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17/12/2021 - Inauguração do Memorial da Gratidão AMRIGS é marcada por emoção e reconhecimento do trabalho em favor da vida



Em solenidade realizada na Associação Médica do Rio Grande do Sul foi feita a inauguração das esculturas que retratam os três momentos da pandemia: a morte, a ciência e a cura

A noite de homenagem aos médicos e profissionais da saúde que perderam suas vidas na pandemia foi um momento marcante nos 70 anos da Associação Médica do Rio Grande do Sul. A entidade inaugurou na noite desta quinta-feira (16/12), o Memorial da Gratidão AMRIGS, monumento considerado o maior dedicado à classe médica no Brasil.

“Quando iniciamos a nossa gestão, pensamos em como poderíamos homenagear os profissionais da saúde neste momento tão difícil e de tanta angústia e imprevisibilidade. Não somos heróis e não temos nem capa, mas trabalhamos muito para salvar vidas”, declarou o presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr.

Ainda em seu discurso, o presidente da AMRIGS lembrou o medo constante que os profissionais enfrentavam e ainda enfrentam na linha de frente do combate à pandemia.

“Há o medo de levar a doença para casa e contaminar nossos pais e nossos filhos. Como este ano, a AMRIGS completou 70 anos, entendemos que era o momento para isso. O conceito da homenagem precisava ser atemporal, porque a pandemia não acabou. Então, infelizmente ainda poderemos perder mais profissionais. Por isso não havia como nominar a cada um, mas sim prestar o reconhecimento a todos que trabalharam e tombaram no combate à doença”, completou Dr. Gerson.

O evento contou, entre outras autoridades, com o secretário municipal da Saúde, Mauro Sparta e a representante da Câmara Municipal de Porto Alegre, Mônica Leal. Durante o descerramento das obras, foi feita uma apresentação musical tomada de emoção com a apresentação do Quarteto de Cordas do Theatro São Pedro.

A atividade cultural uniu a arte com a música promovendo uma experiência sensorial completa a todos os convidados presentes no átrio da AMRIGS. O recital trouxe composições que expressaram os três momentos que estão representados na obra: Morte, Ciência e Cura.

O secretário municipal da Saúde, Dr. Mauro Sparta, falou da emoção vivida pela oportunidade da homenagem.

“É uma lágrima de saudade. Deixamos aqui um abraço a todos os familiares que perderam seus entes queridos”, disse.

O representante do Governo do Estado, diretor de Regulação da Secretaria Estadual da Saúde, Dr. Eduardo Elssade, destacou as dificuldades vividas nos últimos dois anos em um cenário repleto de dúvidas e incertezas.

"Vivenciamos uma prova de fogo. Chegamos em um determinado momento ao colapso com quase 500 pacientes em filas de UTIs, UPAs e emergências e as equipes trabalhando quase 24 horas de forma ininterruptas, recordou.

Dr. Adyr Eduardo Virmond Faria foi um dos convidados a expressar sua emoção representando os familiares dos que faleceram. Também médico, ele perdeu o pai Adyr Cancello Faria.

“Nós médicos, estamos acostumados a lidar com doenças e dificuldades. Mas estar do outro lado é algo que às vezes não estamos preparados. Vivemos uma angústia muito grande e o mais difícil de tudo foi não conseguir estar ao lado. Sem poder tocar e abraçar. O sentimento de todos que perderam seus entes queridos teve esse momento marcante" declarou.

A também médica Mariella Servando, perdeu o marido, o médico José Pozo Raymundo, e expressou a sua dor.

“O sentimento de todos nós que passamos por esses momentos foi de desespero, ansiedade e dor. Tristemente quando achávamos que ele teria alta, o destino não pensou igual a nós. Agradeço a sensibilidade da AMRIGS que, mesmo em um momento tão doloroso, fez essa justa homenagem”, relatou emocionada.

O Memorial

O Memorial da Gratidão AMRIGS fica localizado no átrio do prédio da entidade e estará aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. O Memorial da Gratidão AMRIGS conta com patrocínio da Academia Sul Riograndense de Medicina, Câmara Municipal de Porto Alegre, Claro, Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, Farmácias São João, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Prefeitura de Porto Alegre, Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Unicred e Unimed Porto Alegre.

A obra

A estrutura tem 7,5 metros de comprimento, 2,65 metros de altura e 1,40 metros de profundidade. A concepção das esculturas foi feita pelo cirurgião plástico Paulo Favalli.

“Os médicos foram os difusores do saber científico. Foram o elo de esperança e aqueles que triunfaram ao lado de seus pacientes curados. Busquei reproduzir uma epopéia humana, sintetizada em três capítulos”, explicou o artista.

O primeiro painel representa "A Morte". Como soldados convocados para a guerra, os médicos e demais profissionais da saúde não se furtaram de capitanear o combate à maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Muitos heróis sucumbiram . Por isso, a obra representa um médico falecido, ainda vestindo máscara e de posse do Bastão de Asclépio (símbolo da medicina)

A segunda parte representa "A Ciência". A busca por uma solução para conter a trágica pandemia levou cientistas do mundo inteiro a desenvolverem vacinas a partir de diferentes tecnologias. O painel homenageia a ciência e inverte a lógica. Ao invés do organismo microscópico entrar no hospedeiro humano, é possível presenciar um homem invadindo o vírus. A posição mostra o homem debruçado munido de lupas, incansável enquanto manipula o material genético com a certeza de que apenas o profundo estudo através do método científico nos levará à salvação.

Por fim, a terceira parte é intitulada "A Cura". O painel ilustra o paciente pronado, ou de bruços (um dos símbolos do manejo dos pacientes graves de COVID-19). Ele recebe oxigênio por tubos. A figura ao lado mostra o paciente voltando a respirar e uma terceira figura representa o médico estendendo seus braços devolvendo o paciente à vida.

Fonte: Marcelo Matusiak
Fotos: Giancarlo Kopczynski



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