois, em 1999, foi edificado sobre o terreno o Teatro da AMRIGS, hoje um ponto de referência na capital e importante centro de difusão cultural.

Presença na vida dos médicos

Desde o momento de sua fundação, a AMRIGS tem se empenhado em integrar a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos o desenvolvimento e a organização da categoria desde as faculdades, o fornecimento de uma educação continuada, a luta pelos direitos dos médicos e o apoio aos profissionais já aposentados.

Em sua organização inicial, a Associação Médica do Rio Grande do Sul contava com diversos departamentos de especialidades médicas em que ocorriam encontros associativos entre colegas. Com o passar dos anos, alguns departamentos começaram a ganhar autonomia e acabaram tornando-se sociedades, entretanto, a relação com os futuros médicos ainda necessitava de um lugar oficial. Em 1990 criou-se então o Departamento Universitário - resultado da preocupação que a AMRIGS sempre teve com a qualidade do ensino de Medicina no Rio Grande do Sul e com o acesso dos novos profissionais ao mercado de trabalho. Preocupação essa que vem sendo expressa ao longo de toda a história da AMRIGS, através de sua luta contra a criação de cursos de medicina que não correspondam aos mais altos índices de avaliação e de seu apoio aos movimentos estudantis.

A participação da Associação na vida acadêmica dos futuros médicos também se manifesta por meio da Prova AMRIGS, que teve sua primeira aplicação em 1971 sob o nome de Exame AMRIGS, e hoje é reconhecida no Brasil inteiro como um importante instrumento de avaliação da categoria médica - em 2014, a Prova foi realizada em Santa Catarina em parceria com a Associação Catarinense de Medicina e, em 2016, no Mato Grosso do Sul.

Para além das faculdades de Medicina, os médicos gaúchos contam com a AMRIGS para o desenvolvimento de sua educação continuada. A Associação vem promovendo e desenvolvendo atividades e instrumentos voltados ao aprimoramento técnico-científico da categoria sendo estas, possivelmente, suas principais ações. O Programa de Educação Médica Continuada (PEC), a Revista AMRIGS (uma importante publicação científica da área da saúde), o Congresso AMRIGS (bem como os congressos promovidos por suas sociedades e departamentos) e a própria Prova AMRIGS são alguns destes instrumentos.

Hoje, os associados contam o projeto Consultoria AMRIGS, que oferece serviços para a gestão da carreira do profissional. Além disso, em 2011, a AMRIGS criou o Projeto Amparo que visa atender as necessidades sociais e de convivência dos médicos aposentados por meio de encontros mensais na sede da Associação com palestras sobre temas variados.

Iniciativas

As Caravanas AMRIGS, jornadas, congressos e reuniões científicas representam as principais e mais abrangentes iniciativas da Associação em prol do desenvolvimento da classe médica no Estado. Tais eventos são realizados desde antes da fundação oficial da entidade e seguem sendo importantes instrumentos de interação e desenvolvimento técnico-científico da categoria.

Durante a década de 1970, preocupada com a assistência médica, previdenciária e social de seus associados e da população geral, a AMRIGS desenvolveu diversos programas em parceria com entidades como os extintos Funrural e Fundacentro. Dentre estes programas se destacam o Fundo de Assistência ao Médico e o Sistema de Auxílio-Doença Mensal. Tais programas foram as bases para a constituição do atual Sistema Nacional de Atendimento Médico, o SINAM, oferecido pela AMRIGS.

O Programa Fumo Zero, uma campanha da AMRIGS resultante de décadas de projetos de conscientização a respeito dos males do cigarro, foi lançado em 2003. A campanha realizava ações em praças, shoppings e outros locais de alta circulação, procurando sempre estabelecer o diálogo com a população. Em 2005, o Programa Fumo Zero foi um importante parceiro da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Porto Alegre na realização da 19ª Largada do Cigarro: uma corrida contra o fumo.

Ainda em 2005, a AMRIGS, em assembleia geral, criou o Instituto Vida Solidária (IVS), que tem como objetivo o desenvolvimento de ações voltadas a questões sociais, de saúde, educação e fomento à cultura em áreas carentes. O propósito da então diretoria era aproximar-se da comunidade geral ampliando suas ações para além da categoria médica e seus associados. Em 2008, o IVS pôde construir uma sede própria contando com recursos do Consulado do Japão em terreno cedido pelo governo do Estado no acesso à Vila São Pedro, próxima à sede da Associação.

Entrando na segunda década do século XXI, a AMRIGS realizou em 2010 a entrega do 1º Prêmio AMRIGS de Jornalismo e, no ano seguinte, retornou às suas origens retomando as tradicionais Caravanas pelas cidades do interior do Estado. Promoveu ainda, ao longo destes últimos anos, importantes ações, como as campanhas pela Medicina Preventiva e pelo combate ao Aedes aegypt. Hoje, a AMRIGS também promove encontros e palestras mensais temáticos contando sempre com o apoio de seus departamentos e sociedades.

Hoje, amanhã e sempre

Neste ano de 2019, sob a presidência do Dr. Alfredo Floro Cantalice Neto, a AMRIGS segue realizando suas importantes campanhas junto à população geral fazendo-se sempre presente também nos movimentos referentes ao Outubro Rosa e ao Novembro Azul, por exemplo. Orgulhosa de sua trajetória, a AMRIGS hoje também olha para o futuro do associativismo médico por meio da intensificação das tradicionais Caravanas e do crescimento do seu Departamento Universitário - que realizou seu primeiro congresso em 2019. A Associação demonstra também sua preocupação com o meio ambiente desenvolvendo projetos de instalação de painéis fotovoltaicos no prédio da entidade para reduzir o consumo de energia em sua sede, uma forma de contribuir para sustentabilidade do planeta, uma pauta recente da AMRIGS para as gerações futuras.

A Associação também se faz presente nas redes sociais, sempre interagindo com seus associados e colaboradores por meio do Facebook e no Instagram. Além disso, os médicos da AMRIGS também contam com a Revista AMRIGS para ficar por dentro das ações realizadas pela associação, suas sociedades e entidades parceiras. Hoje, a Revista é uma publicação 100% digital, refletindo a consciência ambiental e a atualidade da Associação Médica do Rio Grande do Sul.