Setembro Dourado: Dar continuidade ao tratamento do câncer infantil pode curar pequenos pacientes

Setembro Dourado: Dar continuidade ao tratamento do câncer infantil pode curar pequenos pacientes

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Setembro Dourado: Dar continuidade ao tratamento do câncer infantil pode curar pequenos pacientes

Um projeto chamado Gold Hope vem atraindo a atenção para o câncer infantil ao disponibilizar no site fotos de crianças diagnosticadas com a doença. Por entender que o tratamento é delicado e, muitas vezes, exaustivo para os pequenos e as famílias, um grupo de fotógrafos internacionais se juntou para fazer registros que mostrem as crianças dentro de um universo de alegria, como se fosse um ambiente mágico de brincadeira.
O câncer infantojuvenil corresponde a um conjunto de várias doenças que tem em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do corpo. Entre os tumores mais frequentes na infância estão as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os linfomas (sistema linfático) e os tumores do Sistema Nervoso Central. No Brasil, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), biênio 2016-2017, ocorrerão, aproximadamente, 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos. As regiões Sudeste e Nordeste apresentarão os maiores números de casos novos, 6.050 e 2.750, respectivamente, seguidas pelas regiões Sul (1.320), Centro-Oeste (1.270) e Norte (1.210).
Ainda hoje, existe um tabu de que o câncer é uma doença muito séria e sem cura. Muitas pessoas acreditam que o diagnóstico da doença é apenas uma sentença de morte anunciada, contudo isso atualmente não é realidade. O diagnóstico precoce é fundamental para tratar o câncer infantojuvenil. Cerca de 70% dos casos entre crianças e adolescentes, acompanhados em centros especializados, podem chegar à cura. Porém, a chefe da Seção de Oncologia Pediátrica do INCA, Sima Ferman, alerta que para que as crianças recebam o tratamento como um todo e, para isso, precisam que seus pais as tragam às consultas nos dias e horas marcados, que não haja faltas ou interrupções, e que as orientações médicas sejam seguidas.
“A grande mensagem atual é de que o câncer na criança é uma doença potencialmente curável; mas, para que ela consiga a cura, é importante que chegue o mais precocemente possível ao centro especializado. Após isso, é fundamental a continuação do tratamento. É muito comum, ao passar a fase inicial, que a criança fique bem e os pais achem que está tudo resolvido. Muitos desses pais pensam: ” será que posso fazer um pouquinho menos do que está previsto no programa de tratamento”, conta Sima.
A resposta é não. Existe um programa de tratamento a ser seguido para cada doença, individualmente, e esse programa deve ser cumprido do começo ao fim. 
 
Como identificar os cânceres infantis
Os sinais e sintomas do câncer infantil são muito parecidos com os sinais e sintomas de doenças comuns nas crianças. “A maneira com que a doença se apresenta pode se confundir com a forma que outras doenças comuns da infância se manifestam”, avisa a médica. 
Segunda Sima, é preciso ressaltar que o mais comum não é o câncer e sim outras doenças próprias da infância. Muitas vezes, em algumas páginas na internet, encontra-se uma lista de sintomas que são tão comuns nas crianças que, ao invés de ajudar, podem confundir a cabeça dos pais, trazendo certo desespero e a sensação de que “tudo” é câncer.
Então como você vai saber separar quando o seu filho tem uma doença mais séria ou apenas uma doença comum da infância”
“Estudos mostram que, se o paciente vai de duas a três vezes ao posto de saúde com a mesma queixa, trata-se de algo mais sério. Com as crianças, a lógica é a mesma. Um sintoma que é repetido, se mantém, e não se define precisa ser investigado. A maioria das doenças de crianças rapidamente se resolve”, detalha a médica. 
Sima Ferman, chefe da Seção de Oncologia Pediátrica do INCA, ainda reforça que criança não inventa sintoma e, sempre que ela tem alguma queixa, é importante levar em consideração. Aos pediatras, Sima aconselha: “deem atenção aos sintomas da criança relatados pela mãe”. Aos pais, ela reforça: Deem atenção quando seu filho tem alguma queixa de saúde.
Muitas vezes, o câncer pode começar com um sintoma simples; mas, com o acompanhamento continuado da criança, outros sintomas podem surgir e chamar a atenção para o diagnóstico correto. “Se a criança tem uma dor de barriga frequente, já foi examinada pelo médico, fez alguns exames básicos e mesmo assim continua reclamando da dor, isso é um alerta. O mais importante é que os pais fiquem atentos até a elucidação da queixa”, insiste. 
Por outro lado, algumas situações podem alarmar inicialmente; porém, com uma avaliação mais cuidadosa, percebe-se que se trata de uma doença comum da criança. “Atendi alguns casos de crianças com gânglios muito aumentados, e que não eram nada sério”. Às vezes, a criança tinha uma amigdalite ou uma “feridinha” na cabeça e, por isso, houve aumento dos gânglios. É importante lembrar que o sistema linfático tem participação especial na defesa do organismo e pode aumentar em casos de infecção, principalmente em crianças. 

Conversar com a criança ajuda
Algumas famílias acreditam que contextualizar a criança sobre o que está acontecendo pode não fazer bem para a sua saúde física e emocional. 
 “Ainda existem alguns pais que pensam assim, mas os orientamos a conversarem com as crianças e a esclarecerem as suas dúvidas de acordo com a capacidade de compreensão de cada uma. É importante dar a real informação sobre o problema”, aconselha.
A criança precisa saber como será o tratamento e ter segurança de que tudo será explicado e nada será escondido. Ela passará por momentos difíceis e algumas vezes necessitará de internação, passará por procedimentos dolorosos e terá que faltar à escola. 
“É importante que ela saiba que é um período da sua vida que vai passar e a rotina diária voltará ao normal. Muitas vezes, poderá participar de decisões relacionadas ao seu tratamento. Quanto maior a aliança dos pacientes com os pais e a equipe de tratamento, mais facilmente esse período transcorrerá e maiores serão as chances de sucesso”, explica Sima Ferman.
Tratamento disponível e gratuito 
No Sistema Único de Saúde (SUS), as crianças têm acesso ao tratamento oncológico, independentemente do tipo de tumor. Para isso, a família deve procurar os estabelecimentos credenciados e habilitados em Oncologia Pediátrica. Ao todo no Brasil são 71 Unidades de Assistência de Alta Complexidade (UNACON) e Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) que atendem crianças e adolescentes com câncer.
A assistência especializada abrange sete modalidades integradas de tratamento: diagnóstico, cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia (oncologia clínica, hematologia), medidas de suporte, reabilitação e cuidados paliativos. Cada caso terá uma forma de abordagem e, por essa razão, um tratamento único, individualizado.

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