Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites virais: saiba como se prevenir

Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites virais: saiba como se prevenir

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Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites virais: saiba como se prevenir

Seguindo o calendário da AMRIGS alusivo à campanha “Saúde Preventiva: Pratique essa Ideia!”, o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é lembrado nesta quinta-feira, 28, alertando a população sobre os riscos de se contrair a doença. Contudo, as hepatites possuem tratamento e grande chance de cura. O tratamento é difícil, mas tolerável e cura cerca de 50% das pessoas infectadas.
No Brasil, de 1999 a 2011, foram notificados 343.853 casos de hepatites virais, incluindo os cinco tipos da doença que acometem os humanos ” A, B, C, D e E. Os dados apresentam os casos confirmados da doença, de pacientes que geralmente já apresentam sintomas. 

Características de cada tipo de hepatite:

Hepatite A ” A maior parte dos casos notificados no período foi registrada nas regiões Nordeste (31,2%) e Norte (23,3%). Crianças menores de 13 anos representam o grupo mais acometido pela hepatite A e compreendem 75,6% dos casos notificados no país, de 1999 a 2011. Nesse grupo, também se concentram as mais elevadas taxas de incidência.
No país, observa-se diminuição da taxa de incidência a partir de 2006, quando se registrou 9,1 casos por 100 mil habitantes. Em 2010, a taxa verificada foi de 3,6 por 100 mil habitantes. Neste mesmo ano, em relação às regiões, a Norte apresentou a maior taxa (11,8), seguida pela Sul (4,3), Nordeste (3,7), Centro Oeste (4,0) e Sudeste (1,4).
Hepatite B ” A análise por região demonstra que o Sudeste concentra 36,6% dos casos, seguido do Sul, com 31,6% das notificações, entre 1999 e 2011. Nesse período, tanto o país, quanto as regiões apresentaram crescimento das taxas de incidência (número de casos a cada 100 mil habitantes). 
No Brasil, a taxa passou de 0,3%, em 1999, para 6,9%, em 2010. A região Sul registra os maiores índices desde 2002, seguida do Norte. As taxas observadas nessas duas regiões, em 2009, foram de 14,3 e 11,0 por 100 mil habitantes, respectivamente.
Em relação à provável fonte/mecanismo de infecção atribuída ao final de investigação epidemiológica, em 2011*, ainda há um alto percentual de ignorados ou deixados em branco (56,1%). No mesmo ano, dos casos nos quais esse campo foi preenchido, a via sexual é a forma predominante de transmissão (52,7%).
Hepatite C ” Do total de casos de hepatite C registrados entre 1999 e 2011, 55.222 foram na região Sudeste e 18.307, na Sul. Juntas, essas duas regiões concentram 90% dos casos confirmados no país. As taxas de incidência mais elevadas também se concentram nessas regiões. Enquanto o país registrou incidência de 5,4 casos confirmados para hepatite C, em 2010, a região Sudeste apresentou 8,1 e a Sul, 9,4.
As duas principais vias de transmissão são uso de drogas e transfusão de sangue. Em 2011*, o uso de drogas como provável fonte/mecanismo de infecção foi registrado em 28,9% dos casos e a transmissão por transfusão em 25,2%.
Hepatite D ” Só as pessoas que já são portadoras do tipo B podem ser infectadas pelo tipo D, também causado por vírus. Entre 1999 e 2011*, foram confirmados 2.197 casos de hepatite D, com concentração de 76,4% na região Norte. Os estados do Acre e Amazonas agregam a maioria dos casos acumulados no período e notificados, 644 e 812, respectivamente.
Hepatite E ” Neste tipo da doença, os sinais e sintomas são semelhantes aos da hepatite A. Contudo, esse tipo é raro no Brasil. Entre 1999 e 2011*, foram registrados 967 casos da doença. Do total acumulado, mais da metade 48,6% (470) foram notificados na região Sudeste.
Óbitos por hepatites virais ” Entre as mortes atribuídas especificamente às hepatites virais no Brasil, o maior número registrado entre os anos de 2000 a 2011* foi decorrente da hepatite C, com 16.896 óbitos. Em seguida, encontra-se a hepatite B, com 5.520 óbitos declarados. No mesmo período, a causa básica de óbito por hepatites é menor nos tipos A (639), D (303) e E (51). Os óbitos são extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
Formas de prevenção

Hepatite A: A hepatite A pode ser prevenida pela utilização da vacina específica contra o vírus A1. Entretanto, a melhor estratégia de prevenção desta hepatite inclui a melhoria das condições de vida, com adequação do saneamento básico e das medidas educacionais de higiene.
Hepatite B: Educação e divulgação do problema são fundamentais para prevenir a hepatite B e outras DST. Além dessas ações, a cadeia de transmissão da doença é interrompida a partir de:
” controle efetivo de bancos de sangue por meio da triagem
sorológica;
” vacinação contra hepatite B, disponível no SUS para as seguintes situações:
Faixas etárias específicas:
Menores de um ano de idade, a partir do nascimento,
preferencialmente nas primeiras 12 horas após o parto
e crianças e adolescentes entre um a 19 anos de idade.
Para todas as faixas etárias:
Doadores regulares de sangue, populações indígenas, comunicantes domiciliares de portadores do vírus da hepatite B, portadores de hepatite C, usuários de hemodiálise,politransfundidos, hemofílicos, talassêmicos, portadores de anemia falciforme, portadores de neoplasias, portadores de HIV (sintomáticos e assintomáticos), usuários de drogas injetáveis e inaláveis, pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, etc), carcereiros de delegacias e penitenciárias, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, profissionais de saúde, coletadores de lixo hospitalar e domiciliar, bombeiros, policiais militares, civis e rodoviários envolvidos em atividade de resgate.
Em recém-nascidos, a primeira dose da vacina deve ser aplicada logo após o nascimento, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão vertical. Caso isso não tenha sido possível, iniciar o esquema o mais precocemente possível, na unidade neonatal ou na primeira visita ao Posto de Saúde. A vacina contra hepatite B pode ser administrada em qualquer idade e simultaneamente com outras vacinas do calendário básico.
A imunização contra a hepatite B é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose (0, 1 e 6 meses).
” uso de imunoglobulina humana anti-vírus da hepatite B nas
seguintes situações:
– recém-nascidos de mães portadoras do HBsAg;
– contatos sexuais com portadores ou com infecção aguda
(o mais cedo possível e até 14 dias após a relação sexual);
– vítimas de violência sexual (o mais cedo possível e até
14 dias após o estupro);
– acidentes ocupacionais segundo Manual de Exposição Ocupacional ” Recomendações para atendimento e
acompanhamento de exposição ocupacional a material biológico: HIV e hepatites B e C, que pode ser encontrado
” uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da Saúde;
” não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas.
Hepatite C: Não existe vacina para a prevenção da hepatite C, mas existem outras formas de prevenção primárias e secundárias. As medidas primárias visam à redução do risco para disseminação da doença e as secundárias à interrupção da progressão da doença em uma pessoa já infectada.
Dentre as medidas de prevenção primária, destacam-se:
” triagem em bancos de sangue e centrais de doação de sêmen para garantir a distribuição de material biológico não infectado;
” triagem de doadores de órgãos sólidos como coração, fígado, rim e pulmão;
” triagem de doadores de córnea ou pele;
” cumprimento das práticas de controle de infecção em hospitais, laboratórios, consultórios dentários, serviços de hemodiálise.
Dentre as medidas de prevenção secundária, podemos definir:
” tratamento dos indivíduos infectados, quando indicado;
” abstinência ou diminuição do uso de álcool, não exposição a 
outras substâncias hepatotóxicas.
Controle do peso, do colesterol e da glicemia são medidas que visam a reduzir a probabilidade de progressão da doença, já que estes fatores, quando presentes, podem ajudar a acelerar o desenvolvimento de formas graves de doença hepática.

Hepatite D ou Delta: A melhor maneira de se prevenir a hepatite D é realizar a prevenção contra a hepatite B, pois o vírus D necessita da presença do vírus B para contaminar uma pessoa.
” Não compartilhar alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamento para uso de drogas.
” Usar preservativo, controle de bancos de sangue, vacinação contra hepatite B indicada para os seguintes grupos populacionais:
– menores de um ano de idade, a partir do nascimento;
– filhos de mães portadoras do HBsAg devem ser vacinados
nas primeiras 12 horas de vida, preferencialmente;
– na faixa de 1 a 19 anos de idade;
– em todas as faixas etárias em pessoas doadoras regulares de sangue, portadores de hepatite C, pacientes em hemodiálise, politransfundidos, hemofílicos, talassêmicos, profissionais de saúde, populações indígenas, comunicantes domiciliares de portadores do vírus da hepatite B, pessoas portadoras do HIV (sintomáticas e assintomáticas), portadores de neoplasias, pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições para crianças e adolescentes, Forças Armadas, etc.), população de assentamentos e acampamentos, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, vítimas de violência sexual.
” Imunoglobulina humana anti-vírus da hepatite B: é indicada para recém-nascidos de mães portadoras do HBsAg, contatos sexuais com portadores ou com infecção aguda (o mais cedo possível e até 14 dias após a relação sexual) e vítimas de violência sexual (o mais cedo possível e até 14 dias após o estupro).
” Uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da Saúde.
Hepatite E: Como na hepatite A, a melhor estratégia de prevenção da hepatite E inclui a melhoria das condições de saneamento básico e medidas educacionais de higiene.
*Há ainda os tipos F e G de hepatites, contudo, não há casos de contaminação humana destes vírus.
Conhecer os vários tipos de hepatite, suas causas, sintomas e consequências é a melhor maneira de acabar com esta doença. Quanto mais a população tomar conhecimento dos aspectos característicos dos vírus, maiores serão as atitudes de prevenção contra a sua proliferação.  

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